Infectologia

Infecção do Trato Urinário (ITU): definição, epidemiologia e mais!

Infecção do Trato Urinário (ITU): definição, epidemiologia e mais!

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A Infecção do Trato Urinário (ITU) pode ser definida como a presença de um microrganismo patogênico na urina e, consequentemente, nas estruturas que compõem o aparelho urinário – uretra, bexiga, rim ou próstata.

Esta infecção ocorre tanto indivíduos hospitalizados, quanto naqueles que estão na comunidade, representando o 2º sítio mais comum de infecção na população em geral e importante causa de internação hospitalar.

Infecção do Trato Urinário.

Imagem: Infecção do trato urinário. Fonte: https://www.drjesuspires.com/infeccao-urinaria

Epidemiologia da Infecção do Trato Urinário

Pela sua abrangência no que tange a idade, sexo, doenças associadas e fatores de risco externos (cateterismo vesical, por exemplo), há uma grande diversidade epidemiológica das ITU a depender de cada um destes fatores.

No entanto, é mais comum em mulheres devido a menor extensão da uretra feminina e sua proximidade com o ânus, o que favorece a ascensão de patógenos pelo aparelho urinário, sobretudo, naquelas com vida sexual ativa, de modo que na vida adulta as mulheres têm 50 vezes mais chance de adquirir ITU do que os homens, sendo 30% sintomáticas ao longo da vida. Porém, a incidência de ITU aumenta nos homens acima de 50 anos, relacionada a doenças prostáticas.

Gráfico sobre epidemiologia da Infecção do Trato Urinário. Imagem: Epidemiologia da infecção urinária. Fonte: MANUAL DE UROLOGIA, 2010.

Como é possível identificar na imagem acima, uma parcela relevante da população pode desenvolver o quadro de bacteriúria assintomática, situação que veremos com mais detalhes a seguir, prevalente em grávidas e, no sexo masculino, mais frequente em idosos e em pacientes submetidos a cateterismo vesical.

Classificação da Infecção do Trato Urinário

As Infecções do Trato Urinário são classificadas em diferentes categorias, o que contribui para melhor compreensão do quadro clínico, tratamento a ser oferecido, prognóstico, bem como se é necessário realizar medidas profiláticas.

Podem ser classificadas quanto: ao sítio anatômico, a provável origem do patógeno, a presença ou não de complicação, a presença ou não de cateter, a presença ou não de sintomas e a recorrência do quadro.

Quanto ao sítio anatômico, pode ser uma infecção do trato urinário baixo (cistites) ou do trato urinário alto (pielonefrites). No que diz respeito a origem do patógeno, este pode ser advindo da comunidade, caracterizando uma ITU comunitária, ou hospitalar, quando o patógeno é adquirido em ambiente hospitalar.

Ao longo do tempo, a classificação de Infecção do Trato Urinário complicada tem sofrido algumas modificações conceituais. Isso porque alguns autores consideram ITU complicada aquela infecção do trato urinário com repercussões sistêmicas, que está associada a algumas condições pré-existentes do indivíduo que podem resultar em maior dificuldade no tratamento, como anormalidades urológicas subjacentes (nefrolitíase, estenoses, obstruções, etc.) e doenças sistêmicas (diabetes mellitus, imunossupressão, insuficiência renal crônica, transplante renal).

Porém, outros autores consideram que a Infecção do Trato Urinário complicada seria aquela em que há presença de sinais sistêmicos (febre, calafrios, fadiga) associados ao sítio de infecção no trato urinário, independente das condições clínicas prévias do paciente, logo, por esta definição, toda pielonefrite é considera uma ITU complicada e nem todo paciente com condições clínicas preexistentes será classificado como ITU complicada se não apresentar sinais e sintomas de infecção sistêmica. Aqui usaremos a primeira definição por ser a mais utilizada e difundida.

SE LIGA! ITU complicada pode ser, com frequência, suspeitada em pacientes que possuem febre sem sinais localizatórios ou sepse de sítio desconhecido. 

A ITU associada a cateter se refere àquela que ocorre em pessoas em uso de cateterismo do trato urinário ou que tenha feito uso de cateter nas últimas 48h. Estes pacientes podem apresentar sintomas tanto do trato urinário alto como baixo, podendo haver, além disso, obstrução do cateter. Já a classificação relativa a recorrência determina que ITU (complicada ou não) que ocorre pelo menos 3 vezes ao ano ou 2 episódios nos últimos 6 meses é considerada recorrente. Para as infecções recorrentes, como veremos a seguir, existem algumas medidas de profilaxia que podem ser adotadas de modo a reduzir esta frequência de episódios.

SE LIGA NO CONCEITO! ITU recorrente é aquela que ocorre pelo menos 3 vezes ao ano ou quando ocorre 2 episódios nos últimos 6 meses.

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