Como seguir carreira no Médicos sem Fronteiras | Colunistas

Como seguir carreira no Médicos sem Fronteiras | Colunistas

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Comunidade Sanarmed

8 min380 days ago

1. O que é o “médicos sem fronteiras”?

O Médicos sem Fronteiras (MSF) é uma organização humanitária internacional criada em 1971, na França, por jovens médicos e jornalistas com o proposito de levar cuidados de saúde a pessoas afetadas por conflitos armados, desastres naturais, epidemias, desnutrição ou para aquelas sem qualquer acesso à assistência médica. Além disso, a organização busca chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas atendidas em seus projetos, dando visibilidade a realidades que não podem permanecer negligenciadas.

            O MSF atua em mais de 70 países de várias partes do mundo auxiliando no combate de várias epidemias de doenças e fome, como no caso da Síria e Afeganistão, áreas afetadas pela guerra e pela fome, que necessitam de organizações humanitárias que ajudem no tratamento de feridos e doentes. A ação do MSF é majoritariamente na área da saúde, seja ela médica ou fisioterápica, mas não se restringe somente a isso: o MSF atua também no fornecimento de água potável, alimento e vestuário, auxiliando as comunidades afetadas a ter uma condição de vida mais digna.

2. Quais áreas profissionais podem seguir carreira no MSF?

Devido as variadas ações que o MSF desempenha, várias profissões são requeridas no programa como: Cirurgião, Enfermeiro, Anestesista, Farmacêutico, Psicólogo/Psiquiatra, Administradores, Gerente de Projetos, entre outros. Todas essas profissões são fundamentais para o desenvolvimento das atividades do programa. Quando você decide fazer parte do MSF, você não só escolhe uma carreira, mas também um estilo de vida. Os profissionais escolhidos para integrar a equipe são pessoas que, acima de tudo, acreditam no trabalho humanitário imparcial, neutro e independente realizado pela organização mundo afora e sentem-se motivadas por ele.

Antes que você pense que os profissionais que seguem carreira no MSF são verdadeiros monges budistas que abdicaram de carreiras dignas de Grey’s Anatomy para somente ajudar o próximo, tenho uma notícia: os profissionais do MSF não são voluntários, recebem remunerações e participam de processos de seleção rigorosos. No entanto, não são salários astronômicos e os profissionais de saúde não ficam milionários, até porque, a remuneração financeira não chega a ser cogitada como motivação para as pessoas que se inscrevem no processo de seleção. O que move as pessoas é a remuneração social e emocional, é saber que o que é feito por elas ecoa em situações de grande conflito e que cada dia investido na instituição é um dia em que vidas foram salvas e histórias antes findas tiveram um novo começo.

3. Mas, afinal, como seguir carreira no MSF?

            A integridade da organização é sustentada pela boa conduta de cada um dos membros da equipe individualmente, em qualquer local, com total respeito pelas comunidades em que servem. Por isso, é exigido e esperado que todos os profissionais respeitem os princípios orientadores. O MSF busca profissionais que queiram seguir carreira na instituição, oferecendo a estrutura necessária para que os profissionais exerçam suas funções em diferentes locais por períodos longos de tempo, oferecendo diversos cursos de capacitação profissional durante sua trajetória.

A primeira fase baseia-se em uma análise do currículo em inglês ou francês, e o envio de uma carta de motivação na língua vernácula do candidato. Após isso, se o candidato for aprovado, é feita uma pré-entrevista em que são discutidas as expectativas quanto ao serviço, experiências já vividas na medicina e motivação para seguir esta carreira. Mas você precisa ter atenção: parte desta entrevista e feita em inglês ou francês, então, é necessário que o candidato seja fluente nestas línguas para passar na entrevista e atuar nas áreas de combate onde o idioma de origem provavelmente não será o seu.

Concluídas estas etapas, o candidato é convidado a ir a sede da MSF do seu país (no Brasil, a sede fica no Rio de Janeiro). Nesta última etapa é feita uma reunião para discutir a organização, uma entrevista presencial individual para nivelamento final das expectativas e o teste em uma das línguas exigidas. Esta fase do processo dura cerca de um dia. Finalizadas as etapas, os candidatos selecionados ficam no aguardo até que a organização encontre um posto de trabalho ideal para o seu perfil.

Cada um dos projetos desempenhados pelo MSF é um novo desafio profissional e pessoal, e, para tornar tudo isso possível, o MSF investe no desenvolvimento profissional de todos que trabalham na organização. Para isso, foram implementadas políticas de gestão de carreiras baseadas em treinamentos internos e programas de mentoring e coaching. Essa política visa não só desenvolver talentos, mas, também, levar indivíduos cada vez mais bem preparados para os projetos em campo e promover seu crescimento profissional, afinal, em situações de extrema crise e escassez de recursos, é necessário que os profissionais estejam capacitados para conseguir lidar com as adversidades e situações inusitadas.

Antes mesmo de partir para o seu primeiro projeto, você irá participar de um curso na Europa, no qual terá a oportunidade de obter informações a respeito dos princípios e práticas empregados no MSF, como a vida no terreno, comunicação, segurança e saúde. Na medida de seu interesse e sua motivação, dos resultados de sua avaliação de desempenho em campo, das opções disponíveis e das necessidades das operações, o profissional, ao longo de sua trajetória com a organização, poderá participar de outros cursos. É importante frisar que todos os custos relacionados a essas capacitações são cobertas pela organização. Em contrapartida, o profissional deverá se comprometer a trabalhar em projetos em que aplicará os conhecimentos adquiridos.

4. Como é a carreira no MSF?

Trabalhar com MSF em projetos de campo demanda levar o conceito de adaptação a outro nível: alimentação, habitação, ritmo de vida, lazer, língua e colegas são coisas que dependem do contexto e local da missão que duram em média de 3 meses a 1 ano. É necessária a adaptação a um novo estilo de vida em que privacidade e tempo livre podem ser raros. É possível que você tenha de compartilhar seu quarto e o banheiro, e que a prática do seu esporte favorito tenha que esperar o fim da sua jornada com MSF, pois os projetos de campo podem estar localizados em regiões cujas condições meteorológicas não sejam sempre brandas – calor ou frio extremo, altos índices de umidade, chuvas ou clima desértico. Pode ser que o cenário do seu projeto seja viver em uma cabana feita de barro sem ventilador ou ar-condicionado, tolerar zumbidos de insetos, ter de lidar com uma fonte de energia restrita e variedade limitada de alimentos por meses. Além disso, pelo menos nas primeiras missões, você não pode escolher seu local de destino, ficando a cargo do MSF a indicação de missões que se encaixem no seu perfil e você opta por aceitar a missão ou aguardar uma próxima que atenda mais as expectativas individuais.

Por outro lado, talvez você seja beneficiado com o conforto de uma casa espaçosa, que pode até ter quem cozinhe e arrume, enquanto os beneficiários de seu projeto sobrevivem a duras penas. Algumas pessoas têm dificuldades em conviver com tal paradoxo, sendo necessária a alto avaliação da sua capacidade de abandonar seu conforto material, antes de sair com MSF. Você também estará longe de sua família e amigos por vários meses e a comunicação pode ser difícil.

Saber lidar com a carga de trabalho e o estresse é necessário. Atuar com ajuda humanitária em situações de emergência significa um aumento do nível de estresse, em que vários fatores podem criar um clima desconfortável e desmotivar você. A tensão entre membros da equipe, problemas de saúde, o afastamento de sua família e amigos, o sentimento de insegurança, frequentes mudanças no projeto, por vezes difíceis relações com as autoridades locais, as condições de vida básicas e até mesmo a alimentação são aspectos que têm de ser levados em conta na hora de se candidatar a profissional no Médicos sem fronteiras.

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