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Emergência obstétrica: o que preciso saber para conduzir os principais casos?

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Conheça o principal sobre emergência obstétrica, como reconhecê-las e identificar potenciais gravidades. Bons estudos!

As emergências obstétricas são condições variadas que podem comprometer a continuidade da gestação. Por isso, é fundamental que todo médico esteja familiarizado com a identificação dessa condição.

O que é uma emergência obstétrica?

Antes de conhecer as principais emergências obstétricas, é precido entender o que elas são. Diferente do que muitos pensam, as emergências obstétricas não ocorrem apenas durante o parto.

Sendo assim, refere-se a situações de emergência médica que ocorrem durante a gravidez, parto ou pós-parto, que colocam em risco a saúde da mãe e/ou do feto.

O cuidado nessas situações envolve uma avaliação e estabilização da mãe e do feto. Além disso, o monitoramento de sinais vitais, administração de medicamentos, transfusões de sangue estão envolvidos nesse cuidado.

As emergências obstétricas podem significar um risco grave à vida. Por isso, elas precisam de uma atenção médica imediata, a fim de evitar complicações ou um triste desfecho.

Pré-eclâmpsia e eclâmpsia: emergências obstétricas graves

Ambas essas emergências obstétricas são preocupantes durante a gestação. Estima-se que a pré-eclâmpsia afete cerca de 2 a 8% das gestações em países desenvolvidos, enquanto em países em desenvolvimento, chega a a 10%.

A pré-eclâmpsia é uma condição que se caracteriza por uma elevação da pressão arterial e proteinúria após a 20ª semana de gestação. Já a eclâmpsia, é uma complicação grave manifestada por convulsões e alterações neurológicas. Dentre os fatores de risco para a pré-eclâmpsia, tem-se:

  • Idade materna avançada;
  • História prévia de pré-eclâmpsia;
  • Doenças crônicas como diabetes e hipertensão;
  • Gestação múltipla;
  • Obesidade.

É importante ressaltar que a mulher que apresenta eclâmpsia não necessariamente apresentou sintomas da pré-eclâmpsia. No entanto, o seu risco aumenta com um histórico prévio de pré-eclâmpsia e sua gravidade.

Elas são condições que podem ser prevenidas ou controladas, principalmente por um bom cuidado pré-natal e monitorização regular. Esse é um exemplo de importância de análise da urina durante a gestação, buscando a presença de proteínas.

Quais são as possíveis complicações e evolução dessa emergência obstétrica?

A eclâmpsia é uma complicação grave da pré-eclâmpsia. Ela pode levar a complicações graves, como insuficiência respiratória, edema cerebral e morte.

Por isso, o manejo entre essas duas complicações varia. A pré-eclâmpsia pode ser controlada com algumas medidas, como:

  • Repouso: hospitalar ou em casa, com monitoramento materno e f fetal;
  • Dieta: importante para o manejo da PA, sendo hipossódica e ingestão controlada de líquidos;
  • Medicamentos anti-hipertensivos;
  • Anticonvulsivantes e sulfato de magnésio.

Em casos graves, pode ser necessário antecipar o parto para evitar complicações graves para a mãe e o feto. O parto pode ser realizado por cesariana ou parto vaginal, dependendo das condições médicas da mãe e do feto. Apesar das orientações, o tratamento deve ser individualizado para cada mulher e feto, decidindo a melhor abordagem. Além disso, embora a eclâmpsia seja mais grave, a pré-eclâmpsia também representa risco de vida materno-fetal.

Quanto à eclâmpsia, as medidas se seguem da seguinte forma:

  • Estabilização da paciente: mãe segura, com funções vitais monitoradas e via aérea mantida;
  • Controle de convulsões: administração intravenosa de sulfato de magnésio é o padrão para o controle;
  • Medicações anti-hipertensivas;
  • Monitoramento fetal;
  • Antecipação do parto.

Assim como na pré-eclâmpsia, deve-se fazer restrição de sal na dieta, a monitorização da ingestão de líquidos e a administração de medicamentos para proteger a função renal e controlar outros sintomas. Ainda, toda a abordagem também será individualizada para a condição de saúde mãe-feto.

Descolamento prematuro de placenta: ao que pode levar essa emergência obstétrica?

O descolamento prematuro da placenta é uma complicação obstétrica que ocorre quando a placenta se descola precocemente da parede do útero antes do parto.

O diagnóstico do descolamento prematuro da placenta é feito por meio de exame clínico, ultrassonografia e monitorização fetal.

As principais causas do descolamento prematuro da placenta incluem:

  • Traumatismos abdominais;
  • Hipertensão arterial;
  • Tabagismo;
  • Uso de drogas ilícitas;
  • Gestações múltiplas;
  • Idade materna avançada;
  • Ruptura prematura das membranas.

Quanto aos principais sintomas do descolamento prematuro da placenta incluem dor abdominal intensa, sangramento vaginal e contrações uterinas frequentes.

Esses sintomas podem ser acompanhados de outros sinais de sofrimento fetal, como diminuição dos movimentos fetais, batimentos cardíacos fetais anormais ou sinais de hipóxia fetal.

O diagnóstico do descolamento prematuro de placenta pode ser bem visualizado em uma ultrassonografia obstétrica e monitorização fetal. Por meio da ultrassonografia, é possível identificar o local do descolamento, através do hematoma retroplacentário e espessamento do miométrio.

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Apontado pelas setas: Hematoma Retroplacentário ao exame ultrassonográfico. Fonte: Ananth et al, 2023.

Considerar fatores maternos ajudam a criar um plano de cuidados à mãe e ao feto. Como exemplo, a idade gestacional é importante para avaliar a viabilidade fetal e a possibilidade de parto prematuro.

Tratamento do descolamento prematuro de placenta

O que definirá o tratamento será a gravidade do descolamento e o estágio da gestação.

Em casos leves, apenas o repouso absoluto pode ser suficiente. No entanto, em casos mais graves até mesmo um parto de emergência poderá ser necessário. De maneira geral, as medidas adotadas pelas equipes se seguirão por:

  • Monitoramento: exames de ultrassonografia, monitoramento da frequêncica cardíaca fetal e pressão arterial da mãe.
  • Reposição volêmica: o aumento da pressão volêmica favorecerá o fluxo sanguíneo entre mãe e feto.
  • Repouso absoluto: de preferência, em decúbito lateral esquerdo. Essa posição favorece o fluxo sanguíneo para a placenta, permitindo sua recuperação.
  • Transfusão sanguínea: caso a paciente tenha tido uma perda de sangue significativa, a transfusão pode ser uma medida necessária.

Parto prematuro: emergência obstétrica comum

Mais do que uma emergência obstétrica, o parto prematuro pode ser uma consequência de alguma das já citadas.

É considerada a prematuridade quando o nascimento do bebê ocorre antes de completar 37 semanas de gestação. O parto prematuro pode ser espontâneo ou provocado. Embora o parto prematuro esteja longe de ser o ideal, pode ser uma medida preventiva à uma complicação mais grave para a criança e para a mãe.

As causas do parto prematuro espontâneo podem ser:

  • Infecções: de várias naturezas, como sistêmicas e até mesmo periodontais.
  • Estresse físico ou emocional;
  • Gravidez gemelar;
  • Idade materna: mãe com idade inferior à 17 anos ou mais de 35 anos;
  • Malformação uterina;
  • Problemas no tampão mucoso do colo do útero.

É importante ressaltar que alguns hábitos de vida também podem favorecer a prematuridade. Dentre elas, o tabagismo, alcoolismo e abuso de cafeína.

Ruptura uterina: já ouviu falar?

Como comentamos no início, as emergências obstétricas não se restringem à eventos durante a gestação. A ruptura uterina é um exemplo disso, que pode ocorrer antes ou já durante o trabalho de parto.

Embora seja rara, trata-se de uma emergência obstétrica muito grave, levando a uma hemorragia significativa. Por isso, os sintomas de alarme desse quadro são os sinais de choque: hipotensão, aumento dos batimentos cardíacos e sangramento vaginal.

Ela pode ser classificada como incompleta ou completa, considerando a sua extensão ou não à cavidade abdominal. A completa é mais grave, podendo representar grande risco de vida materno-fetal.

Algumas causas desse quadro incluem:

  • Cesárea prévia;
  • Trauma no útero durante a gravidez ou trabalho de parto;
  • Uso excessivo de medicamentos para estimular as contrações uterinas;
  • Gravidez após procedimentos cirúrgicos uterinos, como miomectomia ou cirurgia de correção de septo uterino;
  • Anomalias uterinas congênitas.

Recomendações para a sua paciente gestante: a emergência obstétrica pode ser evitada

A educação da gestante é fundamental. Através dela, os eventos emergenciais podem ser minimizados. Por isso, a orientação à gestante pode se estender para além do obstetra, cabendo ao médico generalista conhecer as principais recomendações.

A realização do pré-natal é fundamental. Explique à gestante a importância de consultas mensais até a 28ª semana, em seguida quinzenais da 28ª-36ª e semanais até o parto. Assim ela poderá ser acompanhada e evitar intercorrências.

Mulheres com pressão alta, diabetes ou outras doenças crônicas devem controlar cuidadosamente essas condições durante a gravidez para reduzir o risco de complicações, incluindo descolamento prematuro de placenta. Por isso, a mudança de medicações e ajustes podem ser necessários.

Quanto à atividades físicas, o ideal é que sejam realizadas. Caso a gestante já tenha esse hábito, o ideal é mantê-lo na medida em que é bem tolerado.

Então, como exemplo, se atividades de alto impacto físico já fossem habituais, como o crossfit, não há razão para ela ser suspendida. No entanto, atenção para a natação! Essa é uma atividade que deve ser suspendida, devido ao longo tempo de apneia e prejuízo da oxigenação do feto.

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Natália Kostek, gestante do primeiro, praticando crossfit.

O uso de drogas, assim como álcool e tabaco, devem ser completamente proibidas! Muitas complicações advém desse hábito de vida durante a gestação. Suas implicações vão desde o prejuízo da formação óssea à morte fetal. Nessa mesma perspectiva, o consumo de cafeína deve se limitar a 200mg/dia (atenção para outras bebidas que contém cafeína, além do próprio café, como em refrigerantes).

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Perguntas frequentes sobre emergência obstétrica

  1. O que são emergências obstétricas?
    São eventos que podem colocar em risco a vida da mãe e feto durante e após o parto.
  2. Quais atividade física deve ser evitada durante a gestação?
    Natação, devido aos longos tempos de apneia e comprometimento do fluxo de oxigênio.
  3. Como as consultas de pré-natal devem ser feitas para evitar uma possível emergência obstétrica?
    Até a 28ª semana, consultas mensais. Da 28ª-36ª, consultas quinzenais e até o parto consultas semanais.

Referências

  1. Urgências e Emergências Maternas. Ministério da Saúde.
  2. Acute placental abruption: Pathophysiology, clinical features, diagnosis, and consequences. Cande V Ananth, PhD, MPH. UpToDate
  3. Disaster settings: Care of pregnant patients. Naima T Joseph, MD, MPH, MA. UpToDate

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