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Cirurgia do Aparelho Digestivo: residência, áreas de atuação, rotina e mais!

Cirurgia do Aparelho Digestivo: residência, áreas de atuação, rotina e mais!

Índice

A cirurgia do aparelho digestivo é a especialidade médica que se ocupa do tratamento cirúrgico das patologias do sistema digestivo, com exceção da cavidade oral. Isso inclui esôfago, estômago, intestino delgado e grosso e órgãos acessórios, como fígado, vesícula biliar, via biliar e pâncreas. 

O especialista nessa área é chamado de gastrocirurgião. No Brasil, existem 2.864 gastrocirurgiões titulados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), sendo que 55,6% deles estão na região Sudeste. 

Se você se interessa por essa área e quer saber mais sobre a residência médica em Cirurgia do Aparelho Digestivo, acompanhe este artigo! Aqui, também falaremos sobre o dia a dia do especialista e traremos um panorama sobre o mercado de trabalho. Vamos lá?

O especialista e sua rotina

A gastrocirurgia é uma área abrangente e não se limita ao centro cirúrgico. O especialista nessa área costuma ser conhecido como “aquele que vive para o trabalho”, mas, na realidade, o tempo dedicado à Medicina depende da subespecialidade escolhida — falaremos disso mais adiante!

Além das cirurgias, exames diagnósticos e terapêuticos também fazem parte da rotina de alguns profissionais. Quem se dedica a essa área costuma trabalhar em horários comerciais e normalmente não tem vínculo direto com o paciente, o que torna a rotina mais tranquila.

Porém, também é possível operar e ter um dia a dia menos agitado. Isso acontece com os especialistas que realizam cirurgias ambulatoriais ou de curta internação, com baixa incidência de complicação pós-operatória, como hernioplastias hiatais laparoscópicas, colecistectomias laparoscópica e hemorroidectomia. Esses procedimentos são comuns e considerados por muitos o “ganha-pão” do gastrocirurgião.

Quem aprecia uma rotina mais movimentada, pode se dedicar a cirurgias de alta complexidade, como as oncológicas e transplantes de órgãos do aparelho digestivo (fígado, pâncreas e intestinos).

Nesse campo, o gastrocirurgião é movido pelo desafio, pois trata-se de pacientes críticos e de cirurgias duradouras e de pós-operatórios muitas vezes prolongados por complicação. Além disso, essa é uma área de grande produção científica, clínica e laboratorial. 

As características do gastrocirurgião

O gastrocirurgião precisa ter algumas características comuns a todos os cirurgiões: habilidade e gosto pelo trabalho manual. No entanto, ao contrário do que pode acontecer em outras especialidades, aqui o apreço pela teoria é imprescindível.

Assim, é crucial ter domínio da anatomia humana, e isso não inclui apenas os órgãos do aparelho digestivo, mas a cavidade torácica e abdominal como um todo.

O profissional também precisa dominar a fisiopatologia gastroenterológica e a clínica cirúrgica, além da capacidade de trabalhar em uma equipe multidisciplinar.

É comum que o gastrocirurgião trabalhe com colegas clínicos, anestesistas, intensivistas e radiologistas, além de enfermeiros, auxiliares, fisioterapeutas e assistentes.

Mercado de trabalho e remuneração

O caminho a ser traçado como gastrocirurgião depende do objetivo de cada um — retorno financeiro, prestígio, carreira acadÊmica ou vida tranquila. Como já falamos, essa especialidade não se limita ao centro cirúrgico e é possível obter bom retorno financeiro por outros caminhos.

Quem busca uma vida profissional em horário comercial pode se especializar em exames endoscópicos ou em cirurgias de baixa e média complexidade. Nesse caso, os plantões fazem parte do início da carreira.

Os exames endoscópicos são cobertos pelos planos de saúde, que muitas vezes pagam valores baixos, então é necessário ter a agenda cheia para um bom retorno. 

Trabalhar no interior também é uma boa opção para gastrocirurgiões. Nas cidades menores há a possibilidade de se dedicar a cirurgias de baixa e média complexidade e realizar exames endoscópicos.

A menor concorrência e o custo de vida mais baixo potencializam a possibilidade de obter bom retorno financeiro com a atividade médica. 

Já quem faz questão de viver em cidades grandes tem duas opções para garantir retorno financeiro: fazer plantões e ficar de sobreaviso ou subespecializar-se. Nos plantões, a carga horária é grande e não é incomum operar durante a noite.

A vantagem desse modelo é que o profissional faz parte de um serviço e divide a responsabilidade com os colegas. Na subespecialização, os plantões são bem menos frequentes, mas isso não garante uma rotina tranquila.

Nesse campo, o profissional assume % da responsabilidade e as cirurgias são mais longas, com maior incidência de complicação — alguns pacientes ficam internados por meses. 

Para quem quer seguir carreira acadêmica, a rotina pode ser mais tranquila, mas isso não quer dizer que a vida seja fácil. Por um lado, há os residentes que auxiliam no trabalho burocrático e manual e a satisfação pessoal, mas o retorno financeiro não é bom. 

Outra possibilidade é trabalhar como transplantador. No Brasil, esses procedimentos são feitos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por se tratar de uma cirurgia de altíssima complexidade, a remuneração é razoável e esses profissionais são os mais prestigiados, o que pode refletir no movimento de pacientes no consultório.

Entretanto, essa atividade exige grande dedicação intelectual e física, além de disponibilidade de tempo. 

Remuneração

O salário inicial médio de um gastrocirurgião no Brasil é de R$ 5.777 para uma jornada de 20h, segundo pesquisa feita pelo site Salário. Com a experiência, esse valor pode chegar a R$ 17.400, segundo dados divulgados pelo portal Guia da Carreira

A residência médica em Cirurgia do Aparelho Digestivo

Para se tornar um gastrocirurgião é preciso fazer a residência médica em Cirurgia do Aparelho Digestivo, que dura dois anos e tem como pré-requisito outros dois anos de residência em Cirurgia Geral. 

O programa é puxado e o residente terá muito trabalho, noites sem dormir e um grande número de pacientes, além de muita espera para que chegue a sua vez de operar. 

O residente do primeiro ano (R3) é subordinado ao do segundo ano (R4), mas ambos têm papéis semelhantes — são responsáveis pela enfermaria (pré e pós-operatório). A principal diferença é que o R4 responde diretamente ao chefe do serviço e tem o privilégio de fazer cirurgias mais interessantes. 

A rotina semanal é dividida entre enfermaria, ambulatório, centro cirúrgico e reuniões científicas e administrativas, além de plantões. 

Apesar de o programa ter a duração de dois anos, esse tempo de residência não é suficiente para que o profissional esteja capacitado para realizar cirurgias de alta complexidade. Quem quiser se tornar especialista em cirurgia oncológica do aparelho digestivo, cirurgia bariátrica ou transplantes, precisa continuar se especializando.

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