Neurologia

Cefaleia

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A Cefaleia está entre as razões mais comuns pelas quais os pacientes procuram atendimento médico, sendo responsável, em um nível global, por mais incapacidade do que qualquer outro problema neurológico.

O diagnóstico e o tratamento baseiam-se em uma abordagem clínica que é amplificada pelo conhecimento da anatomia, fisiologia e farmacologia das vias do sistema nervoso que medeiam as várias síndromes de cefaleia.

Classificação da Celafeia

O sistema de classificação desenvolvido pela International Headache Society caracteriza a cefaleia como primária ou secundária.

Cefaleias primárias são as cefaleias que têm o sintoma da dor de cabeça sendo seu principal, sem demais sinais ou sintomas sistêmicos. Além disso, não causa lesão estrutural, tende a não ser progressiva ou originar sequelas.

Já nas cefaleias secundárias, os sintomas são decorrentes de afecções sistêmicas subjacentes, sendo consequência de uma agressão causada pela doença de base, a qual pode ser grave, como meningite, hemorragia subaracnóidea (HSA), trombose venosa cerebral (TVC) e tumores do sistema nervoso central. A cefaleia secundária branda, como a observada em associação a infecções do trato respiratório superior, é comum, mas raramente preocupa.

A cefaleia ameaçadora à vida é relativamente incomum, mas é necessário ter vigilância a fim de reconhecer e tratar de maneira apropriada os pacientes.

Cefaleia primária Cefaleia secundária
Tensional Infecção sistêmicas
Enxaqueca Traumatismo craniano
Em punhaladas, idiopática Distúrbios vasculares
Por esforço Hemorragia subaracnóidea
Em salvas Tumor cerebral

Tabela: Causas comuns de cefaleia. Fonte: Kasper, Dennis L., et al. Manual de Medicina de Harrison. McGraw Hill Brasil, 2017.

Diagnósticos das Celafeias

O paciente que se apresenta com cefaleia grave recente tem um diagnóstico diferencial bem diferente do paciente com cefaleias recorrentes durante muitos anos.

Na cefaleia intensa e de início recente, a probabilidade de se encontrar uma causa potencialmente grave é bem maior do que na cefaleia recorrente. Os pacientes com início recente da dor exigem avaliação imediata e tratamento adequado.

As causas graves a serem consideradas consistem em meningite, hemorragia subaracnóidea, hematomas extradural ou subdural, glaucoma, tumor e rinossinusite purulenta. Quando sinais e sintomas preocupantes estão presentes, também conhecidos como sintomas RED FLAG, o diagnóstico e o tratamento rápidos tornam-se cruciais.

Início da dor a partir dos 50 anos

Pior cefaleia da vida
Mudança no padrão da cefaleia

 

  • Progressão ou alteração na frequência e severidade
  • Provocada pela Manobra de Valsava
  • Piora da cefaleia com a postura
  • Papiledema
Sintomas neurológicos ou achados anormais (confusão, alteração do nível de consciência, mudança no comportamento e personalidade, papiledema, diplopia, zumbido, sintomas neurológicos focais, meningismo e convulsões)
Sintomas sistêmicos, doença ou condição associada (febre, calafrios, mialgia, sudorese noturna, perda de peso, câncer, infecção, arterite de células gigantes, gravidez, puerpério, estado de imunossupressão, incluindo HIV)

SAIBA MAIS: A cefaleia em trovoada – do inglês, thunderclap headache – é uma dor de cabeça que já começa muito forte. Tem início súbito, exatamente a exemplo de um ressoar de trovão, instantâneo, que atinge máxima intensidade de segundos a menos de um minuto depois que a dor se instala, muito forte, que assusta o paciente e pode causar desequilíbrio. Existe a possibilidade desse tipo particular de cefaleia ser sinal da existência de um aneurisma no cérebro. Este tipo de cefaleia requer avaliação urgente.

Anamnese da Celafeia

Uma anamnese adequada, seguindo a lista de perguntas para definição da dor, seguidos de um exame neurológico cuidadoso são as primeiras etapas imprescindíveis na avaliação de uma anamnese.

Na maioria dos casos, os pacientes com exame anormal ou história de cefaleia de início recente devem submeter-se a uma tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) e também exames laboratoriais, de acordo com a suspeita.

Como procedimento de rastreamento inicial para patologia intracraniana os métodos de TC e RM parecem ser igualmente sensíveis. Em algumas circunstâncias, uma punção lombar (PL) também é necessária, a menos que se possa estabelecer uma etiologia benigna.

Uma avaliação geral de cefaleia aguda pode incluir as artérias cranianas, coluna cervical, pesquisa do estado cardiovascular e renal por monitoramento da pressão arterial e exame de urina, e olhos por fundoscopia, medição da pressão intraocular e refração.

O estado psicológico do paciente também deve ser avaliado, pois existe relação entre cefaleia e depressão. Isso se destina a identificar a comorbidade em vez de fornecer uma explicação para a cefaleia, porque a cefaleia problemática raramente é simplesmente causada por mudança do humor.

Embora seja notável que os medicamentos com ações antidepressivas também sejam eficazes no tratamento profilático tanto da cefaleia do tipo tensional como da enxaqueca, cada sintoma deve ser tratado de maneira ideal. Distúrbios com cefaleia recorrente subjacente podem ser ativados pela dor que ocorre após procedimentos otológicos ou endodônticos.

Assim, a dor de cabeça em consequência de um tecido enfermo ou traumatismo pode reativar uma síndrome de enxaqueca que de outra maneira estaria quiescente. O tratamento da cefaleia é, em grande parte, ineficaz até que a causa do problema primário seja abordada. O tumor cerebral é uma causa rara de cefaleia e, ainda menos comumente, de dor intensa. A maioria dos pacientes que apresentam cefaleia grave tem causas benignas.

Epidemiologia Celafeia

Estudos epidemiológicos têm buscado estimar a sua prevalência em diferentes populações e o seu impacto, tanto na população como no sistema de saúde. Nos ambulatórios de clínica médica, a cefaleia é a terceira queixa mais frequente (10,3%), suplantado apenas por infecções de vias aéreas e dispepsias.

Nas Unidades de Saúde, a cefaleia é responsável por 9,3% das consultas não agendadas e nos ambulatórios de neurologia é o motivo mais frequente de consulta. Pacientes com cefaleia representam 4,5% dos atendimentos em unidades de emergência, sendo o quarto motivo mais frequente de consulta nas unidades de urgência. Tendo por base esses dados, justifica-se a elaboração de um protocolo clínico para condução e tratamento das cefaleias nas unidades de urgência do Brasil.

No ano de 2012 foi feita uma análise mundial dos dados de cefaleia analisando a prevalência do sintoma pela International Association for the Study of Pain. Foi constatado que 50% da população geral tem cefaleia durante um determinado ano e mais de 90% refere história de cefaleia durante a vida.

A média da prevalência de migrânea (enxaqueca) ao longo da vida é de 18% e a média estimada da prevalência durante o último ano é de 13% e em crianças e adolescentes é de 7,7%. A cefaleia do tipo tensional é mais comum que a migrânea, com prevalência ao longo da vida de aproximadamente 52%.

Contudo, apenas as cefaleias do tipo tensional frequente ou crônica reduz a capacidade funcional. 3% da população geral tem cefaleia crônica, ou seja, cefaleia em ≥15 dias por mês. Estes são os com maior redução na sua capacidade funcional.

A relação entre os sexos na migrânea permanece estável em 2-3 mulheres para cada homem e é geralmente consistente entre os países. O predomínio da cefaleia no sexo feminino inicia-se na puberdade, com mulheres tendo um risco 1,5 maior para desenvolver cefaleia e 1,9 vezes maior para desenvolver enxaqueca quando comparadas com crianças e adolescentes do sexo masculino. Já a distribuição da cefaleia do tipo tensional é igual entre os sexos.

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