Psiquiatria

Transtorno do Espectro Autista (TEA): o que é?

Transtorno do Espectro Autista (TEA): o que é?

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SanarFlix

5 min há 796 dias

Confira um artigo completo que falamos sobre o Transtorno do Espectro Autista para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.

Boa leitura!

Definição e Epidemiologia do Transtorno do Espectro Autista

Os transtornos do neurodesenvolvimento são um grupo de condições que se apresentam no início do período de desenvolvimento do indivíduo e, por este motivo, em geral apresentam-se antes da criança ingressar na escola. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação/interação social e por padrões repetitivos/restritos de comportamentos, interesses e atividades.

Não se trata de um transtorno degenerativo, pois a aprendizagem e compensação continuam ao longo da vida, no entanto, é difuso e permanente, não havendo cura para o mesmo, mas o diagnóstico e intervenção precoces podem “suavizar” os sintomas.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) possui diversidade e variabilidade de apresentações dos déficits citados acima, por isso, o uso do termo espectro, de modo que as manifestações do transtorno variam muito dependendo da gravidade, síndromes genéticas associadas e presença de outros transtornos do neurodesenvolvimento associados (transtorno do desenvolvimento intelectual, por exemplo).

O transtorno do espectro autista engloba transtornos antes chamados de: autismo infantil precoce, autismo infantil, autismo de Kanner, autismo de alto funcionamento, autismo atípico, transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação, transtorno desintegrativo da infância e transtorno de Asperger. Com isso, atualmente, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-V) não mais categoriza todos estes tipos de apresentações, englobando todos dentro deste espectro e definindo gravidade do TEA com base nos prejuízos, conforme veremos a seguir. Logo, não se adota no DSM-V o conceito de continuum para o TEA, ou seja, não se trata de apresentações que poderiam progredir de uma para outra dentro de um continuum e sim uma variabilidade de apresentações/prejuízos que têm em comum os critérios diagnósticos para TEA, mas em si possui aspectos singulares em cada criança.

O Transtorno do Espectro Autista tem origem na infância, mas não é uniforme no seu início, pois algumas crianças apresentam os sintomas logo após o nascimento enquanto em outras só é possível identificar algum sinal entre 1 e 2 anos de idade. Manifesta-se em diversas etnias e grupos socioeconômicos, possuindo prevalência maior no sexo masculino (proporção de aproximadamente 4:1) com prevalência de até 1% na população.

Além disso, existe uma prevalência que varia de 30 a 50% de deficiência intelectual nestes pacientes e até 70% podem apresentar algum transtorno mental associado, de modo que 40% dos pacientes com TEA têm 2 ou mais transtornos mentais comórbidos.

SAIBA MAIS: A Organização das Nações Unidas (ONU), no fim de 2007, definiu o dia 2 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (World Autism Awareness Day), com isso, neste dia, muitos monumentos que são cartões postais ao redor do mundo são iluminados de azul para fazer referência e chamar atenção da sociedade para o TEA.

Etiologia e fisiopatologia do Transtorno do Espectro Autista

O TEA tem etiologia genética e multifatorial, sendo causado por uma combinação entre fatores genéticos e ambientais. Os fatores genéticos têm uma importância singular na patogênese de modo que se estima que tal transtorno seja hereditário em 50-90% dos casos, sendo que a chance de uma criança com irmão autista também ser afetada é de 10,1%, e havendo 2 irmãos previamente com o transtorno essa prevalência chega a 25%.

Existem diversos padrões de herança, variantes genéticas causais (comuns ou raras) e defeitos estruturais no genoma relacionados ao autismo, envolvendo quase todos os cromossomos, sendo que os principais que têm apresentado alterações ligadas ao TEA são o 7 e 15. Além disso, há associação do autismo com outras síndromes genéticas como a do X-frágil, Prader-Willi e de Angelman.

SAIBA MAIS: A síndrome do X-frágil é uma anomalia ligada ao cromossomo X que leva a déficit intelectual e transtornos comportamentais, mais comum em homens. Já a síndrome Prader-Willi caracteriza-se por ter parte do cromossomo 15 faltando, acarretando em deficiência intelectual, criptorquidia e comportamentos obsessivos-compulsivos. Enquanto que a síndrome de Angelman causa sintomatologia diversificada englobando deficiência intelectual, atraso no desenvolvimento global, movimentos anormais, epilepsia, e também características físicas, como cabeça pequena com achatamento posterior, boca grande, queixo proeminente, lábio superior fino, dentre outras. 

Apesar de importantes, tais fatores genéticos não atuam sozinhos, uma vez que estes são influenciados por fatores de risco ambientais, tais como: idade parental avançada no momento da concepção, nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, infecção materna na gestação por citomegalovírus e rubéola, inflamação materna e ativação autoimune, e exposição na gravidez ao ácido valproico e ao etanol.

No entanto, não existe associação entre autismo e a vacina da tríplice viral. Com isso, a epigenética tem estudado as interações entre o material genético e os fatores ambientais no Transtorno do Espectro Autista, pois a variabilidade de expressão dos sintomas dentro do espectro não é suficientemente explicada pelas mutações genéticas.

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