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Como avaliar e tratar a dor em crianças?

É comum os estudantes de Medicina e médicos que não vivem muito no mundo da Pediatria, se desesperarem quando se deparam com uma criança chorando e sentindo dor, não é mesmo? O livro de Urgência e Emergência em Pediatria traz de forma objetiva os principais assuntos dessa área, e o que tem que saber para avaliar e tratar a dor em crianças.

No processo de avaliação da dor são utilizadas as dimensões sensoriais (autoavaliação), comportamentais e fisiológicas (frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, sudorese e saturação de oxigênio).

A expressão da dor no paciente pediátrico pode variar de acordo com a sua idade. As crianças pequenas usam palavras simples e apontam os locais da dor. A capacidade de indicar a presença da dor verbalmente emerge entre 2 e 4 anos. Aos poucos eles aprendem a distinguir três níveis de dor, tais como “um pouco”, “alguns”, e “muito”. Em crianças incapazes de falar, o relato de dor é dependente dos pais e/ou cuidadores.

A melhor forma de avaliação é aquela em que a criança consegue descrever a intensidade e o tipo da dor em escalas de avaliação comportamental devem ser usadas quando a criança não consegue se expressar.

No Lactente avaliar:

Tensão facial, questionário pediátrico de dor.

Características do choro, tempo de choro, expressão facial, localização visual, movimento do corpo, tempo de resposta ao estímulo, estado comportamental, escala de dor da Ontário.

Alterações fisiológicas: frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e sudorese

Pré-escolar:

Escalas analógicas, escalas com avaliação numérica, escalas de palavras, questionário pediátrico de dor.

Escolar:

Podemos utilizar a escala numérica de 0 a 10

Escala de descritores verbais: Sem dor, dor leve, dor moderada, dor intensa, dor insuportável.

Escala de faces Wong Baker

Fonte: Wong Baker Faces Foundation

Além desses métodos, deve-se caracterizar a dor com os seguintes questionamentos:

História médica detalhada:

  • Experiências de dores anteriores;
  • Tratamento anterior;
  • Experiência de dor atual;
  • Linguagem não verbal;
  • Nível de desenvolvimento;
  • Nível de atividade (ex: sono, brincar, alimentação);
  • Exame físico.

Tratamento:

Existem métodos para aliviar a dor medicamentosos e não medicamentosos. Como tratamento não medicamentoso da dor, pode-se dispor de técnicas comportamentais, acupuntura, relaxamento, solução glicosada, sucção não nutritiva, massagem, toque terapêutico, posicionamento, presença dos pais, música, distração, permitir escolhas e atividades físicas, entre outros.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) propõe tratar a dor seguindo a seguinte escada analgésica:

Fonte: World Health Organization

Analgésicos não-opióides:

Paracetamol e AINES são úteis para manejar dor leve a moderada, quando utilizados em doses apropriadas. Atuam sinergicamente quando utilizados com anestésicos locais e/ou opióides, apresentando um efeito poupador de opioides em torno de 30%. Atenção especial deve ser dada às contraindicações desses fármacos em crianças e neonatos.

Acetaminofeno:

10-20 mg/kg VO 4/4h

20-40 mg/kg Via Retal 6/6 horas

Dose máxima diária:

Criança: 90 mg/kg

Lactente 60mg/kg

Neonato: 45mg/kg

Aspirina:

10-15mg/kg VO 4/4h

Dose máxima:

90-120mg/kg

Dipirona:

20-25mg/kg 6/6h

Ibuprofeno:

5-10mg/kg 6/6h

Analgésicos Opióides: Podem ser administrados com segurança em crianças de todas as idades, desde que seja titulados, e os pacientes avaliados e monitorizados. Não devem ser usados por via intramuscular, uma vez que o medo da injeção pode prejudicar a avaliação da dor em crianças.

Analgésicos adjuvantes: Como antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes, alfa-2-agonista e outros fármacos da dor crônica são utilizados em crianças desde que haja indicação precisa e um efetivo ajuste da dose. No Urgências e Emergências em Pediatria eles trazem a posologia detalhada dos fármacos citados acima.

Agora não existe mais ficar desesperado quando for atender uma criança com dor, não é? Manda pro colega que tá precisando ler esse post também!

Até a próxima!

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Fonte:

Manual de Urgências e Emergência em Pediatria, ed Sanar.

 
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