Ciclo Básico

Como passar os Casos Clínicos e estudar com eles?

Como passar os Casos Clínicos e estudar com eles?

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Saber passar bem os casos clínicos para seu professor ou preceptor faz toda diferença na prática diária entre os residentes e internos. Porém, na faculdade, raramente os estudantes de medicina aprendem como fazer isso.

Normalmente, o professor apenas pede para você contar a história. Para te ajudar com isso, o SanarFlix reuniu algumas dicas valiosas.

Como passar um caso clínico?

Por onde começar? É preciso citar tudo que o paciente negou? E se eu esquecer um dado, o que fazer? Calma, vamos te ajudar a chegar preparado(a) no internato, sabendo explicar tudo direitinho.

O primeiro ponto importante é você saber que a forma de passar o caso pode mudar para cada professor. O mais comum é contar a história do paciente e depois discutir os possíveis diagnósticos. Porém, há aqueles professores que preferem iniciar pela lista de problemas (é mais comum em enfermarias, quando o professor já conhece o caso).

Vale lembrar que dados da identificação podem ou não estar presentes. Por exemplo, você normalmente não precisa dizer a religião do paciente, mas isso pode ser relevante no caso de ele precisar de transfusão sanguínea sendo testemunha de Jeová.

Dicas valiosas para passar os casos clínicos

  • Confiança é essencial nos casos clínicos!

Ninguém gosta da pessoa que passa o caso falando baixo e sem ter certeza do que está falando. Fale alto, claro, pausadamente, de forma organizada, cronológica e passe certeza no que diz.

  • Anamnese precisa ser completa

Você não precisa saber tudo sobre a doença do seu paciente se você acabou de colher a história, mas você precisa saber tudo sobre o seu paciente.

Para isso, claro, você tem que ter feito uma anamnese completinha, já ter levantado algumas hipóteses diagnósticas e fazer perguntas cruciais para a história.

  • Evite enrolações

Caso o professor te pergunte uma coisa que você esqueceu de perguntar? Não enrole e não invente, o paciente vai te desmentir na primeira oportunidade. Diga a verdade: “Esqueci de perguntar, mas vou verificar isso.”

Colheu a anamnese certinha? Tá confiante? Então vamos lá:

Fases dos casos clínicos

A primeira frase deve ser: Nome do paciente, idade, gênero, procedência e sua queixa principal. Aqui também deve entrar características que mudam completamente o quadro, como: Portador de HIV, transplantado. 

Primeiro Parágrafo nos caso clínicos: CLEARAST

Descreva as características da queixa principal. Usamos o acrônimo CLEARAST:

  • Característica, qualidade
  • Localização
  • Exacerbadores
  • Aliviadores
  • iRradiação da dor
  • Associação de sintomas
  • Severidade do sintoma
  • Temporalidade: início (agudo, insidioso), intermitente ou constantes, duração, frequência, progressão

Fale para o professor o tempo e as características exatamente como lhe foram ditos, sem alteração.

Segundo Parágrafo nos casos clínicos: o que é relevante

É o conceito mais abrangente e por isso, muitas vezes, o mais difícil de se administrar: Diga apenas o que é relevante para a história. Isso você pega com o tempo.

Muitas vezes aqui podem entrar questões psicológicas que passariam despercebidas mas que se encaixam muito bem com a agudização do quadro, por exemplo. Importante se atentar a contar a história clínica do paciente, e não sua história pelas unidades de saúde.

Terceiro Parágrafo nos casos clínicos: ações adotadas e respostas obtidas

O que foi feito anteriormente sobre a patologia, e a resposta obtida. Você talvez não precise desse tópico, mas se pode ajudar no diagnóstico diferencial ou entender o curso do tratamento, diga.

Interrogatório sistêmico

NÃO FALE ”interrogatório sistêmico”. NÃO LISTE nada na revisão de sistema. Qualquer coisa que você tenha achado relevante no IS vai no segundo parágrafo.

Outras coisas

Antecedentes Pessoais, Exames, Medicamentos, Alergias, Hábitos, História Biopsicossocial, Antecedentes familiares. Passe por isso rapidamente, fale quando for perguntado. A maioria das vezes acaba não tendo muita relevância. Diga, por exemplo, se tiver uma colonoscopia e você estava pensando em câncer colorretal.

Exame Físico

Vitais: Diga os números e não se está estável ou dentro dos limites.
Físico: Vá de cima para baixo, mas:

  •  Diga apenas o que pode mudar o diagnóstico diferencial
  •  Positivo se presente e deveria estar presente
  •  Negativo se não está presente mas deveria estar

Faça um exame físico minucioso e escreva ele, mas não precisa dizer tudo, apenas os dados positivos.

  • Diga suas hipóteses diagnósticas e o porquê delas,
  • Diga os planos diagnósticos e terapêuticos.

Acrônimo SNAPPS: discussões de caso

Para ajudar nas discussões de caso, a Preceptoria da Disciplina de Clinica Geral e Propedêutica da Faculdade de Medicina da USP criou um material para auxiliar a discutir os casos.

O acrônimo SNAPPS, originalmente criado para atendimento ambulatorial, serve para diversos contextos. E o que significa?

  • S: Sumarizar. Você vai resumir a história e trazer os dados do exame físico (No caso, praticamente tudo que foi descrito anteriormente). Lembre-se de usar termos técnicos e diminuir uma “falta de ar que acontece no meio da noite e ele tem que levantar” para uma “dispneia paroxística noturna”
  • N: Numerar. Levante 2 ou 3 diagnósticos ou problemas possíveis. Lembre-se em focar nas hipóteses mais comuns e não nas raras.
  • A: Analisar: Proponha as evidências no seu exame que te fizeram pensar nesses diagnósticos. É comum você já juntar esse tópico com o anterior. Esse processo permite que o professor ou preceptor perceba o conhecimento que você tem no assunto.
  • P: Perguntas. Sua hora de tirar todas as dúvidas. Mostre interesse no caso.
  • P: Planejar. Nessa parte você vai fazer o planejamento diagnóstico e terapêutico. Utilize o que foi discutido anteriormente e descreva os próximos passos a serem seguidos.
  • S: Selecione. Escolha um tópico desse caso para o estudo individual. Você fixa muito mais o conhecimento que viu na prática do que apenas ler no livro ou assistir vídeos. Selecione corretamente o assunto a ser estudado, por exemplo, o uso de determinada medicação em uma doença, do que estudar a enfermidade inteira.

Exemplos:

Aqui trouxemos dois exemplos, um adequado e outro inadequado:

Adequado : Sr José é um homem com 50 anos de idade, acompanhado há 3 anos por DPOC, tabagismo, diabetes mellitus e revascularização miocárdica, após infartos. Há 3 dias iniciou tosse e febre e foi admitido hoje (…)

Inadequado: Sr José é um homem com 50 anos de idade, branco, casado, evangélico, natural de Pernambuco, morador do Rio de Janeiro há 34 anos. Acompanha por DPOC há 3 anos, ainda é tabagista e está em fase de contemplação; tem diabetes mellitus que é bem controlada com uso de metformina apenas; teve um infarto miocárdico em 2005 e outro em 2009, quando fez revascularização miocárdica sem intercorrências. Veio agora por tosse e febre no sábado (…)

O que fazer?

Evite informações que não sejam pertinentes para o quadro atual dele, se concentre nos dados mais relevantes para o momento (você terá isso tudo descrito na sua anamnese). Além disso, evite utilizar um dia da semana como referencial de tempo, utilize o dia da admissão como uma referência.

No dia-a-dia nada é tão engessado e pode mudar a ordem entre alguns preceptores, mas essencialmente é assim. Isso você pega com a prática, discutindo muitos casos e atendendo pacientes. Por fim, lembre-se sempre de após pegar um caso, estudá-lo no mesmo dia para fixar melhor o conhecimento.

Por que estudar por Casos Clínicos?

Estudar por casos clínicos é uma das melhores formas de colocar em prática o conhecimento adquirido na faculdade, principalmente no ciclo básico.

Nesse período muitos estudantes tem dificuldade de visualizar a aplicação dos conteúdos. Por isso, nada melhor do que utilizar os casos clínicos para facilitar a compreensão e o entendimento da importância destas matérias nesse período.

Leia também o nosso artigo: Como se manter motivado e estudar durante o ciclo básico!

Além disso, se você quer estar preparado para as situações e casos reais que irá encontrar no internato, é essencial ter repertório e já ter visto diversos casos clínicos.

Afinal, hoje em dia muitas faculdades já adotaram o método PBL (Problem Based Learning) justamente pra preparar o estudante melhor para as necessidades do ambiente de trabalho.

É importante ressaltar também a importância da resolução dos Casos Clínicos para o desenvolvimento de uma das mais necessárias habilidades médicas: o Raciocínio Clínico!

Como desenvolver o seu Raciocínio Clínico?

O raciocínio clínico (RC) é o processo usado pelos(as) médicos(as) para refletir e planejar o tratamento do paciente, ou seja, é a tomada de decisão. O RC serve para orientar e conduzir da melhor maneira possível o tratamento do paciente.

No entanto, nem sempre é fácil entender como esse raciocínio será utilizado durante a vida profissional ou desenvolvê-lo. Muitos estudantes e profissionais recém-formados têm medo de não conseguir fechar um diagnóstico, por exemplo.

Por isso, desenvolver o raciocínio clínico é tão importante. Mas como praticar?! A melhor forma é realizar os exercícios práticos de casos clínicos.

Desenvolvimento do raciocínio clínico

O raciocínio clínico depende muito da integração entre o conhecimento teórico e o prático do profissional. Por isto, é fundamental consolidar o conhecimento teórico dos livros e de artigos com evidências científicas, reavaliação do aprendizado em sala, resolução de casos clínicos e muita atenção no campo de estágio e/ou residência.

Alguns livros podem ajudar, conheça o: Raciocínio Clínico: Diagnóstico Diferencial à Beira do Leito

Exemplos de Casos Clínicos

No SanarMed temos centenas de casos clínicos de medicina resolvidos, que você pode acessar gratuitamente. Confira alguns:

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