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Histologia do aparelho urinário: corpúsculo renal, túbulo urinífero e mais

Histologia do aparelho urinário: corpúsculo renal, túbulo urinífero e mais

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A histologia do aparelho urinário refere-se ao estudo microscópico dos tecidos que compõem os órgãos responsáveis pela formação e excreção da urina.

O aparelho urinário é composto pelos rins, ureteres, bexiga e uretra. A histologia do aparelho urinário é crucial para entender as funções específicas de cada componente na formação, transporte e eliminação da urina.

Como é formado o aparelho urinário?

Os rins, em número de dois, são os principais responsáveis por esse processo. Localizados na parte posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral, eles consistem em córtex e medula, abrigando milhares de unidades funcionais chamadas néfrons.

Cada néfron é composto por um corpúsculo renal, que inclui o glomérulo e a cápsula de Bowman, e um túbulo renal, composto por túbulos contorcidos proximal e distal, além da alça de Henle. Essas estruturas trabalham em conjunto para filtrar o sangue, remover substâncias indesejadas e reabsorver nutrientes essenciais, resultando na formação da urina.

Os ureteres, conectados aos rins, são tubos musculares que conduzem a urina para a bexiga. Sua estrutura muscular permite a propulsão da urina através de contrações peristálticas, garantindo o fluxo unidirecional.

A bexiga, um órgão muscular oco, armazena a urina até que haja um volume adequado para o esvaziamento. Sua parede muscular, conhecida como músculo detrusor, se contrai durante a micção, expelindo a urina pela uretra.

Finalmente, a uretra é um canal que transporta a urina da bexiga para o exterior do corpo. A mucosa da uretra varia entre os sexos, sendo mais longa nos homens, onde também serve como canal para a eliminação do esperma.

Quais são as funções do aparelho urinário?

O aparelho urinário é formado por dois rins, dois ureteres, a bexiga e a uretra. Através desse aparelho são eliminados para o meio externo diversos resíduos do metabolismo, como:

  • Água
  • Eletrólitos
  • Não eletrólitos em excesso

Todos com o propósito de promover a manutenção da homeostase corporal.

Essas funções são asseguradas pela atividade dos túbulos uriníferos, que desempenham um complexo processo envolvendo filtração, absorção ativa e passiva, além de secreção. Essas atividades regulam a composição do meio corporal interno.

Ademais, os rins também secretam hormônios como a renina e a eritropoetina. A primeira participa da regulação da pressão sanguínea, já a segunda estimula a produção de eritrócitos. Ocorre também nos rins a ativação da vitamina D3, um pró-hormônio esteroide.

Os dois rins formam, por minuto, aproximadamente 125 ml de filtrado, os quais 124 ml são absorvidos nos túbulos renais e apenas 1 ml é lançado nos cálices renais como urina. A cada 24 horas formam-se cerca de 1.500 ml de urina.

Rins: anatomia e histologia

Os rins estão situados no espaço retroperitoneal da parede abdominal posterior, na altura da 12ª vértebra torácica à 3ª vértebra lombar, sendo o rim direito ligeiramente mais inferior por causa da posição do fígado.

Cada rim pesa cerca de 150g e mede 10-12 cm de comprimento, 4-6,5 cm de largura e 2-3 cm de espessura. Eles ainda são envolvidos por tecido adiposo, o qual confere proteção contra choques e possuem uma cápsula de tecido conjuntivo denso, com muitos miofibroblastos na porção interna.

Lateralmente, exibem uma borda convexa e, medialmente, uma borda côncava, na qual se situa o hilo. Nessa estrutura, entram e saem os vasos sanguíneos, linfáticos e os nervos e emerge a pelve renal, a parte superior e expandida do ureter.

Imagem ilustrativa do Rins in situ
Imagem: Rins in situ. Fonte: Netter

Divisão dos rins e sua histologia

Os rins podem ser divididos em córtex e medula. O córtex possui estruturas vasculares denominadas corpúsculos renais (ou de Malpighi), onde o sangue é filtrado. O fluido formado dessa filtração percorre um sistema tubular nas regiões cortical e medular, onde sofre modificações e torna-se urina.

Os túbulos da medula, devido arranjo e diferença de comprimento, formam estruturas cônicas chamadas de pirâmides medulares. A base dessas pirâmides situa-se no limite entre o tecido cortical e medular e seu ápice (papila) é voltado para o hilo.

O rim humano possui de 6 a 18 pirâmides medulares, sendo, portanto, multilobular. Os ductos coletores da urina abrem-se na extremidade da papila, na qual existe uma área perfurada por 10 a 25 orifícios (área crivosa). Cada papila projeta-se em um cálice menor, e estes unem-se em dois a quatro cálices maiores, que por sua vez, desembocam na pelve renal.

Imagem ilustrativa da Divisão anatômica do rim
Imagem: Divisão anatômica do rim. Fonte:Netter.

Dois conceitos importantes remetem ao lobo renal e o lóbulo renal. O lobo renal é formado por uma pirâmide e pelo tecido cortical que recobre sua base e seus lados. Já o lóbulo renal é constituído por um raio medular e pelo tecido cortical que fica ao seu redor, delimitado pelas artérias interlobulares.

Túbulo Urinífero: como é formado?

O túbulo urinífero é uma parte essencial do néfron, a unidade funcional dos rins, responsável pela formação da urina. Cada néfron possui um túbulo urinífero que é composto por diferentes segmentos, cada um com funções específicas na modificação do filtrado glomerular.

Em número aproximadamente de 600 a 800 mil em cada rim, os néfrons são constituídos por uma parte dilatada, o corpúsculo renal ou de Malpighi, pelo túbulo contorcido proximal (TCP), pelas partes delgada e espessa da alça de Henle e pelo túbulo contorcido distal (TCD).

O túbulo coletor conecta o TCD aos seguimentos corticais ou medulares dos ductos coletores. Cada túbulo urinífero é envolvido por uma lâmina basal, que se continua com o escasso tecido conjuntivo do rim.

Imagem ilustrativa do Túbulo Urinífero
Imagem: Túbulo Urinífero. Fonte: JUNQUEIRA, 2017.

Túbulo urinífero e filtração glomerular

Este túbulo, formado por diversas regiões distintas, desempenha um papel complexo na modificação do filtrado glomerular. Inicialmente, a cápsula de Bowman envolve o glomérulo, uma rede de capilares responsável pela filtração do sangue. A urina primária, resultante desse processo, é coletada nessa cápsula.

O filtrado é então conduzido através do túbulo contorcido proximal, onde ocorre a reabsorção ativa de substâncias benéficas, como glicose, aminoácidos e íons, de volta à corrente sanguínea. Simultaneamente, há a reabsorção de água, contribuindo para a concentração do filtrado. A alça de Henle, uma porção em forma de “U”, estende-se até a medula renal, desempenhando um papel fundamental na criação de um gradiente de concentração.

Posteriormente, o filtrado passa pelo túbulo contorcido distal, onde ocorre a regulação final da composição da urina através da reabsorção e secreção de íons e água. Hormônios como a aldosterona e o hormônio antidiurético (ADH) influenciam esses processos. O túbulo coletor, responsável por receber o filtrado de múltiplos túbulos contorcidos distais, ajusta a concentração final da urina, principalmente sob a influência do ADH, que controla a permeabilidade à água.

Dessa forma, o túbulo urinífero desempenha um papel essencial na modulação do filtrado glomerular, assegurando a reabsorção de substâncias essenciais e a eliminação de resíduos, contribuindo para a formação da urina final.

Corpúsculo renal: como é formado e função

O corpúsculo renal tem cerca de 200 micrometros de diâmetro e é constituído por um tufo de capilares, denominado glomérulo. Sendo este envolvido por uma cápsula designada cápsula de Bowman. Essa cápsula contém dois folhetos:

  • Um interno (ou visceral), junto aos capilares glomerulares
  • Outro externo (ou parietal), que forma os limites do corpúsculo renal.

O folheto parietal da cápsula de Bowman é constituído por um epitélio simples pavimentoso. Esse epitélio se apoia na lâmina basal e em uma fina camada de fibras reticulares. Já o folheto visceral é formado por células, modificadas durante o período embrionário, que adquirem características próprias. Essas células são chamadas de podócitos.

Imagem ilustrativa a esquerda e real a direita do Corpúsculo renal
Imagem: Corpúsculo renal. Fonte: JUNQUEIRA, 2017.

A função primária do corpúsculo renal é realizar a filtração do sangue. Com isso, ele separa componentes valiosos do plasma sanguíneo dos resíduos que precisam ser eliminados do corpo.

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