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Cirurgia do Aparelho Digestivo: residência, áreas de atuação, rotina e mais

Cirurgia do Aparelho Digestivo: residência, áreas de atuação, rotina e mais

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A cirurgia do aparelho digestivo é a especialidade médica que se ocupa do tratamento cirúrgico das patologias do sistema digestivo, com exceção da cavidade oral. Isso inclui esôfago, estômago, intestino delgado e grosso e órgãos acessórios, como fígado, vesícula biliar, via biliar e pâncreas. 

O especialista nessa área é chamado de gastrocirurgião. No Brasil, existem 3.232 gastrocirurgiões titulados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Sendo que 54,7% deles estão na região Sudeste. 

Os dados são do último estudo Demografia Médica no Brasil, que foi divulgado em 2020.

Se você se interessa por essa área e quer saber mais sobre a residência médica em Cirurgia do Aparelho Digestivo, acompanhe este artigo! Aqui, também falaremos sobre o dia a dia do especialista e traremos um panorama sobre o mercado de trabalho. Vamos lá?

O especialista e sua rotina

A gastrocirurgia é uma área abrangente e não se limita ao centro cirúrgico. O especialista nessa área costuma ser conhecido como “aquele que vive para o trabalho”, mas, na realidade, o tempo dedicado à Medicina depende da subespecialidade escolhida — falaremos disso mais adiante!

Além das cirurgias, exames diagnósticos e terapêuticos também fazem parte da rotina de alguns profissionais. Quem se dedica a essa área costuma trabalhar em horários comerciais e normalmente não tem vínculo direto com o paciente, o que torna a rotina mais tranquila.

Porém, também é possível operar e ter um dia a dia menos agitado. Isso acontece com os especialistas que realizam cirurgias ambulatoriais ou de curta internação, com baixa incidência de complicação pós-operatória, como hernioplastias hiatais laparoscópicas, colecistectomias laparoscópica e hemorroidectomia. Esses procedimentos são comuns e considerados por muitos o “ganha-pão” do gastrocirurgião.

Quem aprecia uma rotina mais movimentada, pode se dedicar a cirurgias de alta complexidade, como as oncológicas e transplantes de órgãos do aparelho digestivo (fígado, pâncreas e intestinos).

Nesse campo, o gastrocirurgião é movido pelo desafio, pois trata-se de pacientes críticos e de cirurgias duradouras e de pós-operatórios muitas vezes prolongados por complicação. Além disso, essa é uma área de grande produção científica, clínica e laboratorial. 

As características do gastrocirurgião

O gastrocirurgião precisa ter algumas características comuns a todos os cirurgiões: habilidade e gosto pelo trabalho manual. No entanto, ao contrário do que pode acontecer em outras especialidades, aqui o apreço pela teoria é imprescindível.

Assim, é crucial ter domínio da anatomia humana, e isso não inclui apenas os órgãos do aparelho digestivo, mas a cavidade torácica e abdominal como um todo.

O profissional também precisa dominar a fisiopatologia gastroenterológica e a clínica cirúrgica, além da capacidade de trabalhar em uma equipe multidisciplinar.

É comum que o gastrocirurgião trabalhe com colegas clínicos, anestesistas, intensivistas e radiologistas, além de enfermeiros, auxiliares, fisioterapeutas e assistentes.

Mercado de trabalho e remuneração

O caminho a ser traçado como gastrocirurgião depende do objetivo. Retorno financeiro, prestígio, carreira acadêmica ou vida tranquila.

Quem busca uma vida profissional em horário comercial pode se especializar em exames endoscópicos ou em cirurgias de baixa e média complexidade. Nesse caso, os plantões fazem parte do início da carreira.

Os exames endoscópicos são cobertos pelos planos de saúde, que muitas vezes pagam valores baixos. Então é necessário ter a agenda cheia para um bom retorno. 

Trabalhar no interior também é uma boa opção para gastrocirurgiões. Nas cidades menores há a possibilidade de se dedicar a cirurgias de baixa e média complexidade e realizar exames endoscópicos.

Os que almejam viver em cidades grandes podem fazer plantões e ficar de sobreaviso ou subespecializar-se. Nos plantões, a carga horária é grande e não é incomum operar durante a noite.

A vantagem desse modelo é que o profissional faz parte de um serviço e divide a responsabilidade com os colegas. Na subespecialização, os plantões são bem menos frequentes, mas isso não garante uma rotina tranquila.

Nesse campo, o profissional assume a responsabilidade e as cirurgias são mais longas, com maior incidência de complicação. Alguns pacientes ficam internados por meses. 

Para quem quer seguir carreira acadêmica, a rotina pode ser mais tranquila. Os residentes que auxiliam no trabalho burocrático e manual e a satisfação pessoal. Mas o retorno financeiro não é bom. 

Outra possibilidade é trabalhar como transplantador. No Brasil, esses procedimentos são feitos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por se tratar de uma cirurgia de altíssima complexidade, a remuneração é razoável. E esses profissionais são os mais prestigiados, o que pode refletir no movimento de pacientes no consultório.

Entretanto, essa atividade exige grande dedicação intelectual e física, além de disponibilidade de tempo. 

Remuneração

O salário inicial médio de um gastrocirurgião no Brasil é de R$ 5.777 para uma jornada de 20h, segundo pesquisa feita pelo site Salário. Com a experiência, esse valor pode chegar a R$ 17.400, segundo dados divulgados pelo portal Guia da Carreira. Esses dados são de 2019.

Segundo informações do Ministério do Trabalho, não houveram contratações nem demissões desses profissionais. Por isso, não foi possível trazer atualizações relevantes sobre remuneração de cirurgião do aparelho digestivo.

A residência médica em Cirurgia do Aparelho Digestivo

A residência médica em Cirurgia do Aparelho Digestivo dura dois anos. E tem como pré-requisito outros dois anos de residência em Cirurgia Geral. 

O residente do primeiro ano (R3) é subordinado ao do segundo ano (R4), mas ambos têm papéis semelhantes. São responsáveis pela enfermaria (pré e pós-operatório). A principal diferença é que o R4 responde diretamente ao chefe do serviço e tem o privilégio de fazer cirurgias mais interessantes. 

A rotina semanal é dividida entre enfermaria, ambulatório, centro cirúrgico e reuniões científicas e administrativas, além de plantões. 

Apesar de o programa ter a duração de dois anos, esse tempo de residência não é suficiente para que o profissional esteja capacitado para realizar cirurgias de alta complexidade. Quem quiser se tornar especialista em cirurgia oncológica do aparelho digestivo, cirurgia bariátrica ou transplantes, precisa continuar se especializando.

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