Ciclo Clínico

Como diagnosticar a pneumonia adquirida na comunidade?

Como diagnosticar a pneumonia adquirida na comunidade?

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A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é a principal causa de óbito por doenças infecciosas em menores de cinco anos. 

Pensando em te ajudar no diagnóstico clínico desta patologia, a Sanar reuniu os 3 passos principais que você deve saber para fazer um bom diagnóstico.

O que é a pneumonia adquirida na comunidade?

A pneumonia é o processo inflamatório agudo das vias aéreas terminais. A doença é considerada comunitária quando surge em até 48h após a internação do paciente. No geral, o principal agente bacteriano dessa patologia é o Streptococcus pneumoniae. 

Quais seus principais sintomas?

Os principais sintomas de um paciente com pneumonia são: 

  • Tosse
  • Expectoração
  • Dispneia 
  • Dor torácica 
  • Febre 

Contudo, em idosos esses sintomas não costumam ser comuns. O paciente idoso acaba evoluindo com prostração, queda do estado geral, redução do apetite, desânimo e mudança do estado mental.

Epidemiologia

No mundo, a PAC tem incidência de 1,5 a 14 casos por 1.000 habitantes. A taxa de mortalidade de 41,7 por 100.000 habitantes.

No Brasil, as doenças do aparelho respiratório constituem a quinta causa de óbito e, dentre essas, a pneumonia é a segunda mais frequente. Segundo dados do Datasus, ocorreram 605 mil internações por PAC ou influenza em 2015.

A maior incidência de PAC ocorre em extremos de idade, principalmente antes dos 5 anos e acima dos 65 anos. Também tem maior incidência no sexo masculino e maior frequência nos períodos de outono e inverno.

É importante ressaltar que a mortalidade varia conforme a gravidade ao diagnóstico. Aqueles pacientes que não necessitam de internação têm mortalidade em torno de 1%; os hospitalizados variam entre 4 e 18%; e os internados em UTI podem chegar a 50%.

Três passos para diagnosticar PAC

1. Faça uma anamnese minuciosa se suspeitar de pneumonia adquirida na comunidade

Na anamnese procure os detalhes, entenda como se iniciou a história clínica do paciente. Além das perguntas típicas de uma anamnese, fique atento a: 

  • Idade do paciente
  • História clínica do quadro:  quais os principais sintomas, quando iniciou e qual a evolução
  • Fique atento aos sintomas associadas
  • Observe se o paciente traz algum fator de risco para PAC como: idade (é idoso ou criança), vacinação incompleta, ruim estado nutricional, é tabagista ou estilista. 

2. Fique atento ao exame físico 

O paciente com PAC apresenta alguns sinais típicos no exame físico como:

  • Taquipnéia
  • Expansibilidade do tórax reduzida
  • Frêmito tóraco vocal (FTV) aumentado
  • Presença de estertores e roncos na ausculta pulmonar
  • Submacicez ou macicez à percussão

Portanto, é necessário que você esteja atento a esses sinais. Além disso, para estratificar o risco do paciente diagnosticado com pneumonia você poderá usar o CURB65: 

  • C: Cofusão mental
  • U: Ureia > 42
  • R: Frequência Respiratória > 30 
  • B: PAS < 90 e PAD < 60
  • Idade maior que 65 anos

3. Solicite Raio-x do tórax, se possível

A tríade propedêutica para diagnóstico do PAC inclui o Raio-x do tórax (postero anterior e de perfil). Se você estiver atuando em um hospital que tenha acesso a esse exame, solicite.

No raio-x será possível confirmar a doença ou observar possíveis diagnósticos diferenciais como: tuberculose ou alguma massa pulmonar. Os principais achados do exame que serão sugestivos de PAC são: 

  • Consolidações alveoloductais, segmentares ou lobares
  • Broncograma aéreo 

Na imagem abaixo é possível observar uma consolidação no lobo médio no pulmão do paciente.

Radiological findings in patients that were admitted to the pediatric unit of the Hospital Regional da Asa Norte in Brasilia, DF

Ficha clínica

Onde tratar o paciente com Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC)?

Muitos escores foram criados para sistematizar a escolha do local de cuidado dos pacientes. Entre eles: o CURB-65 e os critérios de internação na UTI como o ATS/IDSA.

Entretanto, é importante frisar que a principal medida para tomada de decisão quanto ao sítio de tratamento é o julgamento clínico.

Pacientes idosos, com múltiplas comorbidades, sépticos, dentre outros agravos, precisam de um cuidado mais monitorizado, portanto, merecem tratamento hospitalar. Além disso, os fatores socioecônomicos do paciente também são importantes de serem avaliados na hora da tomada dessa decisão.

CURB-65

Inicialmente, devemos avaliar o CURB-65 que utiliza de cinco critérios, valendo cada um 1 ponto.

  • 0-1 ponto: pacientes que são candidatos ao tratamento ambulatorial, avaliar fatores socioeconômicos e avaliar clínica do paciente;
  • 2 pontos: considerar tratamento hospitalar para o paciente;
  • 3-5 pontos: pacientes que tem alta mortalidade, portanto, precisam de tratamento hospitalar. Avaliar outros critérios para definir se em enfermaria ou em unidade de terapia intensiva.

Critérios para internamento em UTI

Um critério maior ou três ou mais critérios menores indicam que o paciente precisa de cuidados intensivos.

Referências: 

  • Diretrizes brasileiras em pneumonia adquirida na comunidade em pediatria. J. Bras Pneumol. 2007. 
  • Sociedade brasileira de pediatria. Departamento científico de pneumologia. 2018. 
  • Yellowbook

Para consolidar o seu conhecimento sobre a PAC, assista: 

Sugestão de leitura complementar: