Oftalmologia

Semiologia Ocular: o que é, principais exames e mais!

Semiologia Ocular: o que é, principais exames e mais!

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SanarFlix

10 min há 818 dias

Um bom médico sabe que os olhos não devem ser examinados como órgãos isolados, como se nada tivessem a ver com o restante do organismo, uma vez que doenças oculares podem refletir-se em outros setores, da mesma maneira que patologias de outros sistemas podem ter importantes manifestações nos olhos. Saiba tudo sobre a Semiologia Ocular!

O que é Semiologia Ocular

O Exame Oftalmológico é um teste que serve para avaliar os olhos, pálpebras e canais lacrimais de forma a investigar doenças oculares, como o glaucoma ou a catarata, por exemplo.

Compõe a semiologia ocular:

  • Exame da acuidade visual: é um dos componentes mais conhecidos do exame oftalmológico, que serve para avaliar o potencial de visão da pessoa, sendo feito com a colocação de um letreiro, com letras de diferentes tamanhos ou símbolos, em frente ao indivíduo que tenta lê-las.
  • Exame de movimentos oculares: serve para avaliar se os olhos estão alinhados;
  • Exame de fundoscopia: que serve para diagnosticar alterações na retina ou no nervo óptico;
  • Tonometria: que serve para medir a pressão dentro do olho;
  • e a Avaliação das vias lacrimais: é onde o médico analisa a quantidade da lágrima, sua permanência no olho, sua produção e sua remoção.

Outros exames para Semiologia Ocular

Além destes exames, o oftalmologista pode encaminhar o paciente para realização de outros exames mais específicos para compor a Semiologia Ocular, como a ceratoscopia computadorizada, a curva tensional diária, o mapeamento da retina, a paquimetria e a campimetria visual, dependendo das suspeitas que surgirem durante o exame oftalmológico.

Tais exames serão devidamente destrinchados nesse Super Material. Mas, por que realizar um exame oftalmológico tão detalhado? É de extrema importância que o examinador tenha completo domínio da semiologia ocular, pois por meio dela será possível diagnosticar e tratar doenças, como catarata, glaucoma, retinopatias, arterite temporal, esclerose múltipla e meningiomas.

O Olho

O olho é um órgão de forma quase esférica, que mede, no seu diâmetro anteroposterior, aproximadamente 24 mm. A parede do globo ocular é composta por três camadas: a mais externa, que realiza a função de proteção, é formada pela esclera e pela córnea; a média é altamente vascularizada e pigmentada, composta pela coróide, corpo ciliar e íris; e a parte interna é a retina, uma camada receptora que contém as fibras formadoras do nervo óptico. Para ficar mais didático, vamos iniciar falando sobre os componentes da camada externa e seguiremos a ordem de externo para interno.

Córnea

A córnea é a parte anterior transparente e protetora do olho, fica localizada na região polar anterior do globo ocular e é o meio refrativo mais importante do olho, caracterizando-se por seu alto grau de transparência. Tal transparência depende de vários fatores, incluindo a regularidade da superfície anterior epitelial, a organização regular das fibras de colágeno do estroma e a sua natureza avascular. É nutrida pelo filme lacrimal, pelo humor aquoso e pelos vasos do limbo e da conjuntiva palpebral. A córnea e o cristalino têm a função de focar a luz através da pupila para a retina, como se fosse uma lente fixa. São as lágrimas que mantêm a córnea úmida e saudável.

Esclera

A esclera é onde estão inseridos os músculos do bulbo do olho, extra-oculares. A superfície visível da esclera é coberta por uma membrana transparente e fina, chamada conjuntiva, que deriva da camada epitelial externa da córnea e que também cobre a face interna das pálpebras. É opaca e contém fibras de colágeno e elastina. Nas crianças, é mais fina e apresenta algum pigmento, o que confere a cor mais azulada. Nos idosos, entretanto, o depósito de gordura na esclera faz com que ela aparente uma coloração levemente amarelada.

Úvea

A úvea é constituída por três estruturas: a íris, o corpo ciliar e a coróide. A íris, o anel colorido que circunda a pupila, abre-se e fecha-se como a abertura da lente de uma máquina fotográfica. A dilatação da pupila, midríase, ocorre devido a estimulação do músculo responsável por esse efeito, que tem inervação simpática. Já a constrição, miose, ocorre por ação do músculo esfíncter da pupila, que tem inervação parassimpática.

A margem pupilar se localiza na superfície anterior do cristalino. Serve como um diafragma-lente-íris que divide o compartimento do humor aquoso em câmaras anterior e posterior. Esta última corresponde ao espaço limitado pela íris anteriormente e pelo cristalino posteriormente. O humor aquoso é produzido no processo ciliar do corpo ciliar e drenado da câmara posterior para a câmara anterior, a qual, por sua vez, é limitada anteriormente pela córnea, posteriormente pela íris e circunferencialmente pelas estruturas do ângulo iridocorneano.

Retina

Retina é a parte do olho dos vertebrados responsável pela formação de imagens, ou seja, pelo sentido da visão. É como uma tela onde se projetam as imagens. A retina retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico. É formada por um tecido fino, delicado e transparente, derivado do neuroectoderma, cuja função é transformar as ondas luminosas em impulsos nervosos.

As células respondem aos estímulos visuais por meio de reações fotoquímicas. É formada por camadas quando avaliada pela microscopia óptica. A luz deve atravessá-las até atingir os fotorreceptores, cones e bastonetes. Os cones funcionam melhor com luz intensa e são responsáveis pela visão central e de cores. Já os bastonetes são mais sensíveis a luz e, por isso, têm mais eficiência com baixa luminosidade. Na área central da retina, há mais cones que bastonetes, entretanto, na fóvea-área responsável pela máxima acuidade visual- , há somente cones .

Os vasos da retina são derivados da artéria e da veia central da retina. Após penetrar na retina, próximo ao disco óptico, a artéria perde sua lâmina elástica interna e sua camada muscular, transformando-se em arteríola. Entre a arteríola e a vênula, há uma rica rede capilar. Na região da fóvea não há vasos capilares e sua nutrição faz-se inteiramente pela coróide.

HORA DA REVISÃO: Você sabe como ocorre o processo de formação de imagem? No olho, a luz atravessa a córnea, o humor aquoso, o cristalino e o humor vítreo e se dirige para a retina, que funciona como um filme fotográfico em posição invertida. O nervo óptico transmite o impulso nervoso, provocado pelos raios luminosos, ao cérebro, que o interpreta e nos permite ver os objetos nas posições em que realmente se encontram. Nosso cérebro reúne em uma só imagem os impulsos nervosos provenientes dos dois olhos. A capacidade do aparelho visual humano de perceber os relevos deve-se ao fato de serem diferentes as imagens que cada olho envia ao cérebro. Com somente um dos olhos, temos noção de apenas duas dimensões dos objetos, largura e altura. Com os dois olhos, passamos a ter noção da terceira dimensão, a profundidade. A retina contém aproximadamente 130 milhões de bastonetes e 5,5 milhões de cones, porém, só um milhão de fibras ópticas sai da retina para o encéfalo. Isto porque um grande número de bastonetes e cones convergem para cada fibra óptica. Existem, contudo, diferenças importantes entre as retinas periférica e central, pois, a medida que se aproxima da fóvea, é cada vez menor o número de bastonetes e cones que convergem em cada fibra óptica. Isso aumenta progressivamente a acuidade visual para o centro da retina. Na porção central da retina, na fóvea, não existem bastonetes, porém, o número de fibras nervosas ópticas que deixa essa região da retina é quase igual ao de cones presentes na fóvea. Isto explica o alto grau de acuidade visual na porção central da retina, em comparação com a pouca acuidade nas porções periféricas. Outra diferença entre as porções central e periférica da retina é o fato de ser a porção periférica muito mais sensível a luz fraca. Isto resulta parcialmente da circunstância de que até centenas de bastonetes convergem na mesma fibra nervosa óptica, nas porções mais periféricas da retina. Os sinais gerados nesses bastonetes se somam, dando uma estimulação mais intensa às células ganglionares periféricas. Na retina, as únicas células sensíveis a luz são as fotorreceptoras, estimuladas por determinado comprimento de onda. A informação dos diferentes aspectos da percepção visual é transmitida ao córtex estriado através da via óptica (V1). Desta área, as informações alcançam a área V2, onde são analisadas por várias áreas associativas, funcionalmente distintas e adjacentes aos lobos occipitais, para então aperfeiçoar as informações recebidas, que serão enviadas ao córtex temporal e/ou parietal. As informações que alcançam o córtex temporal inferior envolvem o reconhecimento de formas e cores, enquanto as que alcançam o córtex parietal respondem pela interação do componente visual e motor, movimento e profundidade. Esta alta complexidade do processamento visual é o que nos possibilita perceber e identificar o que vemos.

Conjuntiva

A conjuntiva é uma membrana mucosa, transparente e fina que tem a função de proteger a superfície do olho contra agentes externos e lubrificar o globo ocular. Ela apresenta duas porções diferentes que recebem nomes distintos.

Quando recobre a parte branca do olho, ou seja, a esclera, a conjuntiva é chamada de bulbar. No caso da porção que recobre as pálpebras, esta é denominada como tarsal. Nessa parte do olho encontramos diversos vasos sanguíneos. É pertinente ressaltar que, como toda membrana mucosa, a membrana conjuntiva é formada de epitélio escamoso estratificado não queratinizado.

Íris

A íris é a parte mais escura do olho, ocasionalmente colorida (olhos azuis ou verdes), e que tem uma abertura central, a pupila. Ela fica localizada logo atrás da córnea. A cor do olho da pessoa é definida pelo pigmento presente na íris. Ele sofre variações dependendo da quantidade de melanina armazenada, o que é definido por cerca de 150 genes diferentes.

Além de definir o tom dos olhos, a íris apresenta diversos músculos lisos que controlam a abertura e fechamento da pupila. A abertura varia em função inversa a luminosidade existente no ambiente. Assim, quanto menos luz disponível, mais a pupila dilata para um aproveitamento maior da luminosidade.

Cristalino

O cristalino é uma estrutura de consistência gelatinosa e elástica que fica localizada logo atrás da pupila. Sua estrutura é convergente e focaliza a luz que penetra na pupila, formando imagens na retina. É o cristalino que faz o ajuste fino para o foco e a leitura, por exemplo. Esse ajuste é feito por meio da flexibilidade da própria estrutura do cristalino.

É pertinente ressaltar que, entre os 40 e os 50 anos de idade, ele começa a perder essa propriedade, surgindo a presbiopia, também conhecida como “vista cansada”. Posteriormente, essa estrutura pode se tornar escura e endurecida, impedindo a passagem da luz e constituindo a catarata.

O corpo vítreo ou apenas vítreo, é uma estrutura gelatinosa e viscosa que ocupa a porção central do globo ocular. Seu volume médio é de cerca de 4 ml em cada um dos olhos. Ao nascermos, o humor vítreo tem uma consistência bem densa e, com o passar do tempo, ocorre a liquefação com consequente descolamento do mesmo. Em virtude do descolamento do vítreo passamos a perceber pequenas manchas no campo de visão, que comumente chamamos de moscas volantes.

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