Hematologia

Resumo sobre talassemia (completo) – Sanarflix

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Definição

A palavra talassemia deriva da combinação das palavras gregas thalassa (mar), e emas (sangue).

As talassemias constituem um grupo heterogêneo de doenças genéticas, caracterizadas pela redução ou ausência da síntese de um dos tipos de cadeias de globina que formam as hemoglobinas, na maioria dos casos, nos genes das globinas alfa (α ) e beta (β ), que promovem a redução ou a ausência de síntese de uma ou mais cadeias de globina formadoras da hemoglobina.

Apresentam enorme variedade de manifestações clínicas e laboratoriais, de acordo com a cadeia afetada e com o grau de desequilíbrio na produção quantitativa.

Epidemiologia da talassemia      

A doença é a hemoglobinopatia mais comum cuja origem principal está nos países banhados pelo mar Mediterrâneo, como Itália e Grécia. Atualmente, alastrou-se praticamente no mundo todo.

Estima-se que 5% da população mundial tenha pelo menos um alelo variante da talassemia, com até 900.000 indivíduos com doença clinicamente significativa esperados durante o início do século 21, a maioria no sul da China, Índia e sudeste da Ásia.

Mutações genéticas para o tipo alfa podem ser encontradas nos países do Mar Mediterrâneo, no Sudeste da Ásia, na África e na Índia, tendo chegado ao Brasil por causa da imigração dos povos oriundos desses países.

A forma beta está presente na África com uma taxa estimada de heterozigosidade de aproximadamente 1 %. A imigração também contribuiu para uma maior diversidade étnica de indivíduos afetados e aumentou a prevalência em outros países, como o Brasil. 

Fisiopatologia

O desequilíbrio na proporção normal de cadeias  α para β (ou semelhantes a β) leva à precipitação do excesso de cadeias não pareadas, ou seja, excesso de cadeias alfa na talassemia β e excesso de cadeias gama e β na talassemia alfa.

As cadeias precipitadas danificam os precursores de glóbulos vermelhos em desenvolvimento, especialmente na forma β, resultando em eritropoiese ineficaz. 

A forma alfa se deve à deficiência parcial ou completa da síntese da globina α nas hemácias de indivíduos afetados. As cadeias globínicas α são necessárias para a síntese de hemoglobinas presentes na fase fetal e na fase adulta, exercendo importante papel na manutenção da estabilidade destas moléculas de hemoglobina.

Assim, os defeitos que interferem na sua síntese têm repercussão clínica em ambas as fases, diferente das cadeias β, que estão presentes apenas no componente hemoglobínico adulto maior, a hemoglobina A (Hb A).

Existem quatro genes de α globina, codificados por um par adjacente em cada cromossomo. O tipo alfa é normalmente causado por deleções de genes, em vez de mutações em um ou mais desses genes.

Existem muitas combinações possíveis de genótipos de talassemia alfa, com dois princípios básicos que determinam o fenótipo clínico. Primeiro, a gravidade do fenótipo aumenta com a perda de um, dois, três ou quatro alelos funcionais da alfa globina.

Em segundo lugar, alelos mutantes não-eletivos, como mola constante de hemoglobina, tendem a estar associados a fenótipos mais graves do que os alelos delecionais em níveis equivalentes de perda de gene; a razão para isso não é bem compreendida. 

A beta-talassemia (β talassemia) ocorre quando há uma redução das cadeias beta da globina que se encontram estruturalmente normais. É causada por mutações heterogêneas que afetam o locus da cadeia da beta-globina.

Esses defeitos genéticos levam a reduções variáveis da beta-globina, oscilando de mínimo déficit, como ocorre na β + talassemia, até a ausência completa, como na β o talassemia. 

Manifestações clínicas das talassemia   

As manifestações clínicas das síndromes de talassemia variam desde o estado de portador assintomático até anormalidades profundas, incluindo anemia grave, alterações de hematopoiese extramedular, como alterações esqueléticas e hepatoesplenomegalia, complicações da sobrecarga de ferro, incluindo disfunção cardíaca, pulmonar e endócrina, prejuízo do crescimento,  trombose e úlceras de perna.

A gravidade da doença é principalmente inversamente correlacionada com o número de cadeias de globina em funcionamento. 

A talassemia alfa, especificamente, abrange quatro apresentações clínicas:  

  1. uma forma assintomática ou portador silencioso, com perda de um único gene (-α /αα ); 
  2. traço talassêmico alfa, em que há perda de dois genes alfa de um único cromossomo (–/αα) ou de um gene α de ambos os cromossomos (-α /-α ), cursando com anemia discreta e microcitose;
  3. a doença da hemoglobina H (HbH), na qual apenas um gene alfa é funcional (–/- α) e
  4. síndrome da hidropsia fetal da hemoglobina Bart’s (talassemia α major),  caracterizada pela ausência dos quatro genes alfa (–/–), causando anemia muito grave e, geralmente, incompatível com a vida. 

A gravidade clínica da doença por HbH é variável. Os indivíduos afetados geralmente são sintomáticos ao nascimento e têm um fenótipo intermediário da talassemia (ou seja, são tipicamente independentes da transfusão), mas podem se deteriorar e tornar-se dependentes de transfusão.

A talassemia beta apresenta-se sob três formas clínicas:   

  1. Talassemia maior: forma grave (que se denominava anemia de Cooley), dependente de transfusões, correspondente a homozigotos ou heterozigotos compostos. 
  2. Talassemia intermediária: forma sintomática menos grave, com níveis de hemoglobina 8-10 g/dL, em geral não dependente de transfusão.  
  3. Talassemia menor: heterozigotos clinicamente assintomáticos podem ser detectados por alterações laboratoriais.

Diagnóstico da talassemia  

O diagnóstico é mais bem confirmado pelo teste do gene da globina, uma vez que isso pode ser feito de forma relativamente barata. Em ambientes nos quais o teste de DNA não está disponível, o diagnóstico das formas mais graves pode ser inferido com base nos resultados da análise de hemoglobina. 

Tratamento da talassemia  

Os dois mais importantes passos antes de iniciar o tratamento da talassemia são assegurar-se do diagnóstico e confirmar que se trata de talassemia maior.

O tratamento conservador do tipo maior fundamenta- se em transfusões de sangue, terapêutica quelante, esplenectomia e apoio psicológico. Com o emprego dessas medidas, a doença deixou de ser na infância com sobrevida mediana inferior a cinco anos, transformando-se em uma doença crônica, com desenvolvimento próximo ao normal e vida mediana superior a 25 anos.

Alternativamente, o transplante de medula óssea pode erradicar a doença, substituindo a medula anormal pelo tecido hemopoético de doador saudável ou heterozigoto.

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