Aprenda como fazer o diagnostico de TDAH de acordo com o DSM-5!
O Transtorno do déficit de atenção (TDAH) consiste em uma síndrome heterogênea, de etiologia multifatorial, que dependendo de fatores genéticos, adversidades biológicas e psicossociais.
Dessa forma, estudos mostram que o TDAH representa, junto com a dislexia, a principal causa de fracasso escolar. Cerca de 20% das crianças diagnosticadas com TDAH tem transtorno de aprendizagem.
O que é o transtorno de TDAH?
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) consiste em um problema neurodesenvolvimento, possuindo a seguinte tríade sintomatológica: desatenção, impulsividade e hiperatividade.
Estudos mostram que a forma clássica do TDAH inicia-se por volta dos 7 anos de idade. Nessa fase, as sinapses aumentam rapidamente na região do córtex pré-frontal. Em seguida, na adolescência, cerca de metade delas são eliminadas. Com disso, haverá formação de novas sinapses e remoção de outras no córtex pré-frontal. Esses fatores podem contribuir para o início e a fisiopatologia do transtorno durante toda a vida do indivíduo.
Dentre os neurotransmissores mais importantes no TDAH estão a dopamina (DA) e a noradrenalina (NA). Alguns estudos sugerem que a desregulação desses neurotransmissores impede a “sintonização” normal dos neurônios piramidais no córtex pré-frontal.
Como diagnosticas o TDAH de acordo com o DSM-5
O diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição ou DSM-5 consiste em:
- Padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento ou desenvolvimento, caracterizado por 1 (desatenção) e/ou 2 (hiperatividade-impulsividade);
- Pode haver predomínio de impulsividade ou desatenção, com diferentes subtipos;
- Se predominarem os 2: subtipo combinado.
Para fazer o diagnóstico com esse critério é necessário ≥ 6 sinais e sintomas de um ou ambos os grupos.
Desatenção
Os sintomas precisam durar mais de 6 meses em uma intensidade que não é adequada para o nível de desenvolvimento. Além disso, esses sintomas devem ter impacto negativo nas atividades sociais, acadêmicas e ocupacionais desses pacientes. Para pessoas com mais de 17 anos, são necessários pelo menos 5 sintomas.
Dentre os principais sintomas, estão:
- Falhar em prestar atenção a detalhes ou cometer erros por desatenção nos trabalhos escolares no trabalho ou durante atividades (passa por cima de detalhes);
- Com frequência, ter dificuldade em manter atenção em tarefas ou jogos (dificuldade em manter o foco na leitura, conversação ou manter período prolongado de leitura;
- Com frequência, não escutar enquanto lhe falam diretamente (parece estar em outro lugar, mesmo na ausência de um distrator evidente);
- Ter dificuldade, com frequência, para seguir as instruções, não terminar as tarefas escolares ou obrigações no trabalho (começa tarefas, mas rapidamente perde o foco);
- Com frequência, evitar ou relutar em participar de tarefas que exijam esforço mental (trabalhos escolares, preparar relatórios, completar formulários, revisar artigos);
- Perder coisas necessárias para tarefas ou atividades (celular, chave, óculos, material escolar);
- Ser facilmente distraído por qualquer estímulo (até mesmo os próprios pensamentos podem distrair em casos de adolescentes e adultos);
- Esquecer com frequência das atividades diárias (tarefas, retornar ligações, pagar contas, compromissos).
Hiperatividade-impulsividade
Relacionado a hiperatividade-impulsividade, o paciente deve ter 6 ou mais dos sintomas seguintes por pelo menos 6 meses, causando má adaptação. Dentre os principais sintomas, estão:
- Agitar mãos ou pés ou se remexer na cadeira
- Levantar da cadeira em sala de aula ou em outras situações em que deveria ficar sentado
- Correr ou pular demais quando não deveria ou quando outras pessoas não queriam que fizesse isso
- Ter dificuldade de brincar em silencio
- Sente-se a “todo vapor” ou a “mil por hora”
- Falar demais
- Responder precipitadamente, antes mesmo que as perguntas fossem completadas
- Ter dificuldade de esperar sua vez
- Interromper ou se intrometer nos assuntos dos outros
No geral, os sintomas geraram problemas e começaram antes dos 12 anos de idade. Essas adversidades geradas estão presentes em pelo menos 2 ambientes entre casa e escola, amigos e parentes, em outras atividades. Além disso, existem evidencias de problemas no funcionamento social, escolar e ocupacional (esse último no caso de adultos).
O diagnóstico do TDAH não se faz apenas pela observação direta da criança, não sendo identificado necessariamente na primeira consulta. É muito importante que os médicos se informem com os pais e professores sobre o comportamento das crianças. É comum que a descrição dos problemas trazidos pelo TDAH varia conforme o ambiente no qual a criança se encontra.

Perguntas Frequentes:
1 – Qual o primeiro critério?
Desatenção
2 – Qual o segundo critério?
Hiperatividade-impulsividade
3 – Por quanto tempo devem persistir os sintomas?
Seis meses
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Referência bibliográfica
- SOBRAL, C. J. B. O tdah em adultos. Rio de Janeiro (RJ). Pontifícia Universidade Católica. Setembro, 2018. https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/36225/36225.PDF
- American Psychiatric Association. (2003). DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (ed. rev.). Porto Alegre, RS: Artes Médicas.
