Ciclo Clínico

Como manejar um paciente se queixando de dor no peito?

Como manejar um paciente se queixando de dor no peito?

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A dor no peito é caracterizada como uma sensação de dor ou desconforto na região anterior do tórax. Essa dor pode ser causada por diversos fatores como infarto agudo do miocárdio, excesso de gases, crises de ansiedade e também devido a patologias pulmonares. 

A dor torácica é uma das principais queixas observadas em salas de emergência. Dessa forma, é necessário que um médico saiba como agir diante de um cenário de dor no peito.

Fisiopatologia da dor torácica

A dor torácica pode ser ocasionada por diversos fatores e possui diversos mecanismos diferentes. Uma das formas de diferenciação da origem da dor é a diferença entre a estimulação nervosa somática ou visceral durante a investigação clínica.

Fonte: MARTINS, Herlon Saraiva et al. Medicina de emergência: abordagem prática (USP). 12a edição. São Paulo: editora Manole, 2017.

Quais as causas da dor no peito? 

Existem muitas possibilidades para uma dor no peito. Por conta disso, é necessário orientar o paciente a procurar a emergência sempre que essa dor dura mais de 20 minutos, sem fatores de melhora e com outros sintomas associados como:

  • Vômito
  • Tontura
  • Dispneia 
  • Cefaleia 

Dentre as principais causas de dor torácica estão: 

Infarto agudo do miocárdio

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), também conhecido como Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é caracterizado como um evento clínico, ou patológico, em que ocorre isquemia miocárdica. Em 95% das vezes, esse infarto é causado pela ruptura da placa de ateroma e tem como consequência a injúria do músculo cardíaco.

Quadro clínico

O IAM é tido como uma condição de emergência clínica, sendo necessária uma anamnese direcionada. No geral,  apresenta-se como dor retroesternal/precordial esquerda, podendo irradiar para:

  • Dorso
  • Braços
  • Mandíbulas 
  • Pescoço

Essa dor pode ser de moderada a intensa, em aperto, com piora progressiva.

Patologias pulmonares

Problemas respiratórios também podem ocasionar dor torácica. Em alguns casos, o indivíduo desenvolve pleurite, uma inflamação da membrana que envolve os pulmões. Como há uma parte do pulmão localizada no tórax, essa dor pode ser confundida com dor cardíaca.

Quadro clínico

Pacientes com patologias pulmonares que desenvolvem dor no peito poder ter outros sintomas associados como:

  • Tosse
  • Dispneia 
  • Expectoração

Causas gastrointestinais 

Outra causa comum de dor no peito é o acúmulo de gases que ocorre devido a prisão de ventre. Como há um aumento de gases no intestino, ocorre um inchaço e até a compressão de alguns órgãos. Dessa forma, pode ocorrer dor no peito e cólica.

Quadro clínico

No geral, o paciente com dor torácica devido ao acúmulo de gases sente: 

  • Dor em pontada 
  • Não é uma dor constante
  • Tem fatores de melhora 

Crise de ansiedade x dor no peito

A ansiedade consiste em uma resposta natural e temporária do corpo a qualquer situação de estresse. 

Durante os quadros de crise de ansiedade, o paciente respira de forma curta e rápida. Dessa forma, ocorre uma hiperventilação no organismo, ocasionando um acúmulo de gás na região torácica. Esse acúmulo faz com que uma dor no peito se desenvolva.

Quadro clínico

Dentre os principais sintomas de uma crise de ansiedade estão: 

  • Palpitação
  • Suor
  • Falta de ar
  • Sensação de estar sufocando
  • Náuseas
  • Apagões 
  • Pânico 

Como manejar um paciente com dor no peito?

Para avaliação da dor torácica e correto diagnóstico é necessário uma investigação minuciosa da dor, além de outros sintomas associados, patologias de base do paciente e exames complementares. Para avaliação da dor torácica, alguns detalhes devem ser investigados como:

  • Qualidade da dor
  • Cronologia da dor
  • Localização da dor
  • Fatores precipitantes
  • Intensidade da dor
  • Fatores de melhora
  • Fatores de piora
  • Antecedentes: trauma, cirurgias, uso de drogas, tabagismo, histórico familiar, comorbidades.

Ao exame físico, observe os sinais vitais do paciente, a saturação de oxigênio, o aparelho respiratório, cardiovascular e as extremidades. 

Em seguida, alguns exames complementares devem ser feitos imediatamente. Esses exames buscam excluir patologias relacionadas ao miocárdio. São eles: 

  • ECG
  • Marcadores de necrose do miocárdio 
  • Radiografia de tórax: é útil para o diagnóstico de infecções, derrame pleural, neoplasias torácicas, fraturas, etc.  

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Referência bibliográfica 

  • MARTINS, Herlon Saraiva et al. Medicina de emergência: abordagem prática (USP). 12a edição. São Paulo: editora Manole, 2017.
  • MOREIRA, Maria da Consolidação Vieira et al. LIVRO-TEXTO da sociedade brasileira de cardiologia. 2° edição. Barueri – SP: editora Manole, 2015.

Sugestão de leitura complementar