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Resumo de Glândulas Salivares: estruturas, parótida, submandibular, Sublingual e menores

Resumo de Glândulas Salivares: estruturas, parótida, submandibular, Sublingual e menores

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Sanar

8 min há 42 dias

As glândulas salivares são glândulas exócrinas, que dão suporte ao sistema digestório e produzem saliva. Além das glândulas pequenas dispersas pela cavidade oral (se possível anexar link com o post de cavidade oral), existem três pares de glândulas salivares maiores: parótida, submandibular (ou submaxilar) e sublingual. 

Em humanos, as glândulas salivares menores secretam 10% do volume total de saliva, mas são responsáveis por aproximadamente 70% do muco que é secretado.

Saliva

Como dito, a saliva é sintetizada pelas glândulas salivares e expelida na cavidade oral. Tem como principais objetivos: umidificar e lubrificar a mucosa oral e o alimento ingerido, iniciar a digestão de carboidratos e lipídios (por meio das atividades da amilase e da lipase lingual, respectivamente) e secretar substâncias germicidas protetoras, como a imunoglobulina A (IgA), a lisozima e a lactoferrina. 

A saliva também tem papel crucial na manutenção de um pH neutro na cavidade oral (atua como um tamponamento) e forma uma película sobre os dentes por meio de proteínas salivares ricas em prolina, que se ligam ao cálcio. 

Em algumas espécies, mas não em seres humanos, a secreção de saliva também é importante na regulação da temperatura corporal.

Estrutura das glândulas salivares

O parênquima das glândulas salivares maiores consiste em terminações secretoras e em um sistema de ductos ramificados que se arranjam em lóbulos, separados entre si por septos de tecido conjuntivo que se originam de uma cápsula de tecido conjuntivo rico em fibras colágenas que circunda e reveste essas glândulas.

As porções secretoras glandulares têm dois tipos de células – serosas ou mucosas, além das células mioepiteliais não secretoras. Essa porção secretora precede um sistema de ductos cujos componentes modificam a saliva à medida que a conduzem para a cavidade oral. 

Células serosas têm, em geral, um formato piramidal, com uma base larga que repousa sobre uma lâmina basal e um ápice com microvilos pequenos e irregulares voltados para o lúmen.

As células secretoras adjacentes estão unidas entre si por complexos juncionais que formam uma massa esférica, denominada ácino, contendo um lúmen central, onde o conteúdo proteico sintetizado pode ser expelido

Células mucosas apresentam, em geral, um formato cuboide ou colunar; seu núcleo é oval e encontra-se pressionado junto à base da célula. Elas exibem características de células secretoras de muco, contendo glicoproteínas importantes para as funções lubrificantes da saliva.

A maioria dessas glicoproteínas pertence à família das mucinas, cuja estrutura contém 70 a 80% de cadeias de carboidratos. Tais células, frequentemente, se organizam e se rearranjam em túbulos, que consistem em uma formação cilíndrica que circundam um lúmen. 

No ser humano, as glândulas submandibulares e sublinguais, organizam-se em um padrão característico. As células mucosas formam túbulos, mas, no término delas, há um grupo de células serosas que constituem as semiluas serosas.

Células mioepiteliais podem ser encontradas junto à lâmina basal de terminações secretoras e a ductos intercalares (em menor extensão), que formam a porção inicial do sistema de ductos.

Geralmente, duas ou três células mioepiteliais envolvem a terminação secretora e, nessa porção, são bem desenvolvidas e ramificadas. Já nos ductos intercalares, elas são mais alongadas e fusiformes, dispondo-se paralelamente ao comprimento do ducto. 

Essas células têm várias características semelhantes às das células musculares, incluindo a contratilidade. Entretanto, elas estabelecem junções (desmossomos) entre si e também com as células secretoras.

Embora a contração das células mioepiteliais acelere a secreção de saliva, sua principal função parece ser a prevenção da distensão excessiva da terminação secretora durante a secreção, devido a um aumento da pressão luminal. 

Paralelamente, a contração das células mioepiteliais localizadas nos ductos intercalares aumenta o diâmetro luminal, contribuindo para diminuição da pressão na terminação secretora e facilitando a secreção. 

histologia das glândulas salivares
FONTE: Histologia básica – Junqueira e Carneiro, 13a ed, 2018

No sistema de ductos, as terminações secretoras se continuam com os ductos intercalares, formados por células epiteliais cuboides. Vários desses ductos curtos se unem para formar um ducto estriado.

Os ductos são caracterizados por estriações radiais que se estendem da base das células até a altura dos núcleos. 

Os ductos intercalares e estriados são também denominados ductos intralobulares, devido à sua localização dentro dos lóbulos glandulares.

Dando continuidade ao sistema de transporte da saliva, tem-se que os ductos estriados de cada lóbulo convergem e desembocam em ductos maiores, localizados nos septos de tecido conjuntivo que separam os lóbulos, onde se tornam ductos interlobulares ou excretores

Os ductos interlobulares são inicialmente formados por epitélio cuboide estratificado, mas as porções mais distais dos ductos excretores são revestidas por epitélio colunar estratificado. 

O ducto principal de cada glândula salivar maior desemboca na cavidade oral e, no final, é revestido por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Vasos e nervos penetram as glândulas salivares maiores pelo hilo e gradualmente se ramificam até os lóbulos. 

Um rico plexo vascular e nervoso circunda os componentes secretores e ductais de cada lóbulo. Os capilares que circundam as terminações secretoras são muito importantes para a secreção de saliva, após estímulo pelo sistema nervoso autônomo. 

Com relação ao estímulo nervoso, o estímulo parassimpático, geralmente iniciado pelo gosto ou aroma do alimento, provoca uma secreção abundante de saliva aquosa. Já o estímulo simpático produz uma pequena quantidade de saliva viscosa, rica em material orgânico/proteico.

Parótidas

Trata-se de uma glândula acinosa composta, cuja porção secretora é constituída exclusivamente por células serosas que contém grânulos de secreção ricos em proteínas e elevada atividade de amilase. 

O conteúdo secretado pelas parótidas é responsável pela hidrólise de boa parte dos carboidratos ingeridos, dando início a digestão. Como em outras glândulas salivares, o tecido conjuntivo contém muitos plasmócitos e linfócitos.

Os plasmócitos secretam IgA, que forma um complexo com um componente secretor sintetizado pelas células acinosas, células dos ductos intercalares e estriados.

O complexo secretor rico em IgA (sIgA) é liberado na saliva, sendo resistente à digestão enzimática e constituindo-se em um mecanismo de defesa imunológica contra patógenos da cavidade oral.

Submandibular

A glândula submandibular é uma glândula tubuloacinar composta e sua porção secretora contém tanto células serosas quanto células mucosas. As células serosas são o principal componente desta glândula, sendo facilmente diferenciadas das células mucosas pelo seu núcleo arredondado e citoplasma basófilo.

Em humanos, cerca de 90% das terminações secretoras da glândula submandibular são acinares (serosas), enquanto 10% consistem em túbulos mucosos com semiluas serosas.

As células que constituem as semiluas na glândula submandibular secretam a enzima lisozima, cuja atividade principal é hidrolisar as paredes de determinadas bactérias.

Algumas células acinosas e dos ductos intercalares encontradas nas glândulas salivares maiores também secretam lactoferrina, que se liga ao ferro, um nutriente essencial para o crescimento bacteriano.

Os ductos estriados podem ser observados facilmente na glândula submandibular humana, enquanto os ductos intercalares são muito curtos.

Sublingual

Assim como a submandibular, também é uma glândula tubuloacinar, composta por células serosas e mucosas.

As células mucosas predominam nessa glândula, enquanto as células serosas se apresentam exclusivamente constituindo semiluas serosas na extremidade de túbulos mucosos.

Assim como na glândula submandibular, as células que formam as semiluas serosas na glândula sublingual secretam lisozima.

Glândulas salivares menores

Consistem em glândulas salivares não encapsuladas, pequenas e que estão distribuídas em toda a mucosa oral e submucosa. A saliva é produzida por pequenas unidades secretoras e é conduzida à cavidade oral em ductos curtos, com pouca modificação de seu conteúdo. 

Embora existam variações, as glândulas salivares menores normalmente produzem muco (sem conteúdo seroso/proteico). Agregados de linfócitos podem ser encontrados nas glândulas salivares menores, associados à secreção de IgA.

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Referências:

Junqueira, Luiz Carlos Uchoa, 1920-2006 – Histologia básica: texto e atlas / L. C . Junqueira, José Carneiro; autor-coordenador Paulo Abrahamsohn. – 13. ed. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.

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