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Avaliação e Controle das Hemorragias: tire suas dúvidas!

Avaliação e Controle das Hemorragias: tire suas dúvidas!

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Confira um artigo completo que falamos sobre Avaliação e Controle das Hemorragias para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.

Boa leitura!

Entenda as Hemorragias

A hemorragia é a perda de sangue através de ferimentos ou pelas cavidades naturais, podendo ser também interna, sem exteriorização do sangue. Podem resultar de um trauma, mas também está presente em diversas condições clínicas. Os quadros agudos com grande perda de volume são graves e podem levar ao choque hipovolêmico e óbito, enquanto as perdas lentas e crônicas costumam levar a anemia ferropriva.

As hemorragias podem ser classificadas em arteriais, venosas ou capilares e internas ou externas. As hemorragias arteriais apresentam como características um sangramento de coloração vermelho vivo, em jato pulsátil, enquanto nas venosas o sangue é mais escuro e sai contínua e lentamente, escorrendo pela ferida. Já as hemorragias capilares apresentam coloração intermediária, o sangue goteja lentamente pelo ferimento e geralmente é muito fácil estanca-las através da pressão direta.

Imagem ilustrativa de diferentes tipos de hemorragias

A hemorragia interna ocorre em uma cavidade pré-formada no organismo, como peritônio, pleura e pericárdio. O sangue não é observado no exterior, mas o indivíduo pode apresentar-se pálido, taquicárdico, sonolento, com pele fria e úmida. A suspeita pode ser feita através da avaliação do mecanismo do trauma e da avaliação inicial do paciente.

A hemorragia é a principal causa de mortes pós-traumáticas evitáveis. Por isso, a identificação e a parada da hemorragia são passos cruciais na avaliação e tratamento. A hipotensão em pacientes vítimas de trauma deve ser considerada hipovolêmica até que se prove o contrário. É essencial a avaliação rápida e precisa do estado hemodinâmico no trauma, e os elementos clínicos que oferecem informações importantes são o nível de consciência, a cor da pele e o pulso.

Quando o volume sanguíneo está diminuído, a perfusão cerebral pode estar criticamente prejudicada, resultando em alteração do nível de consciência. A cor da pele pode ser importante na avaliação de um paciente vítima de trauma, sendo a coloração acinzentada de face e extremidades pálidas sinais evidentes de hipovolemia. Pulso periférico rápido e filiforme é também habitualmente um sinal de hipovolemia.

SE LIGA! A resposta a perda sanguínea não se dá de modo semelhante em idosos, crianças, atletas e em indivíduos com doenças crônicas. Os idosos têm uma capacidade limitada de aumentar a sua frequência cardíaca em resposta a perda sanguínea. Dessa forma, perde-se um dos sinais mais precoces de hipovolemia, a taquicardia. A pressão arterial tem pouca correlação com o débito cardíaco em idosos. As crianças têm uma grande reserva fisiológica e frequentemente demonstram poucos sinais de hipovolemia. O atleta bem condicionado possui mecanismos compensatórios semelhantes aos das crianças e costumam apresentar uma bradicardia relativa.

Avaliação e Controle das Hemorragias

O Advanced Trauma Life Suport (ATLS) descreve quatro classes de hemorragia, baseadas nos sinais clínicos que são úteis para estimar a porcentagem de perda aguda de sangue.

A hemorragia classe I envolve perda de volume sanguíneo de até 15%. A frequência cardíaca é minimamente elevada ou normal e não há alterações na pressão arterial ou frequência respiratória. Para pacientes saudáveis essa quantidade de perda de sangue não requer substituição porque os mecanismos compensatórios restauram o volume sanguíneo dentro de 24 horas, sem necessidade de transfusão de sangue.

A hemorragia classe II ocorre quando há uma perda de volume sanguíneo de 15 a 30% e se manifesta clinicamente como taquicardia (frequência cardíaca geralmente entre 100 e 120), taquipneia (frequência respiratória geralmente entre 20 e 24) e pressão de pulso diminuída, embora a pressão arterial esteja normal. A pele pode estra fria e úmida e o enchimento capilar pode estar lentificado. O paciente pode estar ansioso ou hostil. Nessa classe, a maioria dos pacientes é estabilizada com soluções cristaloides, porém alguns podem precisar de transfusão de sangue.

A hemorragia classe III envolve uma perda de 31 a 40% do volume sanguíneo, resultando em uma queda na pressão arterial e alteração no estado mental. A frequência cardíaca e a frequência respiratória estão elevadas. Há uma redução do débito urinário. É considerada uma hemorragia grave. Nessa classe, a maioria dos pacientes necessita de concentrado de hemácias e produtos sanguíneos para reverter o estado de choque.

A hemorragia classe IV envolve perda de mais de 40% do volume sanguíneo, levando a depressão significativa na pressão arterial e no estado mental. A maioria dos pacientes é hipotensa (PAS <90mmHg). A pressão de pulso está bem reduzida e há taquicardia de mais de 140 bpm. A diurese está muito reduzida ou ausente e a pele é fria e pálida. Esses pacientes frequentemente precisam de transfusão rápida e intervenção cirúrgica imediata.

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