Farmacologia

Nova droga é aprovada para tratamento da síndrome do intestino irritável com constipação | Colunistas

Nova droga é aprovada para tratamento da síndrome do intestino irritável com constipação | Colunistas

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Juarez de Souza

4 minhá 363 dias

A síndrome do intestino irritável (SII) é caracterizada por um desconforto ou dor abdominal recorrente relacionada com a evacuação e alterações na frequência de evacuação ou na consistência das fezes. Esta patologia possui uma grande relevância clínica, atingindo aproximadamente 15% da população brasileira entre 15 e 65 anos, sendo mais comum em mulheres. A etiologia da doença não está complemente elucidada, porém os estudos apontam para uma correlação entre distúrbios emocionais, em pacientes com histórico de traumas, abusos, transtornos de ansiedade, depressão e o estresse crônico.

Os fatores emocionais podem promover uma desregulação no equilíbrio de agentes que controlam a motilidade e as secreções gastrintestinais, levando ao quadro clínico apresentado na SII. Apesar de existir uma relação cérebro-intestino, a ingestão de certos alimentos, alterações inflamatórias e modificações sobre o processo de absorção de elementos no sistema gastrintestinal também estão diretamente ligados ao desenvolvimento da SII. Como sintomas, dentre outros, o paciente apresenta uma aceleração ou lentificação do trânsito intestinal.

A constipação é um quadro apresentado por parte dos pacientes que sofrem com a SII e o tratamento farmacológico, até então, é realizado com drogas que afetam o sistema de receptores muscarínicos no intestino, modificando a função colinérgica e a motilidade gastrintestinal. Outros fármacos que atuam sobre receptores de serotonina também são úteis para acelerar o trânsito intestinal. Apesar de demonstrarem eficácia, estes fármacos promovem efeitos adversos relevantes, os quais podem reduzir a adesão ao tratamento dos pacientes.

O Tenapanor se destaca como uma nova opção terapêutica, atuando de forma específica sobre o trocador de sódio / hidrogênio intestinal 3 (NHE3), afetando diretamente a absorção de sódio e, por ser minimamente absorvido, sistemicamente, os seus efeitos se restringem ao sistema intestinal. Em consequência da inibição intestinal de NHE3, ocorre o aumento da quantidade de sódio e água nas fezes, diminuindo a consistência das fezes e aumentando a frequência do movimento intestinal, melhorando a motilidade e reduzindo os principais sintomas da SII com constipação.

Os estudos clínicos de fase 3, randomizados e duplo-cegos, controlados com placebo, demonstraram que o tratamento com Tenapanor leva a, pelo menos, um movimento intestinal médio completo na média semanal da linha de base, apontando uma eficácia de melhora clínica do tratamento da SII com constipação no período de 12 semanas de análise.

Apesar da aprovação desta droga estar direcionada ao tratamento da SII com constipação, este fármaco atua diretamente na redução da concentração plasmática de sódio. Pacientes com complicações cardiovasculares e/ou renais necessitam de uma redução drástica na ingestão de sódio, porém a regulação na ingestão deste componente pode ser difícil, principalmente devido a grande disponibilidade de alimentos indrustrializados com alto teor deste elemento. Neste sentido, o Tenapanor pode ser favorável à redução nas concentrações plasmáticas de sódio e, quando testados em modelos experimentais animais em combinação com Enalapril, demonstrou uma melhora na disfunção diastólica cardíaca. Na administração em estudos clínicos com seres humanos, este fármaco promoveu um aumento na concentração de sódio nas fezes e uma redução deste elemento na urina.

Quanto aos efeitos adversos, o mais comum foi a diarréia, apresentada por 16% dos pacientes tratados com Tenapanor versus 4% dos tratados com placebo. Em um segundo estudo, 15% com tratados com Tenapanor apresentaram diarréia versus 2% dos indivíduos tratados com placebo. O quadro de diarréia grave foi relatado em apenas 2,5% pacientes tratados com o fármaco em comparação a 0,2% dos indivíduos tratados com o placebo.

Apesar dos benefícios apresentados pelo fármaco vistos em estudos clínicos e laboratoriais, devemos ressaltar que a autorização na comercialização nos leva a uma outra etapa de análise. A fase 4 de análise pode nos ajudar a compreender, principalmente, a segurança e a eficácia de um fármaco em uma amostra muito ampla de pacientes. Devemos ter cautela e critérios de avaliação clínica para emprego de um novo fármaco, com a busca constante por novos estudos clínicos, afinal, o consumo populacional  por um período mais longo é o que vai nos garantir uma maior segurança terapêutica no emprego de novos fármacos. 

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