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Resumo sobre Anemia: epidemiologia, tratamento e mais!

Resumo sobre Anemia: epidemiologia, tratamento e mais!

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Neste resumo sobre Anemia, você entenderá tudo sobre a doença além de conferir um mapa mental completo para ajudar nos seus estudos.

Continue a leitura. Bons estudos!

Resumo sobre anemia

Anemia é definida como a redução da concentração de hemoglobina do sangue abaixo de 13,5 g/dL em homens adultos e 11,5 g/dL em mulheres adultas.

Essa diminuição geralmente é acompanhada por redução da contagem de eritrócitos e do hematócrito, porém esses valores podem ser normais em alguns pacientes com níveis baixos de hemoglobina.

Raramente a anemia é a doença principal, na maioria das vezes é uma alteração secundária de uma doença de base. Por isso é fundamental além de estabelecer o diagnóstico da anemia, buscar suas possíveis causas.

Imagem de um mapa mental de um resumo sobre anemia

Epidemiologia da Anemia

Sendo um dos principais problemas de saúde pública, a anemia afeta cerca de 2 bilhões de pessoas em todo mundo.

Tem alta prevalência e incidência, sobretudo em países em desenvolvimento, mas também afeta os países industrializados.

A causa associada mais comum é a deficiência de ferro, principal carência nutricional negligenciada no mundo.

A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) de 2006 mostra que a prevalência de deficiência de ferro entre crianças menores de 5 anos no Brasil é de 20,9%, com prevalência de 24,1% em menores de 2 anos e de 29,4% das mulheres férteis.

Fisiopatologia da anemia

Os eritrócitos originam-se de células tronco hematopoiéticas da medula óssea que se dividem até formar o reticulócito, precursor da hemácia e que já pode ser detectado no sangue periférico.

Os reticulócitos duram cerca de 24/48 horas até serem convertidos em hemácias sendo o hormônio envolvido nesse processo a eritropoetina produzida no rim e fígado que estimula a eritropoese a partir do nível de oxigênio tecidual.

A anemia pode ser consequência de três mecanismos principais:

  • Diminuição da sobrevida dos eritrócitos (hemorragias agudas/hemólise);
  • Defeitos na produção medular (hipoproliferação);
  • Defeitos na maturação dos eritrócitos (eritropoese ineficaz);

Na anemia por hemorragias as manifestações dependem da velocidade de instalação do quadro. Uma hemorragia aguda, como nos traumas, pode levar rapidamente ao choque, enquanto a hemorragia crônica, comum em sangramentos do trato gastrointestinal, pode haver uma redução muito significante dos eritrócitos sem apresentar sintomas.

O aumento dos reticulócitos, como compensação medular, não ocorre inicialmente nas hemorragias agudas, devido ao curto período para proliferação. Diferente da anemia hemolítica que está associada a altos índices de reticulócitos devido a compensação.

A anemia hipoproliferativa pode ser resultado da redução da eritropoetina, como ocorre na insuficiência renal, pela carência de vitamina B12, ferro e ácido fólico, fundamentais para o processo de eritropoese, ou devido a doenças inflamatórias e neoplásicas.

Resumo sobre anemia: quadro clínico

 Os sintomas estão associados a redução do transporte de oxigênio pelo sangue, alteração do volume sanguíneo total e a resposta compensatória cardiopulmonar.

Quanto mais abrupta a queda nos níveis de hemoglobina e/ou volume sanguíneo, mais intensos são os sintomas. É o que ocorre nas hemorragias agudas ou crises hemolíticas em que os pacientes podem apresentar dispneia, palpitação, tontura e fadiga.  

Já nas anemias crônicas, como a ferropriva, o paciente pode permanecer assintomático ou pouco sintomático, mesmo com baixos níveis de hemoglobina.

O sinal mais comum das anemias é a palidez, que é mais bem detectada nas mucosas da boca, conjuntivas e leito ungueal.

Também pode ocorrer icterícia e esplenomegalia sugerindo anemia hemolítica, a glossite pode ocorrer nas anemias carenciais e úlceras de pernas são comuns na anemia falciforme.

Outros sintomas associados a anemias são:

  • Cefaleia;
  • Vertigem;
  • Hipotensão postural;
  • Fraqueza muscular.

Classificação das anemias

Existem diversas formas de classificar as anemias. A mais comum é segundo critérios morfológicos ou fisiopatológicos:

  • Classificação morfológica das anemias:

Macrocítica

Hipercrômica

Microcítica

Hipocrômica

Normocítica

Normocrômica

VCM > 100 fl

HCM > 34 g/dL

VCM < 80 fl

HCM < 28 g/dL

VCM 80 – 100 fl

HCM 28 – 34 g/dL

Exemplo: anemia megaloblástica

Exemplo: anemias ferroprivas

Exemplo: anemias hemolíticas, anemia aplástica

  • Classificação fisiopatológica das anemias:
  • Anemias por falta de produção: (podem acompanhar doenças inflamatórias, infecciosas e neoplásicas).

    • Produção deficiente de glóbulos vermelhos por acometimento primário ou secundário da medula óssea;

    • Falta de eritropoetina;

    • Carência de ferro, vitamina B12 e ácido fólico.

  • Anemias por excesso de destruição ou regenerativas: ocorre nas anemias hemolíticas ou anemias por perda de sangue. A hemólise pode ser causada por defeitos intrínsecos, como nas anemias associadas a alterações hereditárias ou fatores extrínsecos, como exposição a toxinas, parasitas ou agentes infecciosos.

Tratamento da Anemia

O tratamento é muito variado e feito de acordo com a causa base da anemia. Abaixo o tratamento das principais anemias:

Anemia ferropriva:

  • Sulfato ferroso:

    • Crianças: 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar, sem ultrapassar 60 mg/dia;

    • Gestantes: 60 a 200 mg/dia de ferro elementar associadas a 400 mcg/dia de ácido fólico;

    • Adultos: 120 mg/dia de ferro elementar;

    • Idosos: 15 mg/dia de ferro elementar.

Anemia megaloblástica:

causada pela síntese defeituosa do DNA, levando a um atraso da maturação do núcleo em relação ao citoplasma. Em geral é causado por deficiência de vitamina B12 ou de ácido fólico.

  • Vitamina B12: 1000 mcg, via parenteral, durante 4 semanas, seguido de injeções mensais;

  • Ácido fólico: 1mg/dia, via oral, durante 1 mês.

Anemia falciforme:

anemia hereditária que cursa com anemia hemolítica crônica, vasculopatias, lesões vaso-oclusivas e lesão aguda de órgãos.

  • Ácido fólico: 1mg/dia;
  • Hidroxiureia: 15-35 mg/kg/dia. Usada para prevenção das crises dolorosas;
  • Transplante de medula óssea: único tratamento curativo, porém com alta morbimortalidade e necessita de um doador compatível.

Anemia de doença crônica:

Acomete pacientes com doenças inflamatórias crônicas, como tuberculose, doença de Crohn, pneumonias e doenças malignas como carcinomas e linfomas. O tratamento é feito com o controle da doença basal. Eritropoetina pode ser considerada em casos graves com anemia intensa.

Eritropoetina: dose inicial de 100 U/Kg, via subcutânea, dividida em três doses semanais por um período de 8 a 12 semanas. Se não houver resposta terapêutica esperada, recomenda-se aumentar a dose de para 150 U/Kg até 300 U/Kg.

Confira o vídeo com um Resumo sobre Anemia completo:

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