Anatomia de órgãos e sistemas

Resumo da anatomia do Esternocleidomastóideo (ECM)

Resumo da anatomia do Esternocleidomastóideo (ECM)

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Sanar

6 min há 145 dias

O músculo esternocleidomastóideo (ECM) é um músculo do pescoço, que possui duas cabeças. Fielmente ao seu nome, tem ligação com o manúbrio do esterno (esterno-), a clavícula (-cleido) e o processo mastóideo do osso temporal (-mastóideo).

Trata-se de um feixe muscular largo (histologicamente formado por musculatura estriada esquelética), semelhante a uma alça, que tem duas cabeças: o tendão arredondado da cabeça esternal fixa-se ao manúbrio, e a cabeça clavicular carnosa e espessa que se fixa à face superior do terço medial da clavícula.

O músculo encontra-se muito superficialmente, de forma que é facilmente visível e palpável.

Este importante músculo é um ponto de referência anatômico estratégico no pescoço e forma a região esternocleidomastóidea. Ele divide, de modo visível, cada lado do pescoço em regiões cervical anterior e região cervical lateral (trígonos cervicais anterior e posterior do pescoço, como evidenciados na imagem abaixo). 

Em sua porção inferior, as duas cabeças do músculo ECM são separadas por um espaço, visível na superfície como uma pequena depressão triangular, a fossa supraclavicular menor. Na parte superior, as cabeças se unem enquanto seguem com trajeto oblíquo em direção ao crânio. 

A inserção superior do músculo Esternocleidomastóideo é o processo mastóide do osso temporal e a linha nucal superior do osso occipital. A lâmina superficial da fáscia cervical divide-se para formar uma bainha para o músculo ECM. 

A - região esternocleidomastóidea. B - região cervical posterior. C - região cervical lateral. D - região cervical anterior
LEGENDA: A – região esternocleidomastóidea. B – região cervical posterior. C – região cervical lateral. D – região cervical anterior
FONTE: Moore, Anatomia Orientada para a Clínica – 2018

Movimentação do músculo Esternocleidomastóideo

Os músculos ECM produzem movimento nas articulações craniovertebrais, nas articulações intervertebrais cervicais, ou em ambas. As fixações cranianas do esternocleidomastóideo situam-se posteriormente ao eixo das articulações atlantoccipitais (AO). 

A partir da posição anatômica, com a contração tônica mantendo a posição da coluna vertebral cervical, a contração bilateral dos músculos ECM (principalmente de suas fibras posteriores) causa a extensão da cabeça nas articulações AO, elevando o mento, como percebido na segunda imagem abaixo (B).  

A ação bilateral dos músculos esternocleidomastóideo também flete o pescoço. Isso é feito de duas formas diferentes: 

  1. Se primeiro houver flexão anterior da cabeça nas articulações AO pelos músculos pré-vertebrais (e/ou os músculos suprahióideos e infra-hióideos) contra resistência, os músculos ECM (sobretudo as fibras anteriores) fletem toda a coluna vertebral cervical de modo a aproximar o mento do manúbrio, como visualizado na imagem abaixo, na representação a direita (C). Entretanto, em geral a gravidade é o agonista desse movimento na posição ereta.
  2. A contração bilateral dos músculos esternocleidomastóideos, em ação antagonista com os músculos os músculos cervicais profundos (responsáveis pela extensão do pescoço), flete a parte inferior do pescoço e, ao mesmo tempo, produz extensão limitada na articulação AO e parte superior do pescoço, protraindo o mento enquanto mantém o nível da cabeça. Esses movimentos de flexão também ocorrem ao levantar a cabeça do solo a partir do decúbito dorsal (com a gravidade oferecendo resistência no lugar dos músculos cervicais profundos).
FONTE: Moore, Anatomia Orientada para a Clínica – 2018

Os músculos ECM proporcionam a força e a amplitude ao movimento e é provável que também haja participação de músculos sinérgicos menores e/ou de contração excêntrica (relaxamento controlado do músculo, cedendo gradualmente à gravidade) no início da flexão ou extensão.

Este importante músculo cervical em ação unilateral, flete lateralmente o pescoço (ou seja, vira o pescoço para o lado – seja ele direto ou esquerdo) e gira a cabeça de modo a aproximar a orelha do ombro ipsilateral enquanto eleva e gira o mento para o lado oposto. 

Se a cabeça e o pescoço estiverem fixos, a contração bilateral dos músculos ECM eleva as clavículas e o manúbrio e, como consequência,  também eleva as primeiras costelas em seus ramos anteriores. 

Desse modo, os músculos ECM atuam como músculos acessórios da respiração, auxiliando o movimento em alavanca de bomba da parede torácica e ficando mais evidentes em pacientes com sinais de esforço respiratório. 

Para avaliar o músculo esternocleidomastóideo, a cabeça é girada para o lado oposto contra resistência (mão contra o mento). Pode-se ver e palpar o músculo ECM quando sua ação for normal.

Em resumo, o ECM tem 3 funções principais que podem ser sumarizadas da seguinte forma: 

  • Contração unilateral: atua na flexão lateral da cabeça e rotação da cabeça para o lado oposto (movimento horizontal)
  • Contração bilateral: atua na elevação da cabeça e flexão do pescoço em direção ao tórax (movimento vertical)
  • Acessório da respiração: auxilia na inspiração por gerar movimento de alavanca na caixa torácica.

Inervação e vascularização do Esternocleidomastóideo

A inervação do esternocleidomastóideo é dada pelo nervo acessório (nervo craniano XI) com função motora e ramos diretos do plexo cervical (C3-C4), responsáveis pela dor e propriocepção

A vascularização fica a cargo de ramos vasculares da artéria occipital e artéria tireóidea superior, todas derivadas da artéria carótida externa.

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Referências:

  • Moore, Keith L. Anatomia orientada para a clínica / Keith L. Moore, Arthur F. Dalley, Anne M. R. Agur ; tradução Claudia Lúcia Caetano de Araújo. – 8. ed. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2019. : il. Tradução de: Clinically oriented anatomy – ISBN 978-85-277-3459-2
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