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Enfisema Pulmonar | Colunistas

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Débora Barreto

6 minontem

Fisiologia normal da respiração pulmonar

A respiração é popularmente conhecida como o ato de inspirar e expirar o ar. Porém, na prática, além disso, é o processo de renovação e trocas gasosas que permite ao indivíduo gerar energia e eliminar metabólitos.

A hematose, como é conhecida a conversão do sangue a nível pulmonar, trata-se da difusão constante de gás carbônico (CO2) e oxigênio (O2) pela diferença de concentração, renovando o sangue venoso que voltará à circulação sistêmica.

O trato respiratório é formado por diversos órgãos que têm função condutora (permitem a passagem do ar) e função respiratória (que recebe o ar inspirado concomitante ao sangue venoso). Fazem parte do trato respiratório: cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos.

Os alvéolos são a menor unidade funcional do pulmão e se assemelham a pequenas bolsas recobertas de capilares. Têm um revestimento bastante delgado com uma única camada epitelial, o que corrobora para a difusão fisiológica.

É importante salientar que a respiração celular promove reações metabólicas por meio da quebra de glicose e é importante geradora de CO2. Portanto, fica simples entender a relação entre geração de energia e a necessidade de eliminar produtos potencialmente tóxicos.

Compreendendo a fisiologia normal da respiração, pode-se entender os prejuízos causados pela destruição alveolar decorrente de doenças obstrutivas crônicas (DPOC).

A DPOC é compreendida como obstrução da passagem de ar e pode ser decorrente de quadros de bronquite ou enfisema pulmonar.

Imagem 1: representação da rede vascular em contato com os alvéolos
Fonte: http://sistrespiratorio.blogspot.com/2008/10/alvolos-pulmonares.html

O que é o enfisema pulmonar

O enfisema pulmonar é a modificação anatômica dos espaços aéreos distais aos bronquíolos terminais, com distensão permanente sem a presença concomitante de fibrose. Trata-se de uma doença obstrutiva crônica, mais prevalente em homens com idade entre 40-50 anos, aumentando a incidência com o envelhecimento.

A diminuição das trocas gasosas decorre da distensão, engrossamento e destruição da parede dos alvéolos, o que gera aumento do volume nos pulmões após expiração passiva (CRF) e, consequentemente, hiperinsuflação pulmonar.

É uma doença de instalação lenta e gradual com evolução progressiva, com sinais/sintomas como: tosse crônica, produção persistente de muco, ausculta de sibilo, dispneia, dor torácica.

São fatores de risco: tabagismo (principal), poluição atmosférica, infecções recorrentes na infância, suscetibilidade individual, desnutrição na infância, deficiências genéticas. Embora as taxas de internação e mortalidade sejam preocupantes, é importante salientar o impacto socioeconômico decorrente desta doença, que afeta diretamente a capacidade do indivíduo de realizar suas atividades cotidianas.

São possíveis causas:

  • Desequilíbrio enzimático que causa aumento de enzimas proteolíticas ativas que degradam fibras colágenas e elásticas.
  • Estresse oxidativo.
  • Mecanismos de apoptose celular.
  • Senescência celular.
  • Falha no processo de reparo do tecido pulmonar.

Evolução da doença

O paciente pode apresentar queixa de dispneia e sinais de bronquite e insuficiência respiratória. Nas fases iniciais os sintomas são leves e descontínuos e, com a progressão, o indivíduo apresenta redução da capacidade física podendo evoluir para incapacidade.

É importante relacionar a piora repentina do quadro da doença de base com outras intercorrências no trato respiratório, como infecções. Isto porque a presença de outras patologias pode fazer com que a doença evolua mais rapidamente. Assim, precisa-se aconselhar o paciente a manter sua carteira de vacinação atualizada, com as vacinas Pneumocócica e Influenza.

Além disso, deve-se atentar ao pneumotórax espontâneo, devido à possibilidade de rotura das bolhas.

Quando a doença já está difusa e avançada, pode haver uma super distensão permanente da parede torácica, conhecida como tórax em barril ou em tonel. Neste caso, o doente se apresenta com distensão e elevação das costelas, ombros arqueados e projeção anterior do esterno devido esforço na expiração.

Imagem 2: comparação entre tórax normal e tórax em barril/ tonel
Fonte: http://airblog-pg.blogspot.com/2015/08/770-o-que-e-hiperinsuflacao-pulmonar.html

Diagnóstico e tratamento

→ Na ausculta pulmonar, há redução difusa do murmúrio vesicular.

→ Na radiografia de tórax há bolhas e áreas focais de hipertransparência, além de sinais de hiperinsuflação, como: retificação e rebaixamento das cúpulas diafragmáticas, expansão do espaço aéreo retroesternal, alargamento dos espaços intercostais.

→ Na tomografia computadorizada há focos de baixa atenuação, sem paredes visíveis, com predomínio nas regiões centrolobulares, como áreas hipoatenuantes, circundadas por septos interlobulares, em situação subpleural ou pela destruição da anatomia lobular, resultando em uma redução uniforme da atenuação pulmonar e dos vasos pulmonares nos segmentos afetados.

→ Na espirometria, há um pico de fluxo espiculado na curva fluxo-volume que pode ser seguido de um rápido declínio dos fluxos expiratórios, com grande diferença entre o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e o fluxo expiratório máximo (PFE) em % do previsto.

Após o diagnóstico firmado, a expectativa de vida pode variar bastante conforme a gravidade da doença. Nos quadros mais graves, por exemplo, a sobrevida de 80% dos pacientes gira em torno de 5 anos de vida.

 Como tratamento, é priorizado a cessação do tabagismo (caso seja o caso), além de medidas de apoio com broncodilatadores, glicocorticoides, oxigênio e fisioterapia/reabilitação pulmonar. Embora não tenha cura, é possível obter controle sintomático e oferecer melhora da qualidade de vida ao paciente.

Autora: Débora de Souza Barreto.

Instagram: @_deborasbarreto

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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