Carreira em Medicina

Semiologia Ocular: o que é, principais exames e mais!

Semiologia Ocular: o que é, principais exames e mais!

Compartilhar
Imagem de perfil de Graduação Médica

Um bom médico sabe que os olhos não devem ser examinados como órgãos isolados, como se nada tivessem a ver com o restante do organismo, uma vez que doenças oculares podem refletir-se em outros setores, da mesma maneira que patologias de outros sistemas podem ter importantes manifestações nos olhos. Saiba tudo sobre a Semiologia Ocular!

O que é Semiologia Ocular

O Exame Oftalmológico é um teste que serve para avaliar os olhos, pálpebras e canais lacrimais de forma a investigar doenças oculares, como o glaucoma ou a catarata, por exemplo.

Compõe a semiologia ocular:

  • Exame da acuidade visual: é um dos componentes mais conhecidos do exame oftalmológico, que serve para avaliar o potencial de visão da pessoa, sendo feito com a colocação de um letreiro, com letras de diferentes tamanhos ou símbolos, em frente ao indivíduo que tenta lê-las.
  • Exame de movimentos oculares: serve para avaliar se os olhos estão alinhados;
  • Exame de fundoscopia: que serve para diagnosticar alterações na retina ou no nervo óptico;
  • Tonometria: que serve para medir a pressão dentro do olho;
  • e a Avaliação das vias lacrimais: é onde o médico analisa a quantidade da lágrima, sua permanência no olho, sua produção e sua remoção.

Outros exames para Semiologia Ocular

Além destes exames, o oftalmologista pode encaminhar o paciente para realização de outros exames mais específicos para compor a Semiologia Ocular, como a ceratoscopia computadorizada, a curva tensional diária, o mapeamento da retina, a paquimetria e a campimetria visual, dependendo das suspeitas que surgirem durante o exame oftalmológico.

Tais exames serão devidamente destrinchados nesse Super Material. Mas, por que realizar um exame oftalmológico tão detalhado? É de extrema importância que o examinador tenha completo domínio da semiologia ocular, pois por meio dela será possível diagnosticar e tratar doenças, como catarata, glaucoma, retinopatias, arterite temporal, esclerose múltipla e meningiomas.

O Olho

O olho é um órgão de forma quase esférica, que mede, no seu diâmetro anteroposterior, aproximadamente 24 mm. A parede do globo ocular é composta por três camadas: a mais externa, que realiza a função de proteção, é formada pela esclera e pela córnea; a média é altamente vascularizada e pigmentada, composta pela coróide, corpo ciliar e íris; e a parte interna é a retina, uma camada receptora que contém as fibras formadoras do nervo óptico. Para ficar mais didático, vamos iniciar falando sobre os componentes da camada externa e seguiremos a ordem de externo para interno.

Córnea

A córnea é a parte anterior transparente e protetora do olho, fica localizada na região polar anterior do globo ocular e é o meio refrativo mais importante do olho, caracterizando-se por seu alto grau de transparência. Tal transparência depende de vários fatores, incluindo a regularidade da superfície anterior epitelial, a organização regular das fibras de colágeno do estroma e a sua natureza avascular. É nutrida pelo filme lacrimal, pelo humor aquoso e pelos vasos do limbo e da conjuntiva palpebral. A córnea e o cristalino têm a função de focar a luz através da pupila para a retina, como se fosse uma lente fixa. São as lágrimas que mantêm a córnea úmida e saudável.

Esclera

A esclera é onde estão inseridos os músculos do bulbo do olho, extra-oculares. A superfície visível da esclera é coberta por uma membrana transparente e fina, chamada conjuntiva, que deriva da camada epitelial externa da córnea e que também cobre a face interna das pálpebras. É opaca e contém fibras de colágeno e elastina. Nas crianças, é mais fina e apresenta algum pigmento, o que confere a cor mais azulada. Nos idosos, entretanto, o depósito de gordura na esclera faz com que ela aparente uma coloração levemente amarelada.

Úvea

A úvea é constituída por três estruturas: a íris, o corpo ciliar e a coróide. A íris, o anel colorido que circunda a pupila, abre-se e fecha-se como a abertura da lente de uma máquina fotográfica. A dilatação da pupila, midríase, ocorre devido a estimulação do músculo responsável por esse efeito, que tem inervação simpática. Já a constrição, miose, ocorre por ação do músculo esfíncter da pupila, que tem inervação parassimpática.

A margem pupilar se localiza na superfície anterior do cristalino. Serve como um diafragma-lente-íris que divide o compartimento do humor aquoso em câmaras anterior e posterior. Esta última corresponde ao espaço limitado pela íris anteriormente e pelo cristalino posteriormente. O humor aquoso é produzido no processo ciliar do corpo ciliar e drenado da câmara posterior para a câmara anterior, a qual, por sua vez, é limitada anteriormente pela córnea, posteriormente pela íris e circunferencialmente pelas estruturas do ângulo iridocorneano.

Retina

Retina é a parte do olho dos vertebrados responsável pela formação de imagens, ou seja, pelo sentido da visão. É como uma tela onde se projetam as imagens. A retina retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico. É formada por um tecido fino, delicado e transparente, derivado do neuroectoderma, cuja função é transformar as ondas luminosas em impulsos nervosos.

As células respondem aos estímulos visuais por meio de reações fotoquímicas. É formada por camadas quando avaliada pela microscopia óptica. A luz deve atravessá-las até atingir os fotorreceptores, cones e bastonetes. Os cones funcionam melhor com luz intensa e são responsáveis pela visão central e de cores. Já os bastonetes são mais sensíveis a luz e, por isso, têm mais eficiência com baixa luminosidade. Na área central da retina, há mais cones que bastonetes, entretanto, na fóvea-área responsável pela máxima acuidade visual- , há somente cones .

Os vasos da retina são derivados da artéria e da veia central da retina. Após penetrar na retina, próximo ao disco óptico, a artéria perde sua lâmina elástica interna e sua camada muscular, transformando-se em arteríola. Entre a arteríola e a vênula, há uma rica rede capilar. Na região da fóvea não há vasos capilares e sua nutrição faz-se inteiramente pela coróide.

Conjuntiva

A conjuntiva é uma membrana mucosa, transparente e fina que tem a função de proteger a superfície do olho contra agentes externos e lubrificar o globo ocular. Ela apresenta duas porções diferentes que recebem nomes distintos.

Quando recobre a parte branca do olho, ou seja, a esclera, a conjuntiva é chamada de bulbar. No caso da porção que recobre as pálpebras, esta é denominada como tarsal. Nessa parte do olho encontramos diversos vasos sanguíneos. É pertinente ressaltar que, como toda membrana mucosa, a membrana conjuntiva é formada de epitélio escamoso estratificado não queratinizado.

Íris

A íris é a parte mais escura do olho, ocasionalmente colorida (olhos azuis ou verdes), e que tem uma abertura central, a pupila. Ela fica localizada logo atrás da córnea. A cor do olho da pessoa é definida pelo pigmento presente na íris. Ele sofre variações dependendo da quantidade de melanina armazenada, o que é definido por cerca de 150 genes diferentes.

Além de definir o tom dos olhos, a íris apresenta diversos músculos lisos que controlam a abertura e fechamento da pupila. A abertura varia em função inversa a luminosidade existente no ambiente. Assim, quanto menos luz disponível, mais a pupila dilata para um aproveitamento maior da luminosidade.

Cristalino

O cristalino é uma estrutura de consistência gelatinosa e elástica que fica localizada logo atrás da pupila. Sua estrutura é convergente e focaliza a luz que penetra na pupila, formando imagens na retina. É o cristalino que faz o ajuste fino para o foco e a leitura, por exemplo. Esse ajuste é feito por meio da flexibilidade da própria estrutura do cristalino.

É pertinente ressaltar que, entre os 40 e os 50 anos de idade, ele começa a perder essa propriedade, surgindo a presbiopia, também conhecida como “vista cansada”. Posteriormente, essa estrutura pode se tornar escura e endurecida, impedindo a passagem da luz e constituindo a catarata.

O corpo vítreo ou apenas vítreo, é uma estrutura gelatinosa e viscosa que ocupa a porção central do globo ocular. Seu volume médio é de cerca de 4 ml em cada um dos olhos. Ao nascermos, o humor vítreo tem uma consistência bem densa e, com o passar do tempo, ocorre a liquefação com consequente descolamento do mesmo. Em virtude do descolamento do vítreo passamos a perceber pequenas manchas no campo de visão, que comumente chamamos de moscas volantes.

Posts relacionados a Semiologia Ocular