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Paxlovid: saiba tudo sobre o primeiro comprimido contra Covid-19

Paxlovid: saiba tudo sobre o primeiro comprimido contra Covid-19

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A autoridade norte-americana de saúde, a Food and Drug Administration (FDA, na sigla em inglês), aprovou o uso do comprimido da Pfizer contra covid-19. O primeiro tratamento oral nos Estados Unidos (EUA) para combate à doença.

Por meio de um comunicado, a instituição afirmou que o Paxlovid pode ser usado em casa para casos moderados da covid-19 em adultos e crianças menores de 12 anos e pelo menos com 40 quilos de peso, cuja saúde os coloquem em perigo de ser hospitalizados.

De acordo com dados de ensaios clínicos, o medicamento demonstrou ser quase 90% eficaz na prevenção de hospitalizações e mortes em pacientes com alto risco de doenças graves.

Como funciona o comprimido contra covid-19?

Os vírus possuem enzimas que ajudam no ciclo de sua replicação. Uma delas se chama protease e é responsável pelo amadurecimento do vírus. Quando não amadurece, ele é incapaz de se multiplicar.

O Paxlovid promove a inibição da protease do novo coronavírus, impedindo que ele complete seu ciclo de vida. Ao paralisar a multiplicação viral, ele ajuda o organismo humano a se recuperar. A explicação é de Flavio da Silva Emery, professor associado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo).

Vale acrescentar que o Paxlovid tem um mecanismo de funcionamento semelhante ao do comprimido desenvolvido por outra farmacêutica, a MSD (Merck nos EUA e no Canadá).

Esse outro medicamento também recebeu autorização regulatória da FDA. Mas, há dados que apontam maior eficaz e menos efeitos colaterais com o uso do remédio da Pfizer.

De que forma o Paxlovid deve ser usado?

O comprimido do laboratório Pfizer só pode ser comprado com receita médica. Os pacientes devem tomar assim que souberem que foram infectados. No máximo nos primeiros cinco dias após o aparecimento dos sintomas.

É indicado tomar o medicamento duas vezes ao dia (de 12 em 12 horas). A duração do tratamento é de cerca de cinco dias, segundo o comunicado do FDA.

O uso do Paxlovid também requer a ingestão de outro remédio, o Ritonavir. Esse medicamento, que já é usado no tratamento de HIV, aumenta a concentração do Paxlovid no sangue e aumenta sua eficiência. A explicação é de Valdez Madruga, coordenador de estudo sobre o Paxlovid no Brasil, em entrevista ao R7.

Possíveis efeitos colaterais e contraindicação

O uso do medicamento, como acontece com qualquer outro, pode ocasionar em efeitos colaterais. São eles: diminuição do paladar, diarreia, hipertensão e dores musculares.

Além disso, estudos apontam que o Paxlovid não é recomendado em doentes com insuficiência renal ou hepática grave.

Quais as discussões atuais sobre o comprimido contra covid-19?

O governo dos Estados Unidos já encomendou 10 milhões de tratamentos em novembro. E de acordo informações divulgadas pela Pfizer nesta semana (4/01/22), já foi solicitada uma nova encomenda ao laboratório de mais 10 milhões.

Estudos

A Pfizer tem outras duas pesquisas sobre o medicamento em andamento. Uma pretende verificar a ação do medicamento em pessoas sem comorbidades e a outra, conferir o uso da droga como prevenção da doença.

“No terceiro estudo, pessoas que vivem na mesma casa de um infectado vão tomar a medicação ou o placebo [remédio sem efeito] para observarmos se o Paxlovid foi capaz de evitar a transmissão. É o que chamamos de PEP, profilaxia pós-exposição”, conta Valdez Madruga, infectologista e coordenador do estudo sobre esse medicamento no Brasil.

A ação do medicamento contra as variantes ainda não foi analisada, mas os estudos foram feitos entre julho e setembro, quando a Delta se espalhava pelo mundo.

“Ainda não há resposta sobre as variantes. Os dados estão sendo avaliados e não dá para prever. Eu acho que o remédio vai agir também contra as variantes. Mas não é possível cravar essa informação sem a análise dos dados”, avalia o médico.

O Brasil é um dos países onde acontecem os ensaios clínicos. Mas os 29 centros de pesquisa do país estão com dificuldade para encontrar voluntários devido ao alto índice de vacinação.

É importante ressaltar que o medicamento não é um substituto da vacinação em indivíduos para os quais a vacinação e a dose de reforço são recomendadas.

Fontes: Agência Brasil, R7, UOL e Exame

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