Introdução
A atrofia urogenital, também conhecida como atrofia vaginal ou vagina atrófica é uma condição que afeta mulheres em qualquer faixa etária, mas ocorre principalmente na pós-menopausa devido aos níveis baixos de estrogênio.
A menopausa ocasiona os baixos níveis de estrogênio, os quais irão provocar a queda da produção de glicogênio que leva ao afinamento do epitélio vaginal, à perda de elasticidade, à redução da lubrificação, às alterações na sensação genital e aumento do pH vaginal.
Menopausa
A menopausa é a interrupção definitiva dos ciclos menstruais, ela acontece entre os 45 anos e 55 anos, e é caracterizada pela última menstruação durante um período de 1 ano.
É um evento fisiológico onde ocorre a interrupção da produção de estrogênio e progesterona resultando na falência ovariana e na infertilidade. Durante os anos antes da menopausa, a produção de estrogênio e progesterona começam a diminuir e a menstruação e a ovulação ocorrem com menos frequência.
A menopausa é dividida em pré-menopausa e pós-menopausa. A pré-menopausa é o período de 3 a 7 anos antes da menopausa, os ciclos menstruais ficam alterados devido a mudanças das taxas hormonais. A pós-menopausa é o período após a última menstruação, não haverá mais ciclos menstruais e vai em média até os 65 anos quando entra na 3° idade.
Fisiopatologia da atrofia urogenital
O estrogênio é um hormônio que é responsável pela maturação do epitélio vaginal em todas as camadas, principalmente a camada superficial. Com os baixos níveis de estrogênio ocorrerá pouca ou nenhuma maturação das células superficiais, a atrofia celular e a exposição de terminações nervosas nociceptoras.
Com a atrofia celular, as camadas da parede vaginal ficarão com um aumento do espaço intercelular, nesses espaços haverá a deposição de colágeno de cadeia curta e de moléculas de proteoglicanos, conferindo maior resistência ao tecido, e, então, diminuição da lubrificação.
As células superficiais são ricas em glicogênio, e esse glicogênio é o alimento das bactérias benéficas denominadas lactobacilos. Os lactobacilos mantêm o pH vaginal e atuam na defesa de infecções. Quando não ocorrer maturação das células superficiais, não ocorrerá a produção de glicogênio na vagina e consequentemente terá uma queda na quantidade de lactobacilos, aumentando o pH vaginal. Essa alteração do pH deixa a vagina mais suscetível a organismos patógenos.
O epitélio do trato urinário inferior sofre uma atrofia. Essa atrofia pode ocorrer na bexiga, trígono visceral e uretra, pois essas estruturas têm receptores de estrogênio para sua manutenção.


fonte: site adeus sintomas da menopausa. disponível em: https://adeussintomasdamenopausa.com.br/atrofia-vaginal-nossa-vagina-encolhe/
Sinais e sintomas
A atrofia urogenital na pós-menopausa pode trazer uma série de sinais e sintomas.
- O ressecamento vaginal, dispareunia (dor na relação sexual) devido à diminuição da lubrificação e a exposição de terminações nervosas nociceptoras.
- A disúria (sensação de dor ou ardor ao urinar), prurido, secreções anormais são ocasionadas pela alteração do pH.
- A urgência urinário, uretrites atróficas e o agravamento da incontinência urinária ocorre por causa da atrofia do trato urinário.
- Vaginite atrófica, a vagina encurta-se e estreita-se, com perda das rugosidades e suas secreções.
- A vulva apresenta-se mais fina, pálida e com uma queda progressiva de pelos pubianos devido à perda de colágeno e tecido adiposo.
Diagnóstico da atrofia urogenital
O diagnóstico da atrofia urogenital é baseado no quadro clínico da paciente e em alguns achados no exame ginecológico e especular relacionados com os sinais e sintomas.
Ao exame ginecológico a vulva estará pálida, com poucos pelos pubianos, com o hipoestrogenismo (níveis baixos de estrogênio) acentuado e prolongado e encurtamento e estreitamento da vagina.
No exame especular, observa-se a mucosa brilhante, seca, friável e fina, podendo ter o surgimento de pequenas áreas de sangramento e maior desconforto da paciente. Secreção cinzenta ou amarelada pode indicar a mudança do pH vaginal.
Alguns exames complementares podem ser pedidos, como o teste de acidez vaginal, hemograma e urina.
Tratamentos
O tratamento da atrofia vaginal pode ser hormonal ou não hormonal. No tratamento hormonal há o tratamento sistêmico ou o tratamento local (tópico).
No tratamento tópico, estrogênios locais podem ser usados em forma de creme, comprimidos ou anéis com aplicação vaginal. O efeito não é imediato e começa a aparecer após duas semanas.
O tratamento hormonal conhecido como terapia de estrogênio é através da ingestão de pequenas doses do hormônio e pode resultar em modificação da flora vaginal, redução do pH, aumento das camadas do epitélio e da lubrificação, levando a melhora da sensibilidade prazerosa ao estímulo da genitália. Essa terapia nem sempre é eficaz ou leva um período longo para apresentar melhora, então para melhores resultados ela pode ser combinada com o tratamento tópico.
O laser pixel CO2 Femilift é um dos tratamentos não hormonal. Ele é bem tolerado, aumenta a produção de colágeno e pode aumentar a espessura do epitélio vaginal levando ao rejuvenescimento vaginal. Essas alterações morfológicas aliviam os sintomas de secura, dispareunia e irritação.
Outro método de tratamento não hormonal é o uso de lubrificantes, hidratantes. Os lubrificantes e hidratantes se assemelham ao tratamento tópico, porém não irá resolver a longo prazo. Ele melhora o ressecamento vaginal e a dispareunia.
A atividade sexual é um método natural tanto de prevenção como de tratamento, combinado com outros métodos.
Conclusão
Evidencia-se que a atrofia urogenital é uma condição comum entre as mulheres na pós-menopausa, pois sua principal causa é os baixos níveis de estrogênio.
Os sinais e sintomas que caracterizam essa condição são taxados muitas vezes como comuns na menopausa por algumas mulheres que acabam não procurando um atendimento, vivendo com baixa qualidade de vida e com desconforto. O acompanhamento anual com o médico é fundamental para o diagnóstico e o tratamento precoce, pois serão de extrema importância para a melhor qualidade de vida das mulheres.
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Referências:
ALVES, L. S. L., PEREYRA, E. A. G. ATROFIA GENITAL. Femina, v. 44 n. 2, p. 113-121, 2016. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2020/02/1050855/femina-2016-442-113-121.pdf#:~:text=Atrofia%20vulvovaginal%20%C3%A9%20uma%20condi%C3%A7%C3%A3o,mulheres%20na%20p%C3%B3s%2Dmenopausa%20tardia. Acessado em: 18 de fev. 2021
FLORENCIO‐SILVA, R. et al. Tratamento da atrofia vaginal da mulher na pós‐menopausa. Reprodução & Climatério, [S.L.], v. 32, n. 1, p. 43-47, jan. 2017. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.recli.2016.08.002. Acessado em: 18 de fev. 2021
Atrofia vaginal – Parte inevitável do envelhecimento ou condição tratável?: https://www.vivaplenitud.com.br/sobre-a-incontinencia/a-vida-com/tratamento-e-solucoes/atrofia-vaginal-parte-inevitavel-do-envelhecimento-ou-condicao-tratavel
Saúde urogenital na pós-menopausa: https://www.sogimig.org.br/saude-urogenital-na-pos-menopausa/
PASSOS, E. P. et al. (Org.). Rotinas em ginecologia. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.