Anúncio

Helmintíases: tipos e a ação dos Anti-helmínticos

Índice

EXCLUSIVO PARA MÉDICOS

Pós em Medicina de Emergência e Terapia Intensiva com condições especiais

Consulte condições. Válido até 22/01

Dias
Horas
Min

Em todo o mundo cerca de 2 bilhões de pessoas são afetadas pelas helmintíases (infecção causada por várias espécies de parasitas helmintos), sendo a prevalência mais alta em países tropicais pobres. Devido a sua prevalência e ao significado econômico, o tratamento farmacológico das helmintíases é de grande importância na prática clínica.

Imagem de um tipo de helmintosOs helmintos podem ser divididos em dois grupos principais: nematelmintos (vermes cilíndricos) e platelmintos (vermes achatados). Os platelmintos são ainda subdivididos em trematódeos (fascíolas) e cestódeos (tênias). Estes organismos variam quanto ao ciclo de vida, estrutura corporal, fisiologia, localização no hospedeiro e suscetibilidade ao tratamento farmacológico.

Imagem de outro tipo de helmintos

A maioria desses vermes vive no trato gastrointestinal do hospedeiro, no entanto, existem aqueles que vivem em outros tecidos.

Os principais representantes dos vermes intestinais são as tênias (saginata, solium, Hymenolepis nana e Diphyllobothrium latum) e os nematelmintos intestinais (Ascaris lumbricoides, Enterobius vermicularis, Strongiloides stercoralis, Necator americanus, Trichuris trichiura e Ancylostoma duodenale).

Já os principais vermes que vivem em outros tecidos são: fascíolas (Schistosoma haematobium, Schistosoma mansoni e Schistosoma japonicum) e nematelmintos dos tecidos (Trichinella spiralis, Dracunculus medinensis,Loa loa, Onchocerca volvulus, Brugia malayi e Wuchereria bancrofti).

Fármacos Anti-helmínticos

Os fármacos anti-helmínticos são usados para erradicar ou reduzir o número de helmintos parasitas do trato intestinal ou dos tecidos, agindo por diferentes mecanismos, como paralisia do parasita, dano do verme ou alteração do seu metabolismo.

A terapia anti-helmíntica apresentou grande progresso ao longo do último século, com o desenvolvimento de drogas cada vez mais próximas do anti-helmíntico ideal, considerado aquele que reúne as seguintes características:

  • capacidade de alcançar o parasito onde quer que ele se encontre;
  • ação deletéria sobre o helminto;
  • boa tolerância pelo hospedeiro;
  • uso em dose única ou esquema de curta duração;
  • amplo espectro de ação;
  • preço reduzido;
  • possibilidade de tratamento em massa;
  • e possibilidade de uso profilático.

Os principais representantes dos anti-helmínticos são os benzimidazólicos. Além deles, outros fármacos de uso frequente são ivermectina, praziquantel, oxamniquina, dietilcrabamazina, piperazina, pamoato de pirantel e pamoato de pirvínio.

Principais Helmintíases

1. Ascaridíase

O Ascaris lumbricoides é o maior nematódeo intestinal que parasita o intestino humano e causa uma das infecções mais comuns do mundo. A transmissão da ascaridíase ocorre principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos de Ascaris.

A maioria dos pacientes é assintomática, mas podem surgir sintomas durante a fase inicial da infecção quando a larva migra pelos pulmões, ou na fase tardia intestinal.

As manifestações respiratórias são conhecidas como síndrome de Loeffler, que cursa com tosse seca, dispneia, febre, chiado no peito, desconforto subesternal e escarro com sangue.

Geralmente, é autolimitada com o desaparecimento dos sintomas de 5 a 10 dias. Já os sintomas intestinais são principalmente desconforto abdominal, náuseas, vômitos e diarreia.

A ascaridíase pode complicar com obstrução intestinal por uma quantidade muito elevada de vermes, ou envolvimento hepatobiliar e pancreático, com a migração do verme para a árvore biliar ou ducto pancreático, respectivamente. Todos os pacientes precisam de tratamento, mesmo os assintomáticos, e os principais fármacos usados são os benzimidazólicos.

Imagem Ascaris lumbricoides

2. Ancilostomíase

Imagem Ancylostoma duodenale e Necator americanus.

É causada por duas espécies de nematódeos: Ancylostoma duodenale e Necator americanus. O ciclo de vida dos ancilostomídeos começa com a passagem dos ovos de um hospedeiro para as suas fezes. Esses ovos eclodem no solo, liberando larvas rabditoides que amadurecem como larvas filaridoides, capazes de penetrar na pele humana.

As larvas realizam o ciclo de Loss (passagem pelos pulmões), podendo causar a síndrome de Loeffler neste período. No intestino delgado, as larvas amadurecem a vermes adultos que retiram sangue da parede intestinal, podendo causar anemia.

As manifestações clínicas da ancilostomíase envolvem a penetração das larvas na pele, com erupção maculopapular pruriginosa local, a passagem das larvas pelas vias aéreas, com a síndrome de Loeffler, e a presença de vermes adultos no intestino, com sintomas gastrointestinais (náusea, diarreia, vômito, flatulência) e anemia. Os principais fármacos usados no tratamento são os benzimidazólicos e o pamoato de pirantel.

3. Enterobíase

Os seres humanos são os únicos hospedeiros do Enterobius vermicualris. A infecção ocorre em todos os grupos socioeconômicos, sendo comum em ambientes fechados e lotados. É mais frequente em crianças de 5 a 10 anos.

A transmissão pode ocorrer pela ingestão de alimentos ou água contaminados com os ovos do verme ou pelo manuseio de roupas de cama contaminadas. Os vermes adultos se estabelecem no trato gastrointestinal, principalmente no ceco e no apêndice.

As fêmeas grávidas migram pelo reto para a pele perianal para depositar ovos a noite, causando o sintoma mais comum da enterobíase, o prurido perianal. Os pacientes podem apresentar também dor abdominal, náusea e vômito.

Os fármacos mais usados no tratamento são os benzimidazólicos e o pamoato de pirantel, e é importante realizar o tratamento de toda a família, além de orientar lavagem das roupas de cama e medidas de higiene, como cortar as unhas e lavar as mãos com frequência.

Imagem Enterobius vermicualris.

4. Tricuríase

A transmissão do Trichuris trichiura está associada a falta de higiene com ingestão de alimentos ou água contaminados com ovos do verme. A maioria das infecções é assintomática, no entanto, os indivíduos podem apresentar sangue e muco nas fezes, colite e prolapso retal.

Crianças fortemente infectadas podem ter comprometimento do crescimento e cognição. O tratamento é feito principalmente com os benzimidazólicos ou ivermectina.

Posts relacionados

Compartilhe este artigo:

Prepare-se para a prova de título com a Sanar Pós

Pós em Medicina de Emergência ou Terapia Intensiva com condições especiais

Anúncio