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Principais tipos de lesões musculares traumáticas | Colunistas

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A epidemiologia das lesões musculares varia conforme os locais mais lesionados, a idade, sexo e o nível de participação esportiva no esporte mais praticado pelos pacientes.

A localização das lesões vai variar de acordo com o esporte mais praticado e o gesto esportivo realizado. Normalmente, as lesões esportivas ocorrem em quadril, coxa, joelho, perna, tornozelo e pé. As lesões podem ser classificadas em parciais ou totais, traumáticas (diretas ou indiretas) ou atraumáticas.

Nas lesões parciais apenas algumas fibras são lesadas, porém a capacidade contrátil permanece. A redução de força muscular pode ocorrer por insuficiência mecânica ou por limitação da dor. Já nas lesões totais todas as fibras são rompidas, o que torna o movimento articular ausente, podendo estar assimétrico em comparação ao contralateral. Nesse tipo de lesão pode surgir também hematoma, pois na tentiva de contração, o ventre muscular proximal se encurta em direção à inserção óssea, o que aumenta o afastamento dos cotos da lesão e, consequentemente, aumenta o volume local.

Dando sequência, as lesões traumáticas, por sua vez, subdividem-se em lesões de trauma direto ou indireto. As de trauma direto são as mais comuns em esportes de contato (contusões e lacerações musculares), já as de trauma indireto ocorrem principalmente em esportes individuais, as quais exigem maior potência muscular em contrações vigorosas (corrida de curta distância, levantamento de peso…) e incluem o estiramento.

Essses danos musculares, caso não tratados corretamente, podem evoluir para fibroses, contraturas dolorosas e atrofia muscular, podendo tornar as lesões cada vez mais recorrentes, o que pode gerar prejuízo na performance do paciente, seja ele atleta ou apenas praticante de qualquer modalidade.

Contusão muscular

            Lesão por trauma direto que ocrre frequentemente em esportes de contato, normalmente em músculos de MMII. Caracteriza-se por dor, edema difuso, hematoma discreto, com imporatante limitação de fora e mobilidade articular. Tratar precocemente os pacientes é uma boa alternativa para reduzir o processo inflamatório e a formação de hematomas. As contusões podem ser inicialmente classificadas de acorodo com o grau de mobilidade articular; leve (perda de menos de 1/3 da mobilidade articular normal ao redor da lesão), grave (perda de mais de 1/3 da mobilidade articular normal ao redor da lesão)

            Outrossim, as contusões quadricipitais, muito comuns no futebol, podem ser subdivididas em: leve (amplitude de movimento de 90°, marcha preservada-normal); moderada (presença de edema e dor muscular, menos de 90° de amplitude articular, marcha antálgica, dificuldade de subir e descer escadas, levantar de cadeiras); grave (edema e dor extremamente significativos, menos de 45° de amplitude articular, forte necessidade de auxílio de muletas para deambulação e dor em joelho ipsilateral). Pode ocorrer, também, surgimento de hematomas e sangramento do tecido, esses podem ser:

            Intramusculares: o sangue não extravasa do ventre muscular, é mais difícil de ser tratado e possui maiores chances de evoluir para retrações cicatriciais e miosite ossificante, pode ocorrer sangramento difuso, desencadear um síndrome compartimental, o que pode ser necessário uma descompresão cirúrgica de urgência.

Intermusculares: o sangue apresenta contato com a fáscia muscular e os septos intermusculares.

O diagnóstico de contusões é essncialmente clínico, pautando-se em uma história clínica bem colhida e e exame físico bem direcionado. No caso de o paciente (atleta) não saber definir o mecanismo de trauma, ou defnir o local e a extensão da lesão, os exames complementares podem auxiliar no diagnóstico. O exame padrão ouro para todas as lesões musculares é a ressonância magnética (RM), pois possbilita definir a extensão da lesão/ hematoma, a qualidade do ventre muscular e até mesmo o acometimento de estruturas adjacentes mais profundas. A ultrassonografia (US) não apresenta tanta especificidade como  RM, é examinador dependente. Todavia,  tem custo reduzido e é utilizada em departamentos médicos, é de fácil transporte, o que permite o uso rápido e repetição para avaliações, permite maior precisão no local de hematoma e como a imagem é tempo real, pode auxiliar em descompressões de forma guiada. A radiografia, por sua vez, é utilizada quando há suspeita de avulsão óssea ou extensão do trauma (direto) para o osso com fratura (Programa de atualização em ortopedia).

É importante frisar que o tratamento inicial dessas lesões em repouso, gelo e mobilização passiva gradual.  A imobilidade, nesses casos, está relacionada com maior tempo de impotência funcional e, por conseguinte, dificuldade de ganho de mobilidade articular.

Figura 1:Hematoma da coxa após contusão muscular durante atividade física.
Fonte: https://adrianoleonardi.com.br/artigos/lesao-muscular-conceitos-e-tratamento/

Estiramento muscular

Lesão muscular do tipo indireta, causada por alongamento das fibras musculares além de seu estado fisiológico, é o resultado de uma contração vigorosa concêntrica ou excêntrica, mais comum na fase excêntrica do movimento. A junção musculotendínea ou adjacente à inserção tendinosa no osso, mais especificamente em sua porção distal, é a região mais  acometida por esse tipo de lesão. O estiramento também pode ser classificado em três estágios:

Grau I: é o menor grau de estiramento, em que ocorre rompimento de pequena quantidade de fibras. O músculo apresenta-se dolorido em um ponto específico e quando solicitado pela contração, principalmente contra resistência; o paciente pode apresentar edema localizado no local da lesão; a hemorragia é pequena e a resolução é rápida

Grau II: difere da anterior apenas por apresentar maior intensidade, maior rompimento de fibras; a hemorragia é moderada, com perda de redução de função mais significativa e resolução mais lenta.

Grau III: ruptura completa do músculo, resultando em completa perda de função e um defeito palpável na musculatura; a dor pode se apresentar leve à intensa; e o edema e hemorragia apresentam-se bem evidentes.

Laceração muscular

Resultante de traumas graves e, predomiantemente, penetrantes. É mais corriqueria em traumas de alta energia e rara em esportes. Nesse tipo de lesão há perda de arquitetura local, resultando em fibrose significativa, desencadenado desnervação e degenração. A ativação muscular passa a se apresentar extremamente prejudicada, visto que não passa da área de cicratização, com perda de função, capacidade contrátil e força. O tratamento adequa-se ao grau de extensão da lesão, caso seja pequeno, o tratamento conservador é instituído, caracterizando-se por uma cicatrização por segunda intenção, já em lesões mais extensas, a cicatrização se dá por primeira intenção, com uso de sutura direta, com uso de tendões adjacentes para fim de união dos bordos ou até mesmo transferências musculares, em casos específicos.

Conclusão

Destarte, é imprescindível  que o médico esteja atento aos programas de prevenção de lesões, visto que fatores como fadiga muscular e lesões prévias, são preponderantes para o aparecimento de lesões musculares. Logo, o alongamento muscular prévio à prática esportiva e o aquecimento da musculatura são essenciais para minimizar tais lesões. Em estudos recentes constatou-se que o alongamento seria mais eficiente após a realização da atividade física e o aquecimento prévio seria mais importante para prevenção de traumas musculares. Acerca do tratamento desses traumas, o protocolo inicial é, geralmente, RICE (repouso, gelo, compressão e elevação do membro lesionado), podendo ter variações e adapatações dependendo da gravidade da lesão. Cada passo do protocolo previne piora do trauma, redução do processo inflamatório, seja por diminuição de temperatura, como por redução de fluxo sanguíneo local e minimização do edema. Todas essas medidas, associadas à fisioterapia, ajudam na recuperação de arco de movimento e reforço muscular progressivo. A terapia medicamentosa também pode ser utilizada de forma prudente e em períodos curtos, objetivando melhor manejo da dor e inflamação, e como resultado mais efetividade na fisoterapia e recuperação rápida do paciente.

Autora: Elaine Vilhena de Freitas

Instagram: @elainefreitasv

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O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

 Programa de Atualização em Ortopedia – Tratamento atual das lesões mais frequentes – https://rodrigokaz.com.br/wp-content/uploads/2019/02/rodrigo-kaz-lesoes-musculares.pdf

Atualização em ortopedia e traumatologia do esporte – As lesões musculares – https://www.institutosport.com.br/wp-content/uploads/2017/08/Lesoes-musculares.pdf

COHEN, M.; ABDALLA, R. J. Lesões nos esportes: diagnóstico, prevenção e

tratamento. Rio de Janeiro: Revinter, 2003. p. 615-23.

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