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Escala M-CHAT: conheça a principal escala de diagnóstico de TEA

Escala M-CHAT: conheça a principal escala de diagnóstico de TEA

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Você conhece a escala M-CHAT? Entenda o seu objetivo e como aplicá-la na prática clínica! Bons estudos!

A Escala M-CHAT é uma ferramenta muito útil atualmente no diagnóstico de autismo. Ter esse diagnóstico o mais precocemente possível é fundamental para amenizar os sintomas e montar uma estratégia para isso.

Diagnóstico do autismo: como a Escala M-CHAT se fez tão necessária?

O Autismo é um Transtorno Global do Desenvolvimento (também chamado de Transtorno do Espectro Autista), caracterizado por alterações significativas na comunicação, na interação social e no comportamento da criança.

A melhor forma de fazer o diagnóstico é por meio do conhecimento detalhado do indivíduo e pela correta identificação dos sinais e sintomas do transtorno.

Para isso, existem vários sistemas de diagnósticos utilizados para a classificação do autismo. Os mais comuns são a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde, ou CID-10, e o Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais da Academia Americana de Psiquiatria, ou DSM-V.

Quem pode utilizar a escala M-CHAT?

Atualmente um dos instrumentos mais utilizados é a M-CHAT. Ela é uma ferramenta útil na rotina de médicos pediatras e indica o encaminhamento para o psiquiatra, caso o risco de Autismo seja alto.

A M-CHAT é uma escala de rastreamento que pode ser utilizada em todas as crianças durante visitas pediátricas com objetivo de identificar traços de autismo em crianças de idade precoce.

Por ser extremamente simples, a M-CHAT não precisa ser administrada por médicos. A resposta aos itens da escala leva em conta as observações dos pais com relação ao comportamento da criança e dura apenas alguns minutos para ser preenchida.

Como a escala M-CHAT funciona?

Essa escala consiste em 23 questões do tipo “sim” e “não”, que deve ser preenchida pelos pais ou responsáveis que estejam acompanhando a criança na consulta.

Do número total de questões, 14 foram desenvolvidas com base em uma lista de sintomas frequentes em crianças com autismo. Se a criança obtiver mais de 3 pontos oriundos de quaisquer dos itens, ela é considerada em risco para autismo.

Se obtiver 2 pontos derivados de itens críticos (que são as questões 2, 7, 9, 13, 14 e 15) também é considerada em risco para autismo. As respostas pontuadas com “não” são: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 19, 21 e 23. As respostas pontuadas com “sim” são: 11, 18, 20, 22.

Classificação das crianças com risco de autismo segundo a Escala M-CHAT

A escala M-CHAT classifica as crianças em 3 níveis de risco: baixo, moderado e alto. Assim sendo, temos que:

Baixo risco

Pontuação de 0 a 2:

  • Poucas chances do paciente desenvolver o Transtorno do Espectro Autista e, assim, não são necessárias medidas de intervenção.
  • Caso a criança tenha menos de 2 anos (24 meses), é necessário que o teste seja repetido.

Moderado risco

Pontuação de 3 a 7.

Nesse caso, é importante que a história da criança seja muito bem coletada, como o início dos sintomas.

Alto risco

Pontuação de 8 a 20

Com essa pontuação, deve ser marcada uma consulta com o especialista. Com ele, será confirmado ou descartado o diagnóstico, e tomado o tratamento cabível.

Dessa forma, quando a pontuação na escala M-Chat for maior ou igual a 2, ela pode indicar autismo e a criança deve ser encaminhada para um especialista. Caso o resultado da pontuação estiver entre 0 e 1, não há autismo, mesmo que seja recomendado repetir o teste posteriormente.

No entanto, quando a pontuação estiver entre 8 e 20 o risco de autismo é bem alto. Se você perceber sinais de autismo em seu filho ou aluno, é preciso encaminhá-lo para uma avaliação com um profissional especialista.

Versão Final do M-CHAT em Português

Essa escala consiste em 23 questões do tipo “sim” e “não”, que precisam ser preenchidas pelos pais ou responsáveis que estejam acompanhando a criança na consulta.

Veja abaixo a imagem das perguntas que devem ser feitas:

Fonte: UPTODATE, 2023.

Tradução Milena Pereira Podé e Mirella Fiuza Losapio.

Confira as mesmas perguntas digitadas, na tradução de Milena Pereira:

  •  Seu filho gosta de se balançar, de pular no seu joelho, etc.?
  •  Seu filho tem interesse por outras crianças?
  •  O seu filho gosta de subir em coisas, como escadas ou móveis?
  •  Seu filho gosta de brincar de esconder e mostrar o rosto ou de esconde-esconde?
  •  Seu filho já brincou de faz-de-conta, como, por exemplo, fazer de conta que está falando no telefone ou que está cuidando da boneca, ou qualquer outra brincadeira de faz-de-conta?
  •  O seu filho já usou o dedo indicador dele para apontar, para pedir alguma coisa?
  •  O seu filho já usou o dedo indicador dele para apontar, para indicar interesse em algo?
  •  Seu filho consegue brincar de forma correta com brinquedos pequenos (ex. carros ou blocos), sem apenas colocar na boca, remexer no brinquedo ou deixar o brinquedo cair?
  •  O seu filho alguma vez trouxe objetos para você (pais) para lhe mostrar este objeto?
Outras perguntas que devem ser respondidas:
  • O seu filho olha para você no olho por mais de um segundo ou dois?
  • Seu filho já pareceu muito sensível ao barulho (ex. tapando os ouvidos)?
  • O seu filho sorri em resposta ao seu rosto ou ao seu sorriso?
  • O seu filho imita você? (ex. você faz expressões/caretas e seu filho imita?)
  • Seu filho responde quando você chama ele pelo nome?
  • Se você aponta um brinquedo do outro lado do cômodo, o seu filho olha para ele?
  • O seu filho já sabe andar?
  • O seu filho olha para coisas que você está olhando?
  • Seu filho faz movimentos estranhos com os dedos perto do rosto dele?
  • Seu filho tenta atrair a sua atenção para a atividade dele?
  • Você alguma vez já se perguntou se seu filho é surdo?
  • O seu filho entende o que as pessoas dizem?
  • O seu filho às vezes fica aéreo, “olhando para o nada” ou caminhando sem direção definida?
  • Seu filho olha para o seu rosto para conferir a sua reação quando vê algo estranho.

Sugestão de leitura complementar

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Referências bibliográficas

  1. LOSAPIO, Mirella Fiuza  and  PONDE, Milena Pereira. Tradução para o português da escala M-CHAT para rastreamento precoce de autismo. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2008, vol.30, n.3 [cited  2021-02-23], pp.221-229.
  2. CARVALHO, Felipe Alckmin et al. Rastreamento de sinais precoces de transtorno do espectro do autismo em crianças de creches de um município de São Paulo. Psicol. teor. prat. [online]. 2013, vol.15, n.2 [citado  2021-02-23], pp. 144-154 .

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