Anatomia de órgãos e sistemas

Linfonodos e o Sinal de Virchow | Colunistas

Linfonodos e o Sinal de Virchow | Colunistas

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Thalita Cely Barbosa

7 min há 173 dias

Introdução

Fonte: Liga de Semiologia Médica UCS, 2016.

O sinal de Virchow (ou sinal de Troisier) é o achado clínico de linfonodo sentinela supraclavicular esquerdo aumentado, palpável, endurecido e, muitas vezes, aderido a planos profundos. Esse aumento tem íntima relação com o sistema imunológico, podendo ser reflexo de doenças neoplásicas, infecciosas e autoimunes.

Fonte: Anatomia Orientada para a Clínica (2013).

O sistema linfático e os linfonodos

O sistema linfático tem como função a drenagem do excesso de líquido tecidual, além da remoção de resíduos importantes da decomposição celular e de infecções. Os componentes do sistema linfático consistem nos plexos linfáticos, vasos linfáticos, linfa, linfonodos, linfócitos e órgãos linfoides.

Particularmente, o linfonodo é uma massa de tecido linfático que pode ser encontrada ao longo do caminho trilhado pelos vasos linfáticos, sendo responsável pela filtração da linfa que provém dos vasos linfáticos e pela produção de componentes celulares linfoides e reticulares.

            Os linfonodos possuem um hilo contendo vaso linfático, veia e artéria, que contribuem para a sua drenagem, irrigação e para o desempenho de sua função imunológica. Em geral, cada linfonodo recebe três a oito vasos linfáticos aferentes, saindo apenas um vaso linfático eferente. Cabe citar, ainda, que por conta do trajeto dos linfonodos em direção à raiz dos membros, são formados grupamentos linfonodais axilares e inguinais.

Fonte: Tratado de Hematologia, 2013.

Ademais, cabe mencionar que os linfonodos possuem uma região cortical preenchida com folículos linfoides, alguns com centros germinativos em sua área central (folículos secundários) e outros sem (folículos primários). A porção mais interna (medular) contém macrófagos e linfócitos mais esparsos, estando estes próximos de sinusoides vasculares e linfáticos.  É importante citar que a distribuição dos linfócitos T e B não é homogênea e, assim sendo, os linfócitos T localizam-se predominantemente na área parafolicular, situada entre os folículos e no córtex profundo, e os linfócitos B, por sua vez, se localizam prioritariamente dentro dos folículos.

A clínica e os linfonodos

            O exame físico dos linfonodos é de suma importância para clínica, pois permite a identificação de alterações inflamatórias e neoplásicas. Assim sendo, deve-se analisar:

  • Localização;
  • Simetria ou assimetria;
  • Tamanho;
  • Número;
  • Consistência;
  • Sinais flogísticos: dor, calor e rubor;
  • Fistulização;
  • Coalescência;
  • Mobilidade.

Alguns linfonodos cujas alterações possuem importância para a clínica são:

  • Nódulo de Virchow: localizado na região supraclavicular, relacionado com neoplasias intrabdominais;
  • Linfonodo de Irmã Maria José: localizado na região periumbilical, relacionado a neoplasias intra-abdominais ou pélvicas;
  • Nódulo Irish: localizado na região axilar anterior;
  • Nódulo de Delphian: são pré laríngeos;
  • Sinal de Winterbottom: cadeia posterior cervical;
  • Nódulo de Cloquet: linfonodo inguinal profundo.

Linfadenopatias

            As linfadenopatias correspondem às condições em que há alterações no tamanho, consistência e no número dos linfonodos de uma determinada região do corpo. As razões para esse aumento são múltiplas, tais como doenças autoimunes, infecções e metástases neoplásicas, podendo estas estar localizadas no próprio linfonodo, em áreas próximas ou em todo o organismo.

            Nas neoplasias, esse panorama se deve sobretudo a quadros de disseminação hematogênica (metástases). Assim sendo, as células que se dissociam do tumor primário adentram os vasos linfáticos, seguindo o curso da via natural de drenagem linfática. Posteriormente, as células presentes no tecido linfático são filtradas e aprisionadas nos linfonodos, fazendo com que estes se tornem locais de câncer secundário (metástase) e cresçam à medida que as células tumorais se multiplicam em seu interior. No caso de infecções, por sua vez, as linfadenopatias ocorrem quando o sistema linfático realiza o transporte de microrganismos após lesão ou infecção grave.

            De modo geral, para lembrar os diagnósticos diferenciais de afecções linfonodais, pode-se utilizar o mnemônico CHICAGO:

C: Câncer;

H: Hipersensibilidade;

I: Infecção;

C: Colagenose e outras doenças reumatológicas;

A: Atípicas doenças linfoproliferativas;

G: Granulomatoses;

O: Outras.

O linfonodo de Virchow

Fonte: Portal Ped (2017)

Corresponde ao linfonodo de cadeia supraclavicular esquerda que, quando aumentado, caracteriza o sinal de Virchow ou Troisier. Foi nomeado em referência ao patologista alemão Rudolf Virchow (1821–1902), que em 1848 descreveu sua associação com o câncer gástrico. Posteriormente, em 1889, o patologista frânces Charles Emile Troisier observou que outros cânceres abdominais também poderiam afetar estes nódulos, trazendo luz, então, a um sinal clínico utilizado até os dias atuais.

Drenagem

            Os linfonodos supraclaviculares esquerdos, que como o próprio nome já cita, estão localizados logo acima da região clavicular esquerda, compartilham com outras cadeias a drenagem linfática dos órgãos abdominais por meio do ducto torácico. Assim sendo, não é incomum que um linfonodo aumentado e palpável nessa região represente uma repercussão clínica de cânceres abdominais e suas metástases.

Condições que cursam com o sinal de Virchow

            Como já mencionado anteriormente, múltiplas condições cursam com alterações linfonodais. Quanto às que cursam com o sinal de Virchow, tem-se, por exemplo:

  • Câncer gástrico: neste caso, a linfadenopatia do linfonodo supraclavicular urge como um dos principais sintomas de metástase. Geralmente, quando o sinal de Virchow se faz presente, já indica estágio 4 da doença.
  • Linfoma;
  • Câncer de mama;
  • Câncer esofágico;
  • Câncer pélvico;
  • Câncer testicular.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências Bibliográficas

PORTO, Celmo Celeno. Exame clínico: bases para a prática médica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

ZAGO, Marco Antonio; FALCÃO, Roberto Passetto; PASQUINI, Ricardo. Tratado de hematologia. São Paulo: Atheneu, 2013. 924 p.

NETO, Fernando M. F. Didier; KISO, Karina Moraes. Comprometimento dos linfonodos em adultos. Arq Med Hosp Fac Cienc Med Santa Casa São Paulo. 2013; 58: 79-87.

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