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Cirurgia de cabeça e pescoço: residência, áreas de atuação, rotina e mais!

Cirurgia de cabeça e pescoço: residência, áreas de atuação, rotina e mais!

Índice

A Cirurgia de Cabeça e Pescoço é a especialidade médica que trata das doenças e tumores que acometem a região da face, fossas nasais, seios paranasais, boca, faringe, laringe, tireoide, paratireoides, glândulas salivares, dos tecidos moles do pescoço e couro cabeludo.

A especialidade, no entanto, não abrange os tumores ou doenças do cérebro e outras áreas do sistema nervoso e nem da coluna cervical. Esses procedimentos são realizados pelo neurocirurgião.

No Brasil, existem 1072 cirurgiões de cabeça e pescoço, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM). Mais de 55% dos especialistas estão na região sudeste e 21%, no nordeste do país. 

Se você pensa em fazer residência médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e quer saber mais sobre a especialidade, continue lendo este artigo. Aqui, falaremos sobre a rotina da profissão, o mercado de trabalho e a dinâmica do residente. 

O especialista e sua rotina

O cirurgião de cabeça e pescoço deve ser perfeccionista e ter conhecimento oncológico e da anatomia tipográfica, além de habilidades cirúrgicas. Dentre as operações rotineiras desse profissional, o esvaziamento cervical representa de maneira mais completa os elementos da especialidade — exprime a precisão, delicadeza e conhecimentos necessários para o tratamento do paciente com câncer de cabeça e pescoço. 

Essas são as cirurgias mais comuns na rotina desse cirurgião:

  • cirurgias da glândula tireóide e paratireóides;
  • glândulas salivares;
  • cistos branquiais e do ducto tireoglosso;
  • malformações cervicofaciais;
  • tumores de pele;
  • tumores malignos do trato aerodigestivo alto (boca, orofaringe, laringe, hipofaringe);
  • tumores dos seios nasais;
  • tumores da base do crânio. 

Rotina ambulatorial

A Cirurgia de Cabeça e Pescoço é uma especialidade essencialmente cirúrgica, com ênfase em oncologia. Por isso, no consultório predominarão avaliações de pacientes encaminhados com possível indicação cirúrgica ou casos de dúvida diagnóstica.

Nesses casos, o foco do especialista são rotinas diagnósticas, estadiamento, orientações em relação ao tratamento e ao seguimento oncológico. 

Rotina cirúrgica

Cerca de 70% das cirurgias realizadas pelo especialista em cabeça e pescoço são tireoidectomias, que podem ser totais ou parciais, com ou sem esvaziamento cervical. Esses procedimentos são delicados exigem técnica apurada de dissecção e hemostasia. 

Os demais procedimentos se dividem entre patologias benignas e oncologia cirúrgica. São frequentes as cirurgias de glândulas salivares, como as da parótida e submandibulares. Essas operações são tecnicamente exigentes e demandam muito conhecimento anatômico e treinamento, uma vez que as sequelas decorrentes de lesões podem gerar danos estéticos e funcionais ao paciente.

Outros procedimentos frequentes são as cirurgias compostas para tumores de cavidade oral e orofaringe, assim como as operações totais e parciais da laringe e exérese de cistos e anomalias congênitas. 

Procedimentos diagnósticos

Os procedimentos diagnósticos mais comuns na rotina do cirurgião de cabeça e pescoço são a videolaparoscopia e a punção aspirativa por agulha fina (Paaf). Saiba mais sobre cada um deles!

Videolaparoscopia

É um procedimento ambulatorial e não há necessidade de anestesia ou sedação. Também não exige treinamento formal ou curso, mas é recomendável ter experiência prévia, especialmente para a realização e biópsias. 

Punção aspirativa por agulha fina

É uma importante ferramenta diagnóstica empregada na investigação de nódulos e massas cervicais. O treinamento para a realização das punções e preparo das lâminas é feito em cursos específicos.  

Mercado de trabalho em remuneração

A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) não fez uma recomendação formal, mas acredita-se que o Brasil deve buscar uma relação de 1 especialista para cada 100 mil habitantes. Hoje, esse número é de 0,52, de acordo com os dados mais recentes do CFM.

Existe carência de profissionais em praticamente todas as regiões metropolitanas do Brasil, com exceção da grande São Paulo, que concentra cerca de 40% dos cirurgiões de cabeça e pescoço do Brasil. Nas cidades de médio e pequeno porte, os procedimentos mais comuns do especialista são realizados por cirurgião geral. 

Essas características são atrativas para quem está iniciando a carreira, uma vez que facilitam a inserção do recém-formado no mercado de trabalho em diversas áreas do país, especialmente em centros de médio porte e hospitais regionais. Cidades pequenas podem não comportar um cirurgião com atividade exclusiva na especialidades, por isso é comum atuar também como cirurgião geral e fazer plantões.

Remuneração

O salário inicial médio de um cirurgião no Brasil é de R$ 7.114. À medida em que se ganha experiência, esse número aumenta. Segundo dados divulgados pelo Guia da Carreira, um cirurgião de cabeça e pescoço com 8 anos de experiência ganha, em média R$ 17.500 mensais, sem contar com plantões e atendimentos extras.

A residência médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço

A residência médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço dura dois anos, mas tem como pré-requisito a residência em Cirurgia Geral, que dura outros dois anos. O Ministério da Saúde (MEC) não admite a residência em otorrinolaringologia (ORL) como pré-requisito, embora alguns serviços ofereçam a opção de estágio em serviço credenciado a partir da ORL. 

As atividades da residência variam conforme o hospital, mas, em geral, no primeiro ano o residente é responsável por rotinas de enfermaria, sobreaviso das operações de urgência, operações com anestesia local e de pequeno e médio e médio porte.

No segundo ano, o médico residente realiza procedimentos de médio e grande porte, especialmente operações compostas para tumores, assim como cirurgias de base de crânio. Nesse período, são comuns as cirurgias longas, com mais de 6 horas de duração.

As atividades científicas são essenciais para o aprendizado da base teórica da especialidade e, por isso, não devem ser negligenciadas. Cada serviço tem o seu próprio sistema de organização de aulas e seminários. Apesar de não haver um padrão único, a SBBCP e o MEC fazem recomendações do conteúdo mínimo a ser ministrado ao residente nesses dois anos. 

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