Cirurgia vascular

Resumo sobre flebite (completo) – Sanarflix

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Você sabe o que é flebite e como ela ocorre? Fique por dentro de tudo que você precisa saber sobre o tema. Leia nosso texto completo e saiba tudo da definição ao tratamento, passando pela classificação, quadro clínico, fisiopatologia, diagnóstico e mais.

Definição de flebite

A flebite é uma inflamação aguda comumente associada à terapia com cateteres de acesso venoso periférico (CVP). É caracterizada por apresentar edema, dor, desconforto na região. Sua origem pode ser mecânica, química ou bacteriana.

A flebite é uma das complicações mais comum associadas ao CVP e, se não tratada adequadamente, pode ser responsável pelo retardo da alta hospitalar.

Fisiopatologia

O processo inflamatório ocorre na camada interna da parede vascular e segue associada a sinais flogísticos como dor, edema, vermelhidão e calor, além de poder formar cordão fibroso.

Trobo venoso formado em decorrência de flebite - Sanar
Trobo venoso formado em decorrência de flebite

Epidemiologia da flebite 

A grande maioria dos pacientes hospitalizados recebem terapia intravenosa em algum momento durante a sua admissão. Quanto à frequência da flebite nesses pacientes, pesquisas apontaram taxas bastante distintas, variando de zero a mais de 50%. De acordo com a Infusion Nurses Society (INS), o índice de flebites aceitável em instituições hospitalares é 5% ou menos. 

Não há uma classificação universalmente aceita para os fatores predisponentes para flebite. Vários estudos descrevem alguns fatores de riscos, contudo os resultados são conflitantes.

Os principais fatores de risco identificados em diversos estudos são:

  • Preparo da punção;
  • Condições clínicas do paciente;
  • Características das veias;
  • Sexo: o sexo feminino apresentou maior risco em alguns estudos;
  • Tamanhos e localização anatômica dos cateteres;
  • Medicamento administrado: antibióticos e analgésicos são os principais medicamentos que causam risco de flebite;
  • Tempo de permanência do cateter superior a 48 horas aumenta o risco de flebite, inclusive muitos hospitais limitam a permanência do mesmo acesso venoso no paciente ao período de 48 horas. 

Quadro clínico da flebite

A sintomatologia ocorre em graus variáveis de edema, dor e eritema ao redor do local de inserção do cateter ou ao longo do trajeto do vaso, sendo possível a evolução para um cordão fibroso palpável, além de intenso rubor, sensibilidade local e febre.  

Possíveis complicações da flebite

As principais complicações envolvem processo infeccioso secundário e formação de trombos no sistema venoso profundo. Assim, este processo infeccioso pode ocasionar a formação de pequenos coágulos na circulação venosa superficial, chamada de tromboflebite.

Quando as veias axiais maiores estão envolvidas, pode ocorrer propagação para o sistema venoso profundo, com risco de desenvolver trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar

Fatores de risco para trombose venosa profunda em pessoas com flebite e trombose das veias dos membros inferiores incluem:

  • Trombose mais extensa (≥5 cm);
  • Proximidade anatômica do trombo ao sistema venoso profundo;
  • Fatores de risco médicos para TVP. 

Classificação da flebite

A classificação da flebite pode ser feita de acordo com a escala proposta pela Infusion Nursing Society (INS). Esta classifica de acordo com os seguintes graus:

  • 0 – sem sintomas; 
  • I – eritema com ou sem dor local; 
  • II – eritema com dor e/ou edema local; 
  • III – além dos sinais clínicos do grau II, acrescenta-se a presença de um cordão fibroso palpável ao longo da veia; 
  • IV – adicionalmente ao grau III, apresenta um cordão venoso palpável longo, com drenagem purulenta

Diagnóstico da flebite

O diagnóstico é eminentemente clínico a partir dos sintomas e dos achados na inspeção e palpação durante exame físico. Alguns casos, contudo, o médico pode lançar mão de exames complementares como ultrassonografia, que ajuda a diagnosticar os coágulos que bloqueiam o fluxo sanguíneo.

Se a flebite progride para tromboflebite, ao apalpamento encontra-se uma corda dura por baixo da pele, representando o sangue coagulado no interior da veia e, assim, o diagnóstico mais fácil de ser realizado.

Tratamento da flebite

Para todos os pacientes com diagnóstico de flebite e trombose das veias superficiais da extremidade inferior, medidas de suporte devem ser instituídas e consistem em elevação da extremidade, compressas quentes ou frias, meias de compressão e medicações para o controle da dor

Para pacientes com flebite e tromboflebite superficial com baixo risco de TVP, é preferível anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).

No caso de pacientes com alto risco para TVP, está indicado anticoagulação oral por 45 dias.

Heparina de baixo peso molecular, heparina não fracionada, anticoagulantes orais diretos e antagonistas da vitamina K parecem ser igualmente eficazes. Para trombo que se estende até o sistema venoso profundo, o paciente é tratado de acordo com os protocolos padrão para TVP. 

Prevenção da flebite

Algumas medidas podem ser tomadas para evitar que a flebite venha ocorrer. Algumas delas serão listadas abaixo:

  • Escolha de veias mais calibrosas ou utilização de acesso central para administração de soluções hipertônicas – a região do antebraço são possui as veias mais calibrosas;
  • Escolha do menor dispositivo indicado à infusão;
  • Rodízio a cada 72 horas do local puncionado, fixação adequada para prevenir irritação mecânica;
  • Punções realizadas por profissionais habilitados;
  • Higienização adequada das mãos;
  • Protocolo de orientação sobre medicações irritantes e soluções hipertônicas;
  • Troca dos frascos de soluções a cada 24 horas.

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Sugestão de leitura complementar

Referência

  1. MOTA, R.S. et al. Incidência e Caracterização das Flebites Noticiadas Eletronicamente em um Hospital de Ensino. Rev baiana enferm. 2020; 34:e35971
  2. SPELMAN, D. Catheter-related septic thrombophlebitis. UpToDate, 2022.
  3. TERTULIANA, A.C. et al. Flebite em acessos venosos periféricos de pacientes de um hospital do Vale do Paraíba. Reme : Rev. Min. Enferm. vol.18 no.2 Belo Horizonte Abr./Jun. 2014. http://dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20140026
  4. URBANETTO, J.S. et al. Fatores de risco para o desenvolvimento da flebite: revisão integrativa da literatura. Rev Gaúcha Enferm. 2017;38(4):e57489. doi: http://dx.doi.org/10.1590/1983-1447.2017.04.57489.