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Refluxo: o que é, sintomas, diagnóstico, tratamento e mais

Refluxo: o que é, sintomas, diagnóstico, tratamento e mais

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Felipe Vanderley Nogueira

7 min há 650 dias

CONCEITOS

As queixas dispépticas são rotina no atendimento ambulatorial. Elas são definidas com distúrbios da ingestão no TGI superior, com sintomas de dor, queimação retroesternal, plenitude pós prandial, sensação de empachamento, náuseas e vômitos. Uma das causas mais comuns de seu aparecimento é a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).

O refluxo gastroesofágico, também conhecido popularmente como azia, é uma doença caracterizada pelo desequilíbrio das forças agressoras e protetoras da mucosa esofágica. Nela, há o fluxo anterógrado de conteúdo gástrico, incluindo ácido, alimentos parcialmente digeridos e eventualmente a bile, que retorna para o esôfago, causando inflamação e dor torácica.

FISIOPATOLOGIA E FATORES DE RISCO

                A DRGE possui três causas principais: o relaxamento transitório frequente do esfíncter esofagiano inferior (EEI) por um tempo maior que 5-35 segundos, não estando este associado à deglutição ou ao relaxamento prolongado; a desestruturação anatômica da JEG (junção esofagogástrica), por exemplo, devido a uma hérnia hiatal; e devido a uma diminuição do tônus basal, com pressão <5mmHg, sendo que os valores normais variam entre 10 e 30 mmHg.

Em lactentes, um dos fatores causais de maior importância é a imaturidade da barreira antirrefluxo, composta pelo esfíncter esofagiano inferior (EEI), ângulo de His, ligamento freno-esofágico, diafragma crural e roseta gástrica, o que predispõe a relaxamentos transitórios frequentes e independentes da deglutição.

Entre os fatores de risco para o desenvolvimento do refluxo, estão: Refeições copiosas antes de deitar, condições que aumentam a pressão intra-abdominal, como exercícios físicos intensos e obesidade, constipação, tosse, manobra de Valsalva e decúbito prolongado, e a ingestão de alimentos lesivos à mucosa gástrica e esofágica, como chás, café, bebidas alcóolicas etc.

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SINTOMAS

A queixa principal do paciente com DRGE é a pirose retroesternal, mais frequente no período pós prandial. Os pacientes geralmente relatam também regurgitação ácida, dor retroesternal tipo queimação que pode irradiar para o pescoço, a garganta e para as costas.

Há ainda outros sintomas atípicos, que ao se manifestarem devem ser vistos com maior cautela pelo médico, como: faringite crônica, erosão do esmalte dentário, alterações vocais, granuloma de corda vocal, anemia, disfagia (não é muito comum, apenas em casos crônicos de refluxo, podendo ser atribuído à esofagite ou estenose), sibilância, tosse crônica e broncoespasmo como resultado da irritação direta pelo material refluído e estimulação do reflexo esôfago-pulmonar.

Sinais de alarme: Sangramento no TGI, anemia, perda de peso, vômitos frequentes, disfagia e odinofagia.

DIAGNÓSTICO

O Diagnóstico pode ser feito a partir do quadro clínico e de exames complementares.

Clínico: Pirose ao menos 1 a 2 vezes por semana durante um período recorrente de 4-8 semanas + resposta ao tratamento empírico com Inibidor de bomba de prótons (IBP).

Complementar: Endoscopia digestiva alta (EDA), Manometria, pHmetria, esofagografia, cintilografia e teste de Bernstein.

Nem todo paciente possui indicação para realização de exames complementares. A investigação deve ser realizada quando houver presença de sinais de alarme, sintomas atípicos e quando o tratamento empírico com IBP não obtiver sucesso. Há ainda controvérsia em relação a outras indicações para a realização dos exames complementares.

O diagnóstico diferencial inclui: Esofagite infecciosa e eosinofílica, dispepsia não ulcerosa, úlcera péptica, distúrbios motores do esôfago, doença arterial coronariana e doenças do trato biliar.

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TRATAMENTO

O objetivo do tratamento é ocasionar a remissão dos sintomas, cicatrização das lesões ocasionadas pelo refluxo, prevenção de recidivas e evitar complicações.

Tratamento Clínico: IBP (Omeprazol, lanzoprazol, pantoprazol, etc), Bloqueadores de H2 (Ranitidina, Cimetidina, Famotidina), Antiácidos (Hidróxido de alumínio/magnésio), Procinéticos (Domperidona, Metoclopramida/Plasil®, Bromoprida), e mudança do estilo de vida, como elevar a cabeceira, evitar refeições copiosas antes das refeições, optar por refeições fracionadas e evitar alimentos cítricos, gasosos, cafeína, evitar tabagismo e etilismo, evitar o consumo de líquidos durante as refeições, emagrecimento, etc.

Tratamento cirúrgico: Fundoplicatura de Nissen 360o (Cirurgia de escolha para a maioria dos pacientes que necessitam), Lind 270o, Thal ou Dor 180o e Toupet. Na imagem abaixo demonstra como funciona a construção de uma válvula antirrefluxo durante a fundoplicatura de Nissen, para refazer a competência do EEI.

Fonte: http://iqaquiron.com/portal/hernia-de-hiato-o-enfermedad-por-reflujo/

NOVIDADES NO TRATAMENTO

Métodos mais recentes incluem a utilização de técnicas endoscópicas para reproduzir a fundoplicatura cirúrgica.

Método Stretta: Consiste na passagem de uma sonda pelo esôfago até chegar ao EEI. Neste é aplicada energia de radiofrequência com a finalidade de tonificar a musculatura do esfíncter e diminuir o fluxo retrógrado de ácido, responsável pela fisiopatologia da doença.

Enterix: Esta se trata de uma solução esponjosa, de biopolímeros, que fortalece o EEI e é injetado durante a EDA. Sua eficácia a longo prazo ainda é desconhecida.

SRS: trata-se de um aparelho endoscópico com um dispositivo de grampeamento que permite a realização de uma fundoplicatura parcial minimamente invasiva, sem a realização de incisões.

Bard EndoCinch: consiste em uma costura no EEI para criar pregas que auxiliam no fortalecimento da musculatura e evita a ocorrência do refluxo.

CONCLUSÃO

Portanto, a DRGE é uma patologia de tratamento relativamente simples e de rotina comum no âmbito ambulatorial. Cabe ao médico clínico saber como diagnosticar e tratar esse agravo e com isso prevenir a ocorrência de complicações em seus pacientes.

Felipe Vanderley Nogueira – Medicina

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