Anatomia de órgãos e sistemas

Resumo de Anatomia do Nariz: funções, esqueleto, cavidades e mais!

Resumo de Anatomia do Nariz: funções, esqueleto, cavidades e mais!

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Sanar

10 min há 15 dias

O nariz é o órgão do aparelho respiratório que fica situado acima do palato duro e no andar médio da face, contendo o órgão periférico do olfato. 

O nariz carrega importantes aspectos estéticos e funcionais. Sua presença é fundamental para a concepção de uma face normal (podendo ser acometida por enfermidades sistêmicas, como no caso da hanseníase virchowiana, por exemplo) mesmo que se apresente de tamanhos e formatos distintos, baseados em aspectos étnicos e raciais. 

Função: 

Além da sua participação fundamental na estética facial, o nariz tem relevantes funções de inspiração e expiração do ar de que necessitamos.

Esta estrutura apresenta condições anatômicas especiais para desempenhar com maestria as seguintes funções: olfação, respiração, filtração de impurezas e umidificação do ar inspirado, além de recepção e eliminação de secreções dos seios paranasais e ductos lacrimonasais.

Anatomia do nariz:

Inclui a parte externa do nariz, o esqueleto e a cavidade nasal, que é dividida em direita e esquerda pelo septo nasal. 

Parte externa do nariz

A parte externa do nariz é a porção visível externamente do órgão, que se projeta na face. Seu esqueleto estrutural é principalmente cartilaginoso. Como mencionado, as dimensões e o formato dos narizes variam muito, principalmente por causa das diferenças nessas cartilagens. 

O dorso do nariz estende-se da raiz até o ápice (ou, ponta) do nariz. A face inferior do nariz é perfurada por duas aberturas piriformes, as narinas (aberturas nasais anteriores), que são limitadas lateralmente pelas asas do nariz. A parte óssea superior do nariz, inclusive sua raiz, é coberta por pele fina.

A pele sobre a parte cartilaginosa, móvel e macia do nariz é coberta por pele mais espessa, que contém muitas glândulas sebáceas (comum surgir muitas acnes e comedões, inclusive). A pele estende-se até o vestíbulo do nariz (região interna, após as narinas), onde há um número variável de pêlos rígidos (chamados de vibrissas). 

As vibrissas geralmente estão úmidas, e atuam na filtração de partículas de poeira do ar que adentra a cavidade nasal. A junção da pele e da túnica mucosa está além da área que tem pelos, mais posteriormente.

LEGENDA: parte externa e esqueleto cartilaginoso do nariz
FONTE: Anatomia Orientada para a Clínica – Moore – 2018

Esqueleto

O esqueleto de sustentação do nariz é formado por duas estruturas: osso e cartilagem hialina. 

A parte óssea do nariz consiste em ossos nasais, processos frontais das maxilas, parte nasal do osso frontal e sua espinha nasal, e partes ósseas do septo nasal. 

Já a parte cartilaginosa do nariz é formada por cinco cartilagens principais: duas cartilagens laterais (processos laterais das cartilagens do septo), duas cartilagens alares (que formam as asas do nariz) e uma cartilagem do septo. 

As cartilagens alares, em forma de U, são livres e móveis. Elas dilatam ou estreitam as narinas quando há contração dos músculos que atuam sobre o nariz, sendo comum o surgimento do sinal semiológico “batimento de asa de nariz” quando lactentes e crianças apresentam importante desconforto e esforço respiratório.. 

O septo nasal divide a cavidade nasal em duas partes, região esquerda e região direita. Ele é formado por uma parte óssea e uma parte cartilaginosa móvel flexível. Os principais componentes do septo nasal são a lâmina perpendicular do osso etmoide, o vômer e a cartilagem do septo. 

A fina lâmina perpendicular do etmoide, que forma a parte superior do septo nasal, desce a partir da lâmina cribriforme. Superiormente a essa lâmina ela se estende como a crista etmoidal. O vômer, um osso fino e plano, forma a parte posteroinferior do septo nasal, com alguma contribuição das cristas nasais da maxila e do palatino. 

A cartilagem do septo tem uma articulação importante com as margens do septo ósseo.

LEGENDA: parede lateral e medial da cavidade nasal
FONTE: Anatomia Orientada para a Clínica – Moore – 2018

Cavidade nasal

São as regiões abertas entre cada lado do nariz e o septo, ou seja, são bilaterais (direita e esquerda). A entrada da cavidade nasal é anterior, através das narinas. Posteriormente a cavidade se encerra na parte nasal da faringe, sendo finalizada nos cóanos.

Trata-se de uma porção anatômica revestida por túnica mucosa, com exceção do vestíbulo nasal, que é revestido por pele. A túnica mucosa do nariz está firmemente unida ao periósteo e pericôndrio dos ossos e cartilagens que sustentam o nariz. 

A túnica mucosa é contínua com o revestimento de todas as câmaras com as quais as cavidades nasais se comunicam, como a parte nasal da faringe na parte posterior, os seios paranasais nas regiões superior e lateral, e com o saco lacrimal e a túnica conjuntiva na parte superior. 

Os dois terços inferiores da túnica mucosa do nariz correspondem à área respiratória e o terço superior é a área olfativa. Fisiologicamente, o ar inspirado pelo nariz passa sobre a área respiratória, onde é aquecido e umedecido antes de atravessar o restante das vias respiratórias superiores até os pulmões. 

A área olfativa contém o órgão periférico do olfato (região com epitélio especializado, formado por células quimiorreceptoras dotadas de prolongamentos muito sensíveis, cílios).

Na inspiração, as narinas captam inúmeras moléculas dispersas no ar e as levam até essa área posterior da cavidade, permitindo contato dessas partículas de odor e fragrância com o receptor, levando a uma resposta sensorial importante e a percepção sensitiva de cheiros e aromas (olfato).

Nas cavidades, são encontrados as conchas nasais (superior, média e inferior) que se curvam em sentido inferomedial, pendendo da parede lateral como persianas ou cortinas curtas. As conchas ou cornetos são estruturas muito convolutas, semelhantes a rolos, que oferecem uma grande área de superfície para troca de calor.

Tanto seres humanos com conchas nasais simples, semelhantes a lâminas, quanto animais com conchas complexas, têm um recesso ou meato nasal (passagem na cavidade nasal) sob cada formação óssea. Desse modo, a anatomia da cavidade nasal pode ser dividida em cinco passagens: 

  1. um recesso esfenoetmoidal posterossuperior;
  2. três meatos nasais laterais (superior, médio e inferior);
  3. um meato nasal comum medial, no qual se abrem as quatro passagens laterais. 

A concha nasal inferior é a mais longa e mais larga sendo formada por um osso independente (de mesmo nome, concha nasal inferior) coberto por uma túnica mucosa que contém grandes espaços vasculares que aumentam afetando o calibre da cavidade nasal. Já as conchas nasais média e superior são processos mediais do osso etmoide. 

A infecção ou irritação da túnica mucosa pode ocasionar o rápido surgimento de edema, com obstrução de uma ou mais vias nasais daquele lado, gerando obstrução nasal e dificuldade para respirar, como na rinite alérgica.

Quanto aos limites das cavidades nasais, infere-se que elas possuem teto, assoalho e paredes medial e lateral, bem definidas: 

  • Teto: curvo e estreito, com exceção da extremidade posterior, onde o corpo do esfenoide, que é oco, forma o teto. É dividido em três partes (frontonasal, etmoidal e esfenoidal), nomeadas de acordo com os ossos que formam cada parte.
  • Assoalho: é mais largo do que o teto e é formado pelos processos palatinos da maxila e pelas lâminas horizontais do palatino.
  • Parede medial: é formada pelo septo nasal
  • Paredes laterais: são irregulares por causa de três lâminas ósseas, as conchas nasais, que se projetam inferiormente, como persianas. 
LEGENDA: parede lateral da cavidade nasal, com foco nas conchas nasais
FONTE: Anatomia Orientada para a Clínica – Moore – 2018

Vascularização do nariz

A irrigação arterial das paredes medial e lateral da cavidade nasal tem cinco origens: 

  1. Artéria etmoidal anterior (da artéria oftálmica);
  2. Artéria etmoidal posterior (da artéria oftálmica);
  3. Artéria esfenopalatina (da artéria maxilar);
  4. Artéria palatina maior (da artéria maxilar);
  5. Ramo septal da artéria labial superior (da artéria facial). 

A parte anterior do septo nasal é a sede de um plexo arterial anastomótico do qual participam todas as cinco artérias que vascularizam o septo (área de Kiesselbach). 

A drenagem venosa fica sob responsabilidade de um rico plexo venoso submucoso situado profundamente à túnica mucosa do nariz e proporciona escoamento sanguíneio por meio das veias esfenopalatina, facial e oftálmica. O plexo venoso é uma parte importante do sistema termorregulador do corpo, trocando calor e aquecendo o ar antes de entrar nos pulmões. 

O sangue venoso do nariz drena principalmente para a veia facial através das veias angular e nasal lateral. Cabe lembrar que a vascularização nasal está localizada no “triângulo perigoso” da face em razão das comunicações com o seio cavernoso.

Em relação à inervação do nariz, sabe-se que a inervação da região posteroinferior da túnica mucosa do nariz é feita principalmente pelo nervo maxilar, através do nervo nasopalatino para o septo nasal, e os ramos nasal lateral superior posterior e nasal lateral inferior do nervo palatino maior até a parede lateral.

A inervação da parte anterossuperior provém do nervo oftálmico (NC V, em seu primeiro ramo) através dos nervos etmoidais anterior e posterior, ramos do nervo nasociliar. A maior área da parte externa do nariz (dorso e ápice) também é suprida pelo NC V.

Os nervos olfatórios, associados ao olfato, originam-se de células no epitélio olfatório na parte superior das paredes lateral e septal da cavidade nasal. Os processos centrais dessas células (que formam o nervo olfatório) atravessam a lâmina cribriforme e terminam no bulbo olfatório, a expansão rostral do trato olfatório, no sistema nervoso central.

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Referências:

  • Moore, Keith L. Anatomia orientada para a clínica / Keith L. Moore, Arthur F. Dalley, Anne M. R. Agur ; tradução Claudia Lúcia Caetano de Araújo. – 8. ed. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2019. : il. Tradução de: Clinically oriented anatomy – ISBN 978-85-277-3459-2
  • ANATOMIA BÁSICA DO NARIZ
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