A sigla BI-RADS se refere a Breast Imaging Reporting and Data System, ou seja, trata-se de um sistema de relatórios e dados de imagem da mama. De acordo com a American College of Radiology (Colégio Americano de Radiologia), essa classificação fornece terminologia padronizada nos laudos de exames de imagem das mamas, sejam eles: ultrassom, mamografia ou ressonância magnética da mama.
No laudo, o médico radiologista pode descrever o achado (nódulos, cistos, calcificações, linfonodos, etc.). Depois, classifica o achado dentro da classificação BI-RADS.
Desse modo, é possível ter uma leitura uniforme do resultado e definição da melhor conduta terapêutica adotada para a paciente. Isso facilita a comunicação sobre os resultados e o acompanhamento após as terapias.
Em resumo, o BI-RADS democratiza a linguagem acerca dos exames de mama, padronizando a linguagem, alinhando a interpretação dos resultados, descrições e condutas de uma forma globalmente aceita e validada.
Histórico
O BI-RADS foi idealizado pela primeira vez em 1992 pelo Colégio Americano de Radiologia e introduzido no Brasil em 1998, após uma reunião promovida pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), com a participação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Nesse encontro, definiu-se um conjunto de recomendações que teve como principal objetivo padronizar a nomenclatura utilizada e os laudos de mamografia.
Em virtude da grande aceitação, a 4a edição (2003) incluiu a sistematização dos relatórios de ultrassonografia e de ressonância magnética das mamas, uma vez que as edições anteriores ficavam restritas à mamografia. Mais recentemente, a 5a edição, publicada em 2013, embora muito aguardada, não trouxe muitas modificações.
Mamografia
Os exames complementares por imagem desempenham importante papel no rastreamento, na propedêutica complementar de pacientes com sinais ou sintomas mamários, assim como no seguimento de pacientes com patologias mamárias, como o câncer.
Vários exames de imagem podem ser utilizados na avaliação das mamas. Atualmente, a mamografia (MMG) e a ultrassonografia (US) mamária são os mais importantes.
A mamografia é o exame mais confiável para a detecção do câncer de mama pré-clínico, sendo o único exame de imagem apropriado para rastreamento de carcinoma mamário.
Este exame tão importante e acessível, tem possibilitado que se ofereça a uma importante parcela das pacientes com câncer de mama um diagnóstico, muitas vezes, ainda em fase inicial, ou mesmo pré-invasora.
Graças a este fato, há impacto direto no prognóstico dessas pacientes que podem chegar a altos índices de cura com tratamentos cirúrgicos conservadores.
Técnica:
A mamografia será, sempre que possível, bilateral e constituída de quatro imagens principais: duas na incidência oblíqua-médio-lateral (OML) e duas na incidência craniocaudal (CC). O exame deve ser sempre comparativo entre os dois lados e com os anteriores.
- Incidência OML: é sempre importante visualizar a musculatura peitoral até, pelo menos, a metade da mama para que se tenha certeza de que o tecido mamário não deixou de ser avaliado.
- Incidência CC: deve-se incluir todo o corpo da glândula com a gordura retromamária medial e lateral.
Indicações:
- Rastreio (screening): Em pacientes com familiar de primeiro grau afetada pelo câncer de mama, o rastreamento com mamografia deve iniciar 10 anos antes da idade em que a familiar teve o diagnóstico. Para as pacientes portadoras de mutações nos genes BRCA1 ou 2, é recomendado o screening a partir dos 30 anos de idade
- Mama sintomática: importante na avaliação complementar
- Tumor clinicamente suspeito
- Seguimento: após cirurgia conservadora ou em pacientes com patologias mamárias sem indicação cirúrgica
- Alto risco: pacientes com mutações nos genes BRCA1 ou 2
- Controle pós-punção
- Orientação de biópsias
- Planejamento cirúrgico
- Cancerofobia: mesmo em pacientes assintomáticas
- Pesquisa de sítio primário nos casos de carcinoma oculto
Classificação do BI-RADS com interpretação:
Atualmente, o BI-RADS atribui sete categorias, que vão de 0 a 6, para os resultados e interpretação da mamografia.
BI-RADS 0
Significa que a radiografia das mamas foi inconclusiva e, portanto, necessita de avaliação adicional através de outros exames.
Interpretação: essa classificação é usada apenas para mamografias de rastreamento, considerando casos que precisam ser esclarecidos com uso de outra técnica
Conduta: orientação de que seja realizado outro exame, como a ultrassonografia das mamas.
BI-RADS 1
Esta categoria corresponde a um exame de mamografia com resultados normais.
Interpretação: nesse caso, o radiologista atesta que não foi encontrado nada anormal durante a radiografia das mamas (exame negativo).
Conduta: recomenda-se seguir o rastreamento normal, conforme diretriz do Ministério da Saúde.
BI-RADS 2
Diz respeito a um achado tipicamente benigno.
Interpretação: ocorre quando são encontrados cistos, calcificações, alterações relacionadas a implantes ou após cirurgia e tratamentos, como radioterapia.
Conduta: realizar rastreamento rotineiro.
BI-RADS 3
O radiologista se depara com algum achado com grande probabilidade de ser benigno, ou seja, de não se tornar um tumor. Em geral, a probabilidade é maior que 98%.
Interpretação: nódulo não palpável, microcalcificações redondas ou ovais e alguns tipos de lesão podem se enquadrar nesta categoria. Apesar de serem, normalmente, benignos, o médico não pode assegurar se podem ou não evoluir para câncer a longo prazo.
Conduta: o exame deve ser repetido em intervalo menor do que no rastreamento para a população geral. Nesse caso, repete-se o exame a cada seis meses. Dependendo do caso, o acompanhamento dura dois ou três anos. Após isso, caso não haja mudanças no achado durante a mamografia, a paciente retorna para os exames de rotina de rastreamento, uma vez ao ano.
BI-RADS 4
Nesta classificação, estão os achados suspeitos de neoplasia, ou seja, aqueles que apresentam risco maior de evoluir para câncer. Possuem típicas características de uma neoplasia, como limites pouco definidos, microcalcificações irregulares e densidade assimétrica.
Interpretação: Trata-se de uma ampla categoria, pois abrange achados com risco entre 2% e 95% de se tornarem cancerígenos. Assim, foram estabelecidas três subcategorias para a interpretação da mamografia, com o objetivo de delimitar melhor as considerações do laudo.
- Na subcategoria 4A, estão as lesões com baixa suspeita de malignidade, entre 2 e 10% de risco de se tornarem câncer.
- Na subcategoria 4B, são enquadrados os achados com suspeita moderada de câncer, que vai de 11 a 50%.
- Na subcategoria 4C, estão as lesões com maiores chances de serem malignas, de 51% a 95%.
Conduta: é recomendada a realização de biópsia percutânea, quando não há procedimento cirúrgico, para achados de qualquer das três subcategorias. A biópsia percutânea consiste na retirada, através de uma agulha, de uma pequena parte da lesão, sendo utilizada para investigação anatomopatológica.
A partir do material colhido durante a biópsia, radiologista e médico assistente poderão determinar as características da lesão com mais assertividade.
BI-RADS 5
Essa classificação reúne as lesões altamente suspeitas, quando existe probabilidade maior que 95% de o achado ser cancerígeno.
Interpretação: o achado tem características de malignidade, como nódulo denso e espiculado ou microcalcificações ramificadas.No entanto, ainda existe chance, embora pequena (< 5%), de a lesão ser benigna.
Conduta: inclui a realização de biópsia percutânea e definição de conduta definitiva após resultado anatomopatológico.
BI-RADS 6
Corresponde aos achados que são, com certeza, malignos. Essa categoria foi criada para marcar os casos de acompanhamento do tratamento de câncer de mama.
Interpretação: nesses casos, a mamografia revela apenas o câncer já diagnosticado, sem outras alterações. A nova radiografia mamária pode ser realizada para analisar respostas a tratamentos, como quimioterapia, e possível indicação de cirurgia para retirada do tumor.
Conduta: a recomendação médica vai depender de cada caso, e deverá considerar o histórico do paciente, características e resposta do câncer a tratamento prévios.
Conclusão
Diante do exposto, compreende-se a importância da utilização do BI-RADS em lesões mamárias com potencial neoplásico, uma vez que a padronização radiológica também norteia condutas diagnósticas e terapêuticas.

Video dica BI-RADS:
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Referências:
- Rotinas em mastologia /Carlos H. Menke … [et al.]. – 2. ed. – Porto Alegre : Artmed, 2007. 272 p. : il. ; 25 cm.
- Mastologia : condutas atuais / organizadores Simone Elias, Gil Facina, Joaquim Teodoro de Araujo Neto. – Barueri, SP: Manole, 2016.- (Série mastologia / editor da série Afonso Celso Pinto Nazário)
- Mastologia // Manual de Orientações – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)
- Classificação BI-RADS™: categorização de 4.968 mamografias – Autho(rs): Augusto Vasconcellos Vieira, Felipe Tietbohl Toigo – Artigo original – 2002