Urgência e Emergência

Sepse: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico, tratamento e particularidades

Sepse: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico, tratamento e particularidades

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Sanar Pós Graduação

7 min há 52 dias

Não deixe de aprender sobre a definição da sepse, fisiopatologia da sepse, diagnóstico e conduta da sepse, sepse neonatal ou sobre choque séptico. Você também pode ver aqui o CID-10 da Sepse.

Definição

Veja mais sobre a definição e epidemiologia da sepse.

Sepse é uma disfunção orgânica (Caracterizada por SOFA ≥ 2) potencialmente fatal, causada por uma resposta imune desregulada do hospedeiro a uma infecção.

Choque séptico é definido como sepse associada à hipotensão que persiste após ressuscitação com fluidos e que necessita de drogas vasopressoras ou na presença de hiperlactatemia após reanimação volêmica adequada.

Epidemiologia da Sepse

Apesar da mortalidade global da sepse apresentar redução nos últimos 20 anos, devido a melhoria no atendimento na emergência, a incidência da síndrome aumenta, o que justifica a elevação do número de mortes ao longo dos anos.

Alguns fatores contribuem para essa tendência, como o aumento da população e da expectativa de vida, aumentando a população suscetível de pessoas com idade avançada, doenças crônicas e imunossuprimidos.

Além disso, o uso indiscriminado de antibióticos e o consequente surgimento de resistência bacteriana a essas drogas representam um desafio a mais.

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Fisiopatologia

A causa da sepse é multifatorial e inclui os efeitos diretos dos microrganismos invasores ou de seus produtos tóxicos, liberação exagerada de mediadores inflamatórios e ativação do complemento. Além disso, alguns indivíduos podem ser geneticamente propensos a desenvolver esta síndrome. 

A fisiopatologia da sepse envolve fatores pró-coagulantes, fluxo microcirculatório, com piora da hipóxia tecidual, desvio do metabolismo aeróbio para o anaeróbio e o aumento da produção de lactato. 

A resposta endotelial aumenta a quimiotaxia de células para o local da infecção, mas também promove trombose microvascular, Coagulação intravascular disseminada (CIVD), aumento na permeabilidade capilar e hipotensão. 

Se aprofunde na fisiopatologia da sepse.

Manifestações clínicas da Sepse

As manifestações clínicas são variadas e dependem do sítio inicial da infecção, idade e condições prévias de saúde do paciente e do germe causador da doença.

  • Pressão arterial reduzida na sepse grave e no choque séptico;
  • Taquicardia é frequente;
  • Tempo de enchimento capilar aumentado (>4,5s) é um indicador de hipoperfusão tecidual e é um marcador para guiar a ressuscitação com fluidos;
  • Extremidades quentes e úmidas podem ocorrer pela vasodilatação, mas os pacientes podem apresentar extremidades frias, cianose e livedo reticular;
  • A febre pode ou não estar presente;
  • Agitação, inquietação, confusão delirium e coma;
  • Achados de insuficiência cardíaca podem ocorrer tardiamente pela disfunção cardíaca própria da sepse;
  • Taquipneia, desconforto respiratório, uso da musculatura acessória;
  • Oligúria é frequente;
  • Estase, hipomotilidade e desconforto abdominal. Pode evoluir com hemorragia digestiva e isquemia mesentérica.

Diagnóstico de sepse e choque séptico

Veja com mais detalhes sobre o diagnóstico da sepse.

Quick SOFA (q-SOFA ou SOFA rápido: 0-3 pontos)

Objetivo: Rastreamento de pacientes com probabilidade de ter sepse.

Faz o diagnóstico precoce de sepse, sendo uma ferramenta para usar à beira do leito que identifica pacientes com suspeita/documentação de infecção que estão sob maior risco de desfechos adversos.

Critérios

  • PA Sistólica < 100 mmHg
  • FR > 22 ipm
  • Alteração Estado Mental (Glaslow < 15) 

Se Qsofa positivo, aplicar o escore SOFA que avalia disfunção orgânica.

Critério clínico da sepse

 Infecção documentada ou suspeitada e aumento agudo de ≥ 2 pontos no escore SOFA em resposta a uma infecção (representando disfunção orgânica).

Critério clínico do choque séptico

Paciente com sepse e necessidade de vasopressor para manter a pressão arterial média (PAM) acima de 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L (18 mg/dL) após reanimação volêmica adequada. 

Tratamento da sepse e choque séptico

Em até 3 horas:

  • Deve ter uma dosagem do lactato;
  • Obter hemocultura antes da administração de antibióticos, sem atrasar a antibioticoterapia;
  • Administrar antibióticos de largo espectro;
  • Administrar 30ml/kg de cristalóide no paciente com hipotensão ou lactato >/= 4mmol/L.

Em até 6 horas:

  • Prescrever noradrenalina para manter PAM >64mmHg se hipotensão não responsiva à reposição volêmica;
  • Nova dosagem de lactato se a inicial estiver elevada. 

Verifique sobre a conduta no choque séptico.

Resumo dos principais pontos

  • O paciente séptico deve ser identificado rapidamente;
  • Os critérios do q-SOFA são: PA sistólica < 100mmHg; FR>22ipm e alteração do estado mental;
  • As primeiras 3 a 6 horas do tratamento são essenciais e, se bem conduzidas, reduzem a morbimortalidade do paciente;
  • Ressuscitação com fluidos deve ser precoce e agressiva;
  • Coleta de culturas, antibioticoterapia precoce e controle de foco infeccioso (se necessário);
  • Não tolerar hipotensão e prescrever noradrenalina, se necessário, para manter a PAM > 65 mmHg;
  • Hidrocortisona é indicada se aumento frequente da noradrenalina ou em choque refratário a noradrenalina;
  • Vasopressina ou epinefrina são úteis no choque refratário.

Veja também sobre a sepse neonatal.

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Referências:

Instituto Latino-Americano para Estudos da Sepse. Sepse: um problema de saúde pública / Instituto Latino-Americano para Estudos da Sepse. Brasília: CFM, 2015.

Martins, HS, Brandão, RA, Velasco, IT. Emergências Clínicas – Abordagem Prática – USP. Manole, 12ª edição, 2018.

Martins H S, Santos R , Arnaud F et al. Medicina de Emergência: Revisão Rápida. 1ª edição. Barueri, SP: Manole, 2016.

Oliveira, CQ, Souza, CMM, Moura, CGG. Yellowbook: Fluxos e condutas da medicina interna. SANAR, 1ª ed, 2017.

Procianoy R, Silveira R. The challenges of neonatal sepsis management. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, 2020.

Procianoy R, Silveira R. Uma revisão atual sobre sepse neonatal. Boletim Científico de Pediatria-Vol 1, Nº1, 2012

Singer, M., Deutschman, C. S., Seymour, C. W., Shankar-Hari, M., Annane, D., Bauer, M., … Angus, D. C. (2016). The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). Jama, 315(8),801–10. doi:10.1001/jama.2016.0287

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