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Fisiopatologia da sepse

Fisiopatologia da sepse

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5 min há 67 dias

A fisiopatologia da sepse é multifatorial e inclui os efeitos diretos dos microrganismos invasores ou de seus produtos tóxicos, liberação exagerada de mediadores inflamatórios e ativação do complemento. Além disso, alguns indivíduos podem ser geneticamente propensos a desenvolver sepse.

A sepse ocorre quando a resposta à infecção se torna generalizada e envolve tecidos distantes da área primária que foi infectada.

Efeitos diretos dos microorganismos na fisiopatologia da sepse

Os componentes da parede celular bacteriana (endotoxina, peptidoglicano, dipeptídeo muramil e ácido lipoteicóico) e produtos bacterianos (enteroxina B estafilocócica, toxina -1) podem contribuir para a progressão de uma infecção para sepse.

A endotoxina está envolvida com as principais características da sepse, como ativação do complemento, coagulação e sistemas fibrinolíticos, levando a trombose microvascular e à produção de produtos vasoativos, como a bradicinina.

Continue melhorando sua prática clínica com nossos textos sobre a definição da sepse, diagnóstico e conduta da sepse, sepse neonatal ou sobre choque séptico. Você também pode ver aqui o CID-10 da Sepse ou a visão geral da sepse.

Ação dos mediadores pró-inflamatórios

O excesso de citocinas pró-inflamatórias (TNF-alfa e interleucina-1) podem se espalhar para a corrente sanguínea e contribuir para a progressão de uma infecção local para sepse.  Estas citocinas podem causar febre, hipotensão, leucocitose, indução de outras citocinas pró-inflamatórias e ativação simultânea de coagulação e fibrinólise.

O papel da ativação do sistema complemento na fisiopatologia da sepse

O sistema complemento é uma cascata de proteínas que auxilia na eliminação de patógenos de um organismo. Estudos demonstram que a ativação do sistema complemento desempenha um papel importante na sepse, aumentando a inflamação, a permeabilidade vascular, e consequentemente a mortalidade.

Efeitos sistêmicos da sepse

Isquemia tecidual

A lesão celular que ocorre na sepse é explicada pela isquemia tecidual, lesão celular direta por mediadores pró-inflamatórios e uma taxa alterada de apoptose.

A isquemia tecidual na sepse ocorre devido a um distúrbio na autorregulação metabólica, lesões microcirculatórias e endoteliais, que reduzem a área de troca de oxigênio e consequentemente a oxigenação tecidual.

Outro fator que contribui para a isquemia é a perda da mobilidade dos eritrócitos na circulação sistêmica, reduzindo o fluxo de oxigênio para os tecidos.

Lesão citopática

Mediadores pró-inflamatórios ou produtos da inflamação podem gerar disfunção mitocondrial induzida por sepse, através da da inibição direta de complexos de enzimas respiratórias, dano por estresse oxidativo e quebra de DNA mitocondrial, o que leva a citotoxicidade.

Efeitos específicos da sepse

Circulação

A hipotensão é a disfunção circulatória mais grave na sepse. É provavelmente proveniente da liberação de mediadores vasoativos (prostaciclina e óxido nítrico), produzidos pelas células endoteliais. A redução na liberação compensatória de vasopressina também pode contribuir para a vasodilatação.

A hipotensão também pode ser causada pela redistribuição de fluido intravascular.

Pulmão

A lesão endotelial na vasculatura pulmonar durante a sepse altera o fluxo sanguíneo capilar e aumenta a permeabilidade microvascular, gerando edema intersticial e alveolar. Pode ocorre a síndrome do desconforto respiratório em consequência dessa alteração.

Trato Gastrointestinal

A sepse pode facilitar a translocação de bactérias e endotoxinas para a circulação sistêmica e ampliar a resposta séptica.

Fígado

A disfunção hepática pode reduzir a eliminação de endotoxinas e produtos de bactérias, o que impede a resposta eficaz de citocinas e permite o fluxo desses produtos para a circulação sistêmica.

Sistema Nervoso Central

A disfunção da barreira hematoencefálica na sepse provavelmente contribui para o aumento da infiltração de leucócitos, exposição a mediadores tóxicos e transporte ativo de citocinas através da barreira, podendo gerar alteração do sensório e outras consequências neurológicas.

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Referências

Singer, M., Deutschman, C. S., Seymour, C. W., Shankar-Hari, M., Annane, D., Bauer, M., … Angus, D. C. (2016). The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). Jama, 315(8),801–10. doi:10.1001/jama.2016.0287

Niviere R. Pathophysiology of sepsis. UptoDate, 2021. Acesso em 14 de abril de 2021. Disponível em: https://www.uptodate.com

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