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Sepse neonatal

Sepse neonatal

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6 minhá 19 dias

A sepse neonatal é uma síndrome clínica com alterações hemodinâmicas e outros sinais sistêmicos de infecção decorrentes da presença de bactéria, vírus ou fungo no sangue ou líquor, no primeiro mês de vida.

Se constitui como uma causa importante de sequelas neurocognitivas e de morbimortalidade infantil.

Classificação

A sepse neonatal é classificada em precoce ou tardia. De forma geral, é dita precoce quando o quadro ocorre nas primeiras 72h de vida. A tardia é a que se inicia após as 72h de vida.

A sepse neonatal precoce ocorre no período periparto, antes ou durante o parto. Os germes geralmente são adquiridos do trato genito-urinário materno, sendo os mais frequentes Streptococcus do grupo B e Escherichia coli.

No caso da sepse neonatal tardia, o acometimento é mais frequente em recém-nascidos hospitalizados por longos períodos. Os germes mais frequentes são aqueles adquiridos no ambiente hospitalar, como bactérias gram-negativas, Staphylococcus aureus, Staphylococcus coagulase negativo e os fungos.

Continue melhorando sua prática clínica com nosso textos sobre a definição da sepse, fisiopatologia da sepse, diagnóstico e conduta da sepse ou sobre choque séptico. Você também pode ver aqui o CID-10 da Sepse ou a visão geral da sepse.

Sepse neonatal precoce

Fatores de risco

  1. Colonização por Streptococcus agalactiae: gestante que não fez a profilaxia intraparto tem maior chance do seu recém-nascido (RN) ter sepse neonatal.
  2. Ruptura de membranas amnióticas por mais de 18 horas.
  3. Corioamnionite: aumenta a possibilidade de infecção neonatal precoce.
  4. Infecção urinária no parto

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas do RN são inespecíficas e variadas. É necessário associar os fatores de risco para suspeitar e iniciar a investigação e tratamento.

Sinais clínicos que podem ser encontrados:

  • Dificuldade respiratória (taquipneia, gemência, retrações torácicas, batimentos de asas nasais), apneia;
  • Taquicardia ou bradicardia;
  • Má perfusão ou choque;
  • Letargia, irritabilidade, hipotonia, convulsões;
  • Febre ou hipotermia;
  • Icterícia sem outras causas determinantes;
  • Distensão abdominal, vômitos e diarreia;
  • Petéquias ou púrpura.

A suspeita de sepse neonatal é maior na presença de manifestações de 3 sistemas distintos ou de 2 sistemas associado a um fator de risco materno.

Exames laboratoriais

Na suspeita de sepse neonatal precoce devem ser colhidos hemocultura e líquor. A urocultura não é empregada na rotina de investigação da sepse neonatal precoce, exceto em RN com diagnóstico fetal de malformação do trato urinário.

Níveis séricos baixos de PCR podem auxiliar na exclusão do diagnóstico em RN com hemocultura negativa.

Antibioticoterapia

Tratamento empírico: Ampicilina + Gentamicina.

A maior duração do tratamento antimicrobiano aumenta o risco para ocorrência de enterocolite necrosante. Dessa forma, o tempo de tratamento deve ser baseado na evolução clínica e repetição do exame microbiológico.

Prevenção da sepse neonatal causada por Streptococcus agalactiae

  • Pesquisa em todas as gestantes se há colonização por estreptococo entre 35 e 37 semanas e fazer a quimioprofilaxia durante o trabalho de parto ou no momento da rotura de membranas, se indicado.
  • Mulheres que tiverem filho infectado por estreptococo em gestação anterior devem receber quimioprofilaxia.
  • Se resultado do rastreamento é desconhecido, a gestante deve receber quimioprofilaxia se idade gestacional < 37 semanas; tempo de rotura de membranas > 18horas ou apresentar febre durante o trabalho de parto.

Sepse neonatal tardia

Fatores de risco

  • Prematuridade;
  • Lesões e lacerações de pele e mucosa propiciam invasão bacteriana;
  • Uso de cateteres centrais por longo período;
  • Intubação traqueal;
  • Uso de bloqueadores H2: a acidez gástrica é uma barreira para proliferação e invasão bacteriana;
  • O uso por mais de 5 dias de antibioticoterapia empírica para sepse neonatal precoce aumenta a chance de sepse neonatal tardia.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas são as mesmas da sepse neonatal precoce, lembrando que são inespecíficas.

Exames laboratoriais

Um RN com suspeita de sepse neonatal tardia, deve ser submetido a coleta de hemocultura, liquor e urocultura.

A hemocultura deve ser colhida em dois sítios e a urina coletada em punção suprapúbica ou sondagem estéril.

O hemograma e o PCR tem melhor valor preditivo negativo do que valor preditivo positivo.

Antibioticoterapia

Tratamento empírico: oxacilina e amicacina.

A sepse causada por estafilococo coagulase negativa geralmente tem um curso mais brando e evolução subaguda, permitindo a observação do paciente em uso de oxacilina por 48h, para avaliar a eventual necessidade de troca do antibiótico.

Após a identificação do germe, a antibioticoterapia deve ser direcionada de acordo com o antibiograma.

Prevenção

  • Lavagem de mãos e uso de álcool gel;
  • Manuseio mínimo do RN com cautela no manejo de cateteres centrais;
  • Alimentação enteral trófica para estímulo da trato gastrointestinal e maturidade intestinal;
  • Uso de leite materno, que confere propriedades anti-infecciosas;
  • Uso de probióticos e lactoferrina ainda são questionadas.

Prognóstico da sepse neonatal

Esta síndrome apresenta elevada mortalidade e pode acarretar atraso no desenvolvimento neurológico, hemorragia cerebral grave e leucomalácia periventricular.

A prematuridade é um dos principais fatores de risco para a sepse neonatal precoce e tardia, pois há menor produção de citocinas pró-inflamatórias e diminuição da imunidade celular, além de outros comprometimentos imunológicos no RN.

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Referências

Procianoy R, Silveira R. The challenges of neonatal sepsis management. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, 2020.

Procianoy R, Silveira R. Uma revisão atual sobre sepse neonatal. Boletim Científico de Pediatria-Vol 1, Nº1, 2012.

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