Taquicardia supraventricular (TSV) é uma
taquiarritmia comum e de início súbito, que apresenta ritmo regular e pode
chegar à frequência cardíaca acima de 200 bpm, cujos impulsos são originados
acima do nó atrioventricular. Usualmente, é encontrada em adultos jovens sem
nenhuma doença cardíaca subjacente e costuma acometer majoritariamente mulheres.
Vale salientar que, em alguns casos, o álcool, café ou apenas uma pura
excitação ou ritmo de extrassístole atrial podem levar a uma TSV. O tipo mais
comum de mecanismo gerador é a reentrada nodal.
Caracteristicamente, se apresenta como uma
taquicardia de R-R regular com QRS estreito, por ser originada em região
atrial. Entretanto, há situações em que essa arritmia se apresenta com QRS
alargado, simulando uma taquicardia ventricular.
Taquicardia Ventricular
A taquicardia ventricular (TV) se caracteriza
como uma taquiarritmia com no mínimo três complexos QRS alargados, cujo impulso
elétrico é originado da região ventricular, em que a condução é lenta. Pode se
apresentar como monomórfica (QRS semelhantes, cuja causa principal são infarto
e doença de Chagas) ou polimórfica (QRS com duas ou mais morfologias). É
importante salientar que 20% dos QRS largos são derivados de TSV com aberrância
de condução!
A
taquicardia ventricular sustentada, quando ocorre acima de 30 segundos, ocorre
geralmente em pessoas com cardiopatias estruturais, como insuficiência cardíaca
e cardiomiopatia, sendo mais comum em idosos. Raramente essa arritmia se
desenvolve em jovens sem carrdiopatias estruturais. Nessa população, pode
ocorrer, por exemplo, devido à síndrome do QT longo (congênita ou causada pelo
uso de medicamentos) e síndrome de Brugada.
O Torsades de Pointes é uma TV
polimórfica, cuja polaridade muda como uma espiral retorcida. Ocorre
principalmente em pacientes com Síndrome do QT longo, usualmente com uma frequência
entre 200 e 250 bpm.
Diagnóstico da taquicardia
Sintomas
Em ambas as patologias, o quadro clínico varia
desde assintomático à presença sintomas como palpitações, dispneia, precordialgia,
transtornos visuais e síncope. A TV pode levar à parada cardíaca, e sua apresentação
crônica pode gerar insuficiência cardíaca. A aceleração da frequência cardíaca pode
persistir por poucos minutos a várias horas.
O diagnóstico deve
ser iniciado pelo exame físico em busca de sinais de repercussão hemodinâmica,
como rebaixamento do nível de consciência, hipotensão, edema agudo de pulmão,
entre outros. Deve-se realizar a anamnese para investigar a existência de
patologias associadas, cardiopatias, história familiar de morte súbita,
atividades precipitantes e uso de substâncias e medicamentos.
Critérios
diagnósticos
É importante fazer o diagnóstico diferencial
entre TV e TSV com aberrância, que apresentam características semelhantes ao
eletrocardiograma, com QRS alargado (≥120ms).
O algoritmo de Vereckei é avaliado a partir da derivação avR e apresenta melhores resultados nesse rastreio. Os critérios de Brugada, por sua vez, é o algoritmo mais utilizado, com sensibilidade de 98,7% e especificidade de 96,5% para o diagnóstico de TV.

Critérios de Vereckei

Vi/Vt = razão da velocidade de ativação ventricular
| TV | TSV | |
| V1 |
R monofásico, complexos QR ou RS |
QRS trifásico |
| V6 |
R monofásico, complexos QRS ou QR, relação R/S < 1 |
QRS trifásico, relação R/S > 1 |
| TV | TSV | |
| V1 ou V2 |
Onda R > 30 ms, > 60 ms ao nadir do S, ou “entalhe” na onda S |
Padrão Rs EM v1-v2, similar ao padrão do BRE |
| V6 |
QR ou QS, R monofásico |
Padrão R-R’, similar ao BRE |
Critérios morfológicos de Brugada*
Com o intuito de testar um critério mais simples,
Pava et al publicaram um estudo em
2010 que mostrou que, ao avaliar-se o complexo QRS em DII, se o intervalo de tempo entre o início do QRS e a primeira mudança
de polaridade for ≥ 50 ms, é uma TV. Por exemplo, se o complexo QRS começar por
uma positiva (onda R), calcula-se o intervalo entre ela e a primeira mudança de
polaridade da onda R, quando a mesma começa a se dirigir para baixo. A
sensibilidade do critério de Pava é de 93,2%, e a especificidade, de 99,3%.
Mais recentemente, em 2015, o Dr. Francisco Santos propôs, em sua tese de doutorado, um novo algoritmo, que diferentemente dos demais, utiliza apenas critérios visuais de simples aplicabilidade. A sensibilidade desde algoritmo foi de 68,7%, com valor preditivo positivo de 85,8% e acurácia de 73,8%.

Tratamentos da taquicardia
Taquicardia Supraventricular
Frequentemente, manobras vagais, que estimulam
o sistema nervoso parassimpático, são eficazes em extinguir o mecanismo
causador desta taquiarritmia. As manobras mais utilizadas
são massagem no seio carotídeo (contraindicada em casos de sopro audível em
carótidas ou em pacientes idosos) e manobra de Valsalva modificada. Caso não
haja reversão, administra-se:
- Adenosina
6mg IV bolus; em caso refratário, repetir com 12mg. Ocorre sucesso em 90% das
vezes.
Vale lembrar que o paciente
deve ser comunicado sobre a sensação desagradável de parada, pois, a adenosina
impede os impulsos elétricos por um curto período.
Nos pacientes instáveis, deve-se realizar a
cardioversão elétrica sincronizada, que consiste em uma descarga elétrica
sincronizada à despolarização ventricular. Isso permite que o nó sinoatrial
reassuma o ritmo cardíaco, fazendo com que o coração retorne ao ritmo sinusal.
Atualmente a carga sugerida para tal procedimento varia de 50 a 100 J nos
aparelhos bifásicos. Nos pacientes estáveis, conscientes e orientados, deve-se
realizar analgesia e sedação, se necessário cardiovertê-los, enquanto nos
instáveis e com risco iminente de morte, a cardioversão deve ser realizada
imediatamente.
Taquicardia Ventricular
O tratamento tem como objetivo otimizar o manejo das cardiopatias, atenuar sintomas das arritmias, minimizar recorrência e evitar a morte súbita, indicando o cardioversor-desfibrilador implantável quando necessário. Os betabloqueadores são a droga de primeira linha para prevenção primária de morte súbita, tanto nas cardiopatias dilatadas como nas isquêmicas. Contudo, no paciente que já apresentou TV ou fibrilação ventricular revertida, a amiodarona é a droga de escolha e a única opção quando há cardiopatia estrutural grave. O sotalol pode ser utilizado no paciente com função ventricular preservada, e a lidocaína é opção na TV pós-infarto.
O tratamento não farmacológico feito através da
ablação por cateter é usualmente indicado nos pacientes com TV recorrente e refratária
ao tratamento farmacológico, ou até mesmo nos pacientes que estão utilizando o
CDI diversas vezes para ajustar a manutenção farmacológica.
Já o CDI, está indicado nos casos de TV espontânea com duração maior que 30 segundos, com fração de ejeção ventricular < 35% e com mais de um ano de expectativa de vida e na TV sustentada refratária à terapia farmacológica.
Confira o vídeo:
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Produzido por:
Liga: Liga Acadêmica de Cardiologia da Paraíba
(CARDIOLIGA-PB)
Autores: Rayanne Kalinne Neves Dantas
Revisor: Ivson Cartaxo Braga
Orientador: Ivson Cartaxo Braga
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