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Candidíase Oral | Colunistas

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Arthur de Morais

6 min há 19 dias

Conceito

A candidíase oral é uma infecção fúngica oportunista muito comum,  causada por um desbalanço da microbiota devido ao crescimento excessivo de espécies Candida spp., sendo a maior responsável a C. albicans. Esta é muito prevalente devido à capacidade de adesão às células epiteliais e endoteliais, à aptidão de mudar de fenótipo (transformação de levedura em filamentosa), e à capacidade de secretar proteases para facilitar a penetração celular, contudo, existem outras espécies menos frequentes, como: C. dubliniensis, C. glabrata, C. krusei, C. kefyr, C. parapsilosis, C. stellatoidea e C. tropicalis.

Quadro clínico e tipos de apresentação clínica

A candidíase, clinicamente, pode ser dividida em primária e secundária, a depender dos sinais e sintomas do paciente. A candidíase primária tem resumidamente 3 subdivisões: candidíase pseudomembranosa, candidíase hiperplásica, candidíase eritematosa.

Já na apresentação da candidíase oral secundária as lesões estão localizadas nos tecidos orais e periorais, bem como em outras partes do corpo.

Subdivisões da candidíase Primária

  • Pseudomembranosa: tende a cursar com um quadro mais agudo, mas alguns casos pode evoluir para meses ou anos, principalmente, em pacientes que fazem uso de corticosteróides, imunossuprimidos, imunodeprimidos.  Tipicamente se apresenta com máculas esbranquiçadas que podem formar placas, localizadas na mucosa bucal e labial, língua e palato mole. Uma característica importante dessas lesões, é que elas podem ser removidas com a ajuda de uma gaze ou outro material, mostrando uma superfície eritematosa, erosada ou ulcerada e, usualmente, sensível.
Imagem 1: Candidíase pseudomembranosa no dorso da língua
Fonte: https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/5783/1/PPG_26039.pdf
  • Hiperplásica: também chamada de leucoplásica, na hiperplásica o quadro clínico tende a ser mais crônico, sendo a mais rara dos 3 tipos de candidíase primária. Tipicamente se apresenta com lesões palpáveis e translúcidas, e grandes placas opacas com regiões endurecidas e ásperas à palpação. Em alguns casos as lesões podem ser encontradas em formas nodulares. Um aspecto importante dessas lesões é que mesmo com a tentativa de raspagem, elas não conseguem ser removidas.
Imagem 2: lesão da candidíase hiperplásica na face ventro-lateral da língua
Fonte: https://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1130-05582006000300004
  • Eritematosa: é o tipo mais associado com o uso de corticoesteróides e antibióticos de largo espectro, visto que este desregula a microbiota. A candidíase eritematosa pode ser resultado da cronificação e evolução da candidíase pseudomembranosa. Apesar de ser normalmente assintomática, o paciente pode apresentar máculas eritematosas tipicamente encontradas na parte posterior-média do dorso da língua, palato ou mucosa labial.
Imagem 3: Candidíase eritematosa oral multifocal caracterizada por atrofia papilar central da língua e outras áreas de envolvimento.
Fonte: Livro Patologia Oral e Maxilofacial 3ª edição (2009), cap. 6, p. 217.

Complicações

  • Estomatite por dentadura: Encontra-se em associação com próteses dentais removíveis, pois a Candida spp, se adere à prótese dentária de resina acrílica. As lesões ficam confinadas no contorno da prótese, podendo ser lisas e aveludadas ou nodulares. São caracterizadas por eritema e edema crônico da mucosa. Pode ser classificada em: inflamação simples localizada ou hiperemia (tipo 1), eritema mais difuso envolvendo parte ou toda mucosa recoberta pela prótese (tipo 2), hiperplasia papilar normalmente na área central do palato duro e no rebordo alveolar (tipo 3).

●     Queilite angular: A aparência típica da queilite angular é a de rachaduras, úlceras ou fissuras crostosas, irradiando dos cantos da boca. Frequentemente, estas lesões são moderadamente dolorosas, apresentadas com eritema e fissuras nas comissuras labiais. A queilite angular normalmente representa uma combinação da presença de Candida com Staphylococcus aureus.

  • Candidíase sistêmica: é uma infecção do sangue ou de outros locais normalmente estéreis, O paciente normalmente apresenta febre, hipotensão e/ou leucocitose. Os organismos das espécies de Candida podem disseminar-se em múltiplos locais, em especial a retina, o rim, o fígado, o baço, os ossos e o sistema nervoso central. A candidíase disseminada crônica geralmente acarreta o envolvimento do fígado e/ou do baço associado à recuperação da neutropenia induzida por quimioterapia.

Diagnóstico

O diagnóstico da candidíase oral é clínico, mas em paciente com um quadro atípico, pode-se solicitar alguns exames, como: citologia exfoliativa (sendo a mais indicada), biópsia (é raramente solicitada, e deve ser realizada após o esfregaço superficial), cultura microbiológica, e testes de suscetibilidade. Pode-se solicitar endoscopia digestiva alta com ou sem biópsia das lesões para pacientes que tenham sintomas suspeitos de candidíase esofágica, como disfagia e odinofagia.

Tratamento

O tratamento se baseia na higiene oral adequada e fármacos antifúngicos tópicos e sistêmicos, como:

  • Anfotericina B: é um fármaco que se liga ao ergosterol (componente da membrana plasmática dos fungos) e promove um vazamento dos componentes essenciais para a vida do fungo, fazendo-o morrer.
  • Azóis: podem ser classificados em imidazóis e triazóis (têm melhor absorção).
  • Equinocandinas: inibem o beta1,3-D-glucano (componente essencial da parede celular do fungo, causando assim, sua morte). São muito efetivos contra a maior parte das espécies de Candida spp., incluindo as resistentes aos azóis.

Conclusão

Diante disso, vê-se que a candidíase oral tem uma repercussão grande no corpo humano, e, assim, deve-se ser tratada o quanto antes para que não evolua para formas clínicas mais graves e gerar complicações para o paciente. É de extrema importância a educação populacional, para que se reconheça mais os sinais e sintomas da candidíase oral, a fim de aumentar a procura rápida a um atendimento médico.

Autor : Arthur de Morais e Silva

Instagram: @arthurdemorais_

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/5783/1/PPG_26039.pdf

https://teses.usp.br/teses/disponiveis/23/23154/tde-13032019-150752/publico/PauloSergioSouzaPinaVersaoOriginal.pdf

https://www.unioeste.br/portal/images/estomatologia/lesoesfundamentais/pibe/1Macula-ou-Mancha/6Candidoseeritematosa.pdf

https://core.ac.uk/download/pdf/231157327.pdf

https://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1130-05582006000300004

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