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Resumo paralisia cerebral: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento | Colunistas

Resumo paralisia cerebral: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento | Colunistas

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Ge Calazans

8 min há 16 dias

Definição

A paralisia cerebral é um distúrbio do desenvolvimento neurológico motor e cognitivo, afetando os movimentos independentes e a coordenação da criança. Ocorre como resultado de lesões cerebrais durante o desenvolvimento fetal ou ao nascimento.

Epidemiologia da Paralisia Cerebral (PC)

A paralisia cerebral configura o quadro clínico mais comum e incapacitante da infância: atualmente, há cerca de 17 milhões de casos de paralisia cerebral registrados no mundo todo.

Segundo dados fornecidos pelo movimento internacional World Cerebral Palsy Day, 1:4 crianças diagnosticadas não falam, 1:3 não anda e 1:2 apresenta deficiência intelectual.

Afeta aproximadamente 500.000 crianças e adultos, com cerca de 8.000 bebês e entre 1.200 e 1.500 crianças em idade pré-escolar diagnosticadas a cada ano.

Fisiopatologia da Paralisia Cerebral

A paralisia cerebral, também chamada encefalopatia crônica não progressiva, é a causa mais frequente de deficiência motora na infância e refere-se a um grupo heterogêneo de condições que cursa com disfunção motora central, afetando o tônus, a postura e os movimentos.

Decorre de lesão permanente ao cérebro em desenvolvimento e apresenta-se de forma variável em termos de distribuição anatômica da lesão, gravidade de acometimento motor e sintomas clínicos associados. A grande variabilidade requer que estes pacientes e suas famílias sejam abordados de maneira sistematizada levando em conta dimensões amplas de atenção à saúde.

Tipos de Paralisia Cerebral

1.   Paralisia Cerebral espástica:

  •         Tipo mais comum, afeta mais que 70% dos pacientes com PC
  •          Caracterizado por hipertonia (tônus ​​muscular aumentado) e músculos rígidos e contraídos.
  •          Pode ser caracterizada ainda pelas partes afetadas:         
  •    Quadriplegia espástica: tipo mais grave, causada por danos cerebrais significativos e afetam todo o corpo, o paciente apresenta hipertonia nos quatro membros. Por isso, tem dificuldade de andar, usar os braços ou as mãos, engolir, comer e conversar.
  • o   Diplegia espástica: menos grave, afeta dois membros, principalmente as pernas, ou hemiplegia, afetando membros de um lado do corpo.

2.   Paralisia Cerebral atetóide:

  •          10-20% dos pacientes
  •         Movimentos incontroláveis
  •          Sintomas comuns: contração lenta do corpo, movimentos bruscos nas extremidades, dificuldade em manter a cabeça erguida, dificuldade para comer e engolir.

3.   Paralisia Cerebral atáxica:

  •          5-10% dos pacientes com PC
  •          Dificuldade em coordenar movimentos voluntários
  •          Problemas com postura e equilíbrio
  •          Lutas com a função cognitiva
  •          Habilidades de linguagem

4.   Paralisia Cerebral mista:

  •          10% dos casos
  •          Nesse caso, o paciente apresenta mais de um tipo de PC.
  •          Geralmente há mistura de sintomas atetóides e espásticos.

Quadro clínico da Paralisia Cerebral

Existem vários tipos de paralisia cerebral, variando ainda mais os sintomas apresentados, mas existem alguns sinais e sintomas em comum, como:

  •          Tônus muscular inadequado, incluindo hipotonia, hipertonia e distonia
  •          Má coordenação e dificuldades de movimento
  •          Reflexos anormais, incluindo reflexos excessivos ou subdesenvolvidos
  •          Dificuldades em manter a postura e o equilíbrio
  •          Funcionamento motor grosso prejudicado
  •          Dificuldade no controle motor fino
  •          Deficiência da função motora oral

Fatores de risco para Paralisia Cerebral

Alguns fatores de risco para paralisia cerebral podem favorecer o seu aparecimento, alguns evitáveis e outros inevitáveis.

Os principais são:

  •          Prematuridade e baixo peso ao nascer
  •          Trabalho de parto longo e difícil
  •          Doença grave e infecção
  •          Anomalias genéticas
  •          Negligência médica
  •          Uso de certos medicamentos ou substâncias durante o desenvolvimento fetal

Etiologia da Paralisia Cerebral

As principais causas da paralisia cerebral são distúrbios maternos, hipóxia (isquemia) e prematuridade.

Diagnóstico de Paralisia Cerebral

Inicialmente, na maioria dos casos, a paralisia cerebral é percebida quando um pai ou responsável percebe falhas ou atrasos no desenvolvimento da criança, que geralmente é o primeiro sinal da PC.

Após suspeita, o médico deve solicitar alguns exames de imagem para identificar áreas de lesão cerebral para fechar o diagnóstico, alguns exames são:

  •          Ressonância magnética
  •          Tomografia computadorizada
  •          Eletroencefalograma
  •          Ultrassom

Graus da Paralisia Cerebral

A Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS) é muito utilizada para classificar as crianças com paralisia cerebral de acordo com as suas habilidades motoras.

GRAU 01: anda sem déficit

GRAU 02: anda com déficit

GRAU 03: anda com andador

GRAU 04: empurra cadeira de rodas

GRAU 05: totalmente dependente

Tratamento de Paralisia cerebral

Atualmente não há cura para o distúrbio da paralisia cerebral pois o tecido nervoso, até então, não se regenera e por isso as lesões cerebrais que causam a PC não se desfazem. Mas existem vários tratamentos para gerenciamento dos sintomas, melhora na qualidade de vida do paciente e vivência normal.

Os tratamentos mais comuns são terapias especializadas com equipe multidisciplinar e medicamentos que auxiliam na diminuição da dor e dos sintomas.

Os medicamentos mais comumente prescritos para pacientes com PC são relaxantes musculares como o Baclofeno, que atuam para reduzir a espasticidade, e medicamentos anticonvulsivantes como o clonazepam.

Autor(a) : Geovanna Calazans Corrêa- @gedicina

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

Cerebral Palsy – What is Cerebral Palsy? https://cerebralpalsygroup.com/cerebral-palsy/

Pereira HV. Paralisia cerebral. Resid Pediatr. 2018;8(0 Supl.1):49-55 DOI: 10.25060/residpediatr-2018.v8s1-09

Paralisia Cerebral: principais informações – https://go.shr.lc/3yjuyRO

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