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Anamnese: definição e importância | Colunistas

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Introdução

O termo “Anamnese” vem do grego (Aná = trazer de novo e Mnesis = memória). Partindo da etimologia do termo, inferimos que a anamnese tem como um dos seus principais objetivos rememorar fatos relacionados ao paciente e à doença, de modo a constituir, assim, a história clínica com base na doença atual.  A anamnese, por representar o primeiro contato do médico com o paciente, tem crucial importância no fortalecimento do vínculo entre ambos, caso esse vínculo seja perdido, em decorrência de uma anamnese mal feita, torna-se muito difícil recuperá-lo. Para estudantes e médicos inexperientes, essa etapa do processo clínico pode representar um grande desafio, haja vista a dificuldade tanto do processo de abordagem ao paciente, quanto da seleção de questionamentos necessários para a elucidação do quadro sintomatológico. De todo modo, é indiscutível a importância de uma boa anamnese para a satisfatória evolução do quadro clínico do paciente.

No entanto, o uso da anamnese não se encontra restrito somente à medicina, podendo ser visto, também, em áreas como odontologia e farmacologia. No âmbito médico, é por meio desse processo de “triagem” que a medicina torna-se mais humanizada e, portanto, mais próxima do paciente. Atualmente, muitos médicos privilegiam a técnica em detrimento do tato e, dessa forma, acabam adotando uma postura indiferente e, por vezes fria, em relação ao paciente. Sabidamente, a técnica tem insubstituível papel na prática médica, mas é a postura em relação ao paciente que determinará o sucesso do seu diagnóstico e posterior atuação terapêutica.

Quais os objetivos da anamnese?

Como já mencionado anteriormente, a anamnese pretende conhecer os determinantes epidemiológicos capazes de influenciar o processo de saúde-doença, executar o histórico clínico com base na história da doença atual (HDA), avaliar o estado de saúde passado do paciente, reconhecer a queixa principal e avaliar o paciente de forma mais abrangente, considerando não só seus sintomas, mas também fatores subjetivos como questões pessoais e familiares, hábitos de vida e cultura. Essa etapa clínica reunirá, dessa forma, um compilado de informações que ajudarão no raciocínio diagnóstico.

Quais os tipos de anamnese?

É importante salientarmos que a anamnese representa mais do que uma simples conversa, ela possui objetivos claros e predeterminados que deverão ser atingidos mediante a correta condução da conversa pelo médico. Nesse processo, o médico poderá optar por três tipos de anamnese, são elas:

Ativa

Nesse tipo, o médico conduzirá a entrevista de forma acentuada, com longos e frequentes momentos de fala. O risco dessa abordagem decorre da possibilidade de dificultar o relato do paciente, de forma a permitir que as próprias concepções preestabelecidas do profissional exerçam demasiada influência sobre o raciocínio clínico. Há, nesse contexto, iminente perigo de enfraquecimento da relação médico-paciente. Contudo, em alguns momentos, o modo ativo de abordagem pode ser bem-vindo. 

Passiva

Nesse tipo de abordagem, o médico fala menos. Sua participação torna-se mais observativa e reflexiva, concedendo quase total espaço de fala para o paciente e deixando que ele conduza a entrevista. O risco dessa forma de anamnese decorre da possibilidade de o paciente interpretá-la como desinteresse por parte do médico. Além disso, sem a condução médica, o paciente pode perder-se no relato, discorrendo sobre informações pouco relevantes para o diagnóstico e omitindo aspectos importantes. Já em pontuais circunstâncias, como em situações nas quais o paciente esteja psiquicamente abalado, o silêncio pode tornar-se uma boa escolha por parte do profissional.

Mista

Muitas vezes julgada como a melhor forma de anamnese, a entrevista mista procura mesclar aspectos da anamnese ativa e passiva. Assim, o médico acaba optando por alternar entre momentos em que adotará uma postura mais observativa e outros nos quais conduzirá a entrevista de forma mais enfática.

Principais etapas da anamnese

Identificação

Nessa etapa serão coletadas informações como nome, idade, profissão, naturalidade, procedência e religião.

Queixa Principal

Nessa fase do processo, pergunta-se, ao paciente, sobre o principal motivo que o levou a procurar auxílio médico

História da doença atual

Nessa etapa faz-se um apanhado dos eventos semiológicos relacionados à queixa principal. É comum, pois, o questionamento de quando começou os sinais sintomatológicos, seus padrões, duração e comportamento.

História da doença pregressa

Aqui, faz-se uma retomada do histórico do paciente. Para isso, pergunta-se por quais doenças o paciente já foi acometido, quais tratamentos realizou, se já fez cirurgias ou sofreu traumas.

Interrogatório sintomatológico

Nessa etapa busca-se reconhecer a ausência ou a presença de sintomas relacionados a cada sistema corporal. Essa fase da anamnese, além de contribuir para a elucidação do diagnóstico relacionado à queixa principal, permite até mesmo que o médico reconheça sintomas não necessariamente relacionados a essa queixa, levantando a possibilidade de enfermidades adjacentes.

Antecedentes pessoais, familiares, hábitos e condição socioeconômica

Durante essa etapa cabe ao médico priorizar a pessoa sobre a doença. Em virtude disso, o profissional objetivará conhecer um pouco mais sobre a configuração familiar de seu paciente, sobre seus hábitos de vida (se bebe, fuma ou pratica atividade física) e sobre sua condição socioeconômica, uma vez que tal fator terá implicação direta no tipo de tratamento ofertado, de modo a torná-lo o mais acessível quanto possível.

Conclusão

Ficou clara, pois, a importância da anamnese para o sucesso do tratamento médico. Diante disso, é importante lembrarmos que uma abordagem médica mais humanizada e, desse modo, centrada na pessoa, não é tarefa apenas do Médico de Família e Comunidade atuante na atenção primária. O médico não deve, portanto, terceirizar a função de conhecer seus próprios pacientes para equipamentos tecnológicos ou para recepcionistas. Torna-se imprescindível, ainda, desconstruir a ideia de que exames complementares são capazes de substituir omissões advindas de uma anamnese mal feita. A anamnese, na posição de insubstituível prática do método clínico, fundamenta, portanto, a execução de um ofício médico mais humano e, dessa forma, mais eficiente.

AUTORA: VITÓRIA YOHANA PASSOS OLIVEIRA

INSTAGRAM: VITORIA.YOH

Referências

  1. A importância da anamnese na relação médico-paciente – A importância da anamnese na relação médico-paciente. | Colunistas

2.       Importância da anamnese e do exame físico para o cuidado do enfermeiro – https://www.scielo.br/j/reben/a/dgpS47vnDqfq7T7XLdj68RC/?lang=pt

3.        Semiologia Médica – Celmo Celeno Porto – 7ª Edição. 2013. Editora Guanabara Koogan.

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O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


 

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