Tudo o que você precisa saber sobre o molusco contagioso!
A infecção por molusco contagioso já foi relatada em todo o mundo. Sua incidência global varia de 2 a 8%. Essa patologia afeta predominantemente crianças, adultos com vida sexual ativa e imunodeprimidos.
O período de incubação dessa patologia é variável. As lesões individuais podem regredir espontaneamente em dois a três meses. Nas crianças, a regressão completa do quadro tende a ocorrer em até três anos.
O que é o molusco contagioso?
Molusco Contagioso (MC) consiste em uma infecção viral cutânea muito frequente, que é causada por um vírus com dupla cadeia de ácido desoxirribonucleico, pertencente à família dos poxvírus, gênero Molluscipox. O primeiro relato de molusco contagioso foi no início do século XIX.
O agente etiológico é o Molluscum contagiosum, é semelhante ao vírus que causa a varíola e tem como único hospedeiro o ser humano. Esse vírus é de DNA (ácido desoxirribonucleico), que vai se multiplicar no citoplasma das células usando as suas próprias enzimas de replicação de ácidos nucleicos. Além de tambémos ribossomos e o restante da maquinaria de síntese proteica da célula hospedeira.
Existem 4 subtipos do vírus, sendo:
- Subtipos 1: mais frequente
- Subtipo 4: mais prevalentes
- 2: mais encontrados nos pacientes portadores do HIV
Fisiopatologia do molusco contagioso
Para saber sobre a fisiopatologia do molusco contagioso é necessário entender que a replicação viral ocorre somente na epiderme, o que irá provocar um aumento da mitose. Quando isso ocorrer, haverá uma e perturbação que trará como consequência a diferenciação das células epidérmicas.
Manifestações clínicas
No geral, as manifestações clínicas estão limitadas a lesões de pele. Essas lesões irão aparecer de 14 dias até 6 meses depois da exposição. É uma doença autolimitada, tendo regressão espontânea em alguns meses.
As principais características das lesões são:
- Pápulas firmes, em forma de cúpula com superfície brilhante
- Pápulas com depressão ou umbilicação central
- Variado número de pápulas
- Elas aparecem em qualquer lugar do corpo, mas raramente envolvem as palmas das mãos, plantas dos pés e membranas mucosas
Dentre as principais áreas acometidas estão:
- Tronco
- Axila
- Dobras antecubitais
- Poplíteas e crurais
Há também algumas outras doenças que podem ocorrer em associação a essas infecções, como a síndrome de GIANOTTI-CROSTI. Essa síndrome consiste em uma condição cutânea inflamatória pruriginosa, que pode afetar o rosto, as nádegas e as extremidades são locais comuns para o desenvolvimento da lesão.
Formas de transmissão do molusco contagioso
Como o único hospedeiro conhecido do Molluscum contagiosum é o ser humano, a infecção pode ocorrer a partir do próprio indivíduo, já infectado, ou de terceiros.
A transmissão ocorre por:
- Contato direto de pele a pele
- Contato sexual
- Via autoinoculação, ao raspar ou tocar uma lesão
Além disso, a infecção pode também ser transmitida pelo uso de esponjas ou toalhas de banho contaminadas. Vale lembrar que essa doença é classificada como DST (doença sexualmente transmissível) quando ocorre na região genital nos indivíduos que são sexualmente ativos.
Diagnóstico do molusco contagioso
O diagnóstico de molusco contagioso é realizado pela:
- Característica das lesões: nesses casos, o dermoscópico é utilizado pois permite a visualização de uma pápula com umbilicação central, estruturas amorfas poliglobulares, brancas a amarelas
- Exame histológico: revela queratinócitos contendo grandes inclusões citoplasmática eosinofílicas (também conhecidos como corpúsculos do molusco ou corpúsculos de Henderson-Paterson).
Tratamento do molusco contagioso
Por ser uma doença autolimitada, o tratamento do molusco contagioso varia. O tratamento é indicado para pessoas imunocomprometidas, pelo risco de disseminação das lesões e em adultos ou adolescentes com lesões genitais.
Nas crianças, o tratamento é opcional, visto que essas lesões tendem a regredir espontaneamente ao longo do primeiro ano. Contudo, as vantagens de fazer o tratamento são a limitação da disseminação do quadro, além de aliviar sintomas como prurido.
As opções terapêuticas mais utilizadas incluem:
- aplicação de hidróxido de potássio (KOH) 10% em solução aquosa (sob manipulação);
- Tretinoína industrializado ou sob manipulação
- Associação tópica de ácido salicílico e ácido láctico
- Curetagem: remoção física da lesão com uma cureta
O Ministério da Saúde publicou um manual de orientações em que descreve procedimentos e materiais necessários para a retirada do molusco contagioso.
Referência bibliográfica
- PORTAL PED. Molusco contagioso. 2017. Disponível em: <https://www.portalped.com.br/>. Acesso em 05 de Setembro de 20202.
- Isaacs NS. Molluscum contagiosum [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 24 Jan 2020, acesso em 13 Maio 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/molluscum-contagiosum.
- Basdag H, Rainer BM, Cohen BA. Molluscum contagiosum: to treat or not to treat? Experience with 170 children in an outpatient clinic setting in the northeastern United States. Pediatr Dermatol. 2015;32(3):353-7. Doi 10.1111/pde.12504.
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