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Manejo do transtorno de humor na unidade de saúde da família

Manejo do transtorno de humor na unidade de saúde da família

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Tudo o que você precisa saber sobre o manejo do transtorno de humor na unidade de saúde da família!

O atendimento a pacientes com transtorno de humor é comum e necessitam de intervenção profissional. Sem esse atendimento, o paciente corre risco significativo de agravo da saúde mental. Dentre os principais motivos de atendimento psiquiátrico em unidade de saúde da família, está a depressão.

A depressão é uma patologia bastante comum em todos os países e classes sociais. No geral, atinge até 11% da população em determinado momento, e com uma prevalência ao longo da vida de cerca de 20%. Nos pacientes hospitalizados por qualquer doença, pode chegar a 33%. 

O que é a depressão e por que ela é um transtorno de humor? 

A depressão consiste em uma alteração patológica, persistente e inadequada, do humor. Ela pode resultar de diversos fatores como: 

  • Fatores ambientais como álcool e ritmos biológicos
  • Fatores individuais como os relacionados a personalidade e relacionamentos

Além disso, a depressão é responsável por 80% de todos os suicídios. Alguns também mostram que até 15% dos pacientes deprimidos se suicidam. 

Quem são os pacientes com transtorno de humor que chegam na unidade de saúde da família? 

Em uma unidade de saúde da família, a maior parte dos transtornos de humor se apresentam como uma combinação de depressão e ansiedade. No geral, esses pacientes apresentam mais queixas somáticas do que psicológicas. Os sintomas mais comuns observados são: 

  • Múltiplas queixas somáticas
  • Ganho ou perda de peso
  • Déficit cognitivo leve
  • Múltiplas visitas médicas (>5/ano); 
  • Problemas corporais, com ausência de achados físicos
  • Fadiga
  • Disfunção no trabalho 
  • Distúrbios do sono

Como Avaliar o paciente com transtorno de humor?

Ao chegar na unidade de saúde da família, o paciente pode apresentar-se, com sintomas físicos como fadiga e dor, por exemplo. Contudo, após uma investigação adicional, será possível perceber um humor deprimido. 

Para os pacientes com alto risco de desenvolver transtorno do humor, que são aqueles com história de depressão, doença que cause debilidade ou outras doenças mentais, está indicado: 

  • Rastreamento (screening) com um teste validado de duas perguntas (B)

Além disso, podem ser utilizado os critérios diagnósticos da CID-10:  

Contudo, os sintomas devem estar presentes na maior parte do dia, quase todos os dias. Isso deve ocorrer por pelo menos duas semanas para caracterizar um episódio depressivo.

Diagnóstico diferencial da depressão

O médico deverá ser capacitado para identificar se o paciente está com um episódio depressivo ou se está apresentando sintomas depressivos em reação a sentimentos comuns como tristeza. .

Manejo do paciente com depressão na USF

Para fazer o manejo do paciente com depressão, é preciso fornecer tranquilizar o paciente, mostrando que depressão é uma doença comum e existem tratamentos efetivos. Além disso, a família também deve ser orientada que depressão não é fraqueza ou preguiça.

Antes do início do tratamento, devem ser observados: 

  • Avaliação do risco de suicídio
  • Avaliação de história prévia ou suspeita de episódio maníaco/hipomaníaco
  • Exclusão da possibilidade da depressão ser sintoma de outra doença 

Manejo Farmacológico

Na depressão leve, os Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRS) são os mais utilizados e têm um perfil de efeitos adversos mais favoráveis. Os pacientes moderados e graves devem ser referenciados para um profissional ou serviço especializado de saúde mental. Nesses casos, os antidepressivos devem ser sempre considerados. 

Além disso, nos casos graves, principalmente com sintomas psicóticos, os tricíclicos ainda são considerados mais eficazes.

Referência bibliográfica

  • Secretaria Municipal de Saúde. Protocolo de Atenção em Saúde Mental. 1ª Edição Tubarão, 2010.
  • American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

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