A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é a forma
mais comum de distrofia muscular em crianças. Ela é uma miopatia progressiva
ligada ao X, causada por mutações no gene DMD,
que codifica a proteína distrofina.
Ela incide, aproximadamente, entre 3 e 5 a cada
15000 nascidos vivos do sexo masculino, sendo a incidência no sexo feminino
incerta. Já a sua prevalência é de, aproximadamente, 6 a cada 100000
indivíduos, na Europa e na América do Norte.
Fisiopatologia da Distrofia Muscular de Duchenne
Na distrofia muscular de Duchenne, uma mutação no
gene DMD, que pode ser uma deleção ou
umaduplicação, acarreta ausência
grave da distrofina, uma proteína essencial para a formação e manutenção do
tecido muscular. A falta da distrofina torna os músculos frágeis e de fácil
lesão.
Quadro clínico
A distrofia muscular de Duchenne costuma apresentar seus primeiros sinais e sintomas de fraqueza muscular, em indivíduos do sexo masculino, a partir dos 3 anos de idade, em áreas específicas.
Progressivamente, ela se “estende” pelo corpo e ocorrem comprometimentos nos sistemas cardiovascular e respiratório, além do retardo intelectual. Além disso, o paciente apresenta elevado índice de creatinoquinase sérica.
Principais
sinais e sintomas da doença:
- Fraqueza
muscular progressiva; - Comprometimento
cardíaco progressivo; - Anomalias
na marcha; - Curvaturas
anormais da coluna: lordose e escoliose; - Retardo no
crescimento e no desenvolvimento motor; - Uso da
Manobra de Gowers; - Pseudo-hipertrofia
da panturrilha; - Comprometimento
respiratório progressivo; - Elevado
níveis de creatinoquinase sérica.
História de progressão da doença
A degeneração muscular começa a ser evidente por
volta dos 3 anos de idade, quando ela atinge a musculatura esquelética do
quadril, da pelve, do pescoço e da parte proximal dos membros inferiores.
Progressivamente, atinge os ombros e as partes distais dos membros inferiores e
superiores, além do tronco.
Algum grau de comprometimento cardíaco está presente em cerca de 95% dos
pacientes e insuficiência cardíaca está presente em cerca de 50%.
Apesar de raras, complicações no músculo liso também podem ocorrer, ocasionando
dilatação gástrica e paralisia do íleo e da bexiga.
Aproximadamente 1/3 dos pacientes têm retardo mental em algum grau.
Entre os 3 e 5 anos de idade, podem ser observados:
anomalias na marcha, lordose lombar e retardo no crescimento e no
desenvolvimento motor.
Aos 5 anos de idade, a maioria dos pacientes utiliza a Manobra de Gowers, para
se levantar do chão, e tem pseudo-hipertrofia na panturrilha, decorrente da
substituição de tecido muscular esquelético por tecidos conjuntivo e adiposo.
Nessa idade também começam a ser percebidas dificuldades no aprendizado, na
memória, na comunicação e nas habilidades emocionais.
Aos 10 anos de idade, o diafragma e outros músculos envolvidos na respiração
são afetados, reduzindo a capacidade respiratória. Como resultado, podem
ocorrer dor de cabeça, dificuldade para se concentrar, sonolência e pesadelos.
Progressivamente, a capacidade de tossir é diminuída, o que favorece a evolução
de infecções respiratórias.
Aos 12 anos de idade, a maioria dos pacientes apenas se locomove por meio de
uma cadeira de rodas e apresenta contraturas e desvios na coluna.
Entre os 14 e os 18 anos de idade, ocorrem complicações cardíacas devido ao
acometimento do miocárdio.
Com o avanço dos cuidados cardíacos e respiratórios, apesar de a média de óbito
estar por volta dos 18 anos, está se tornando mais comum homens com DMD na casa
dos 30 anos, com indivíduos que chegam aos 50.
Em indivíduos do sexo feminino, a idade de início e
a gravidade da manifestação da fraqueza muscular dependem do grau de desvio da
inativação do X. Mas, independentemente desse grau, a maioria das mulheres
portadoras tem anomalias cardíacas, que podem ser identificadas por alterações
eletrocardiográficas.
Diagnóstico do Distrofia Muscular de Duchenne
A suspeita diagnóstica se baseia na presença de
sinais e sintomas do quadro clínico característico da doença, na idade do
acometimento e na história familiar sugestiva de herança recessiva ligada ao
cromossomo X.
A eletromiografia demonstra alterações miopáticas. A biopsia muscular demonstra
necrose do tecido. A creatinoquinase está elevada em até cem vezes o normal no
sangue.
O diagnóstico definitivo é confirmado pela
avaliação da distrofina por imunocoloração – o paciente com DMD não deve
apresentar distrofina – pela análise do DNA recombinante – o paciente com DMD
deve apresentar mutações no gene DMD
-.
Tratamento
A terapia gênica ainda não está disponível, então
não há tratamento definitivo para a doença. Todas as medidas de suporte têm
como função controlar sintomas, como manter a função e a força do músculo ou
atenuar o comprometimento cardiorrespiratório, e diminuir o ritmo da progressão
da doença.
Incentiva-se o exercício ativo, a fisioterapia e o alongamento. Órteses podem ser utilizadas para prevenir contraturas. Cirurgias podem ser realizadas para aumentar o conforto de pacientes, sobretudo para a correção de escolioses.
A insuficiência respiratória pode ser manejada com suporte ventilatório não invasivo ou com traqueostomia eletiva.
A insuficiência cardíaca pode ser adiada com o uso de betabloqueadores ou inibidores da ECA.
Deflazacorte ou Prednisona, pelos seus efeitos anti-inflamatórios, são considerados para pacientes maiores de 5 anos, e apresentam boa desaceleração da doença, apesar de estarem relacionados a efeitos colaterais como o ganho de peso, a perda de tecido ósseo e o surgimento de cataratas.