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Ginecologia nas provas de Residência Médica: quais os assuntos mais cobrados?

Ginecologia nas provas de Residência Médica: quais os assuntos mais cobrados?

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Ginecologia nas provas de residência médica: tudo o que você precisa saber para sua prova de residência!

A Ginecologia é a área da medicina que envolve a saúde da mulher, abrangendo desde as doenças anatômicas até as hormonais relacionadas ao corpo feminino. Assim como qualquer grande área de estudo da medicina, a Ginecologia abrange um grande número de assuntos, doenças e tratamentos que deverão ser cobrados na prova de Residência Médica.

Como é a prova de ginecologia nas provas de residência médica?

Ginecologia corresponde a cerca de 7.8% da prova de Residência. A prova de ginecologia nas provas de residência médica pode variar de acordo com a instituição que realiza o exame. No entanto, geralmente a prova de ginecologia abrange diferentes áreas relacionadas à saúde da mulher e à prática médica ginecológica.

Aqui estão alguns tópicos que podem ser abordados na prova:

TEMAPORCENTAGEM
HPV e Câncer de colo uterino 15,2%
Fisiologia Mestrual 8,8%
Vulvogaginites e Cervicite 8,2%
Doenças malignas da mama 8,0%
Endometriose 6,7%
Planejamento familiar 6,4%
Climatério 6,0%
Sangramento Uterino Anormal 5,6%
Síndrome dos Ovários policístico 4,6%
Massas anexiais, doenças benignas e
malignas dos ovários
4,6%
Doença inflamatória Pélvica 4,3%
Doenças benignas da mama 4,1%
Abortamento legal e Abuso Sexual 3,6%
DSTs e Úlceras genitais 3,4%
Uroginecologia / Incontinência urinária 3,3%
Neoplasia de endométrio 3,1%
Anatomia, embriologia e malformações
do trato reprodutor feminino
2,2%
Infertilidade conjugal 2,0%
Distopias genitais 0,7%

Os quatro temas de Ginecologia mais encontrados nas questões são:

  • HPV
  • Câncer de Colo Uterino (15.2%)
  • Fisiologia Menstrual (8.8%)
  • Vulvovaginites e Cervicites (8.2%).

Como são as questões de HPV no módulo de ginecologia nas provas de residência médica?

O papilomavírus humano (HPV) é um vírus comum que infecta a pele e as mucosas. Existem mais de 100 tipos diferentes de HPV, dos quais cerca de 40 podem infectar a área genital, sendo classificados em tipos de alto risco e baixo risco.

O HPV é uma infecção sexualmente transmissível, sendo transmitido principalmente por contato direto de pele a pele durante a atividade sexual, incluindo sexo vaginal, anal e oral. Também pode ser transmitido através do contato com objetos contaminados, como toalhas ou roupas íntimas, embora seja menos comum.

A maioria das infecções por HPV é assintomática e o sistema imunológico do indivíduo é capaz de eliminar o vírus naturalmente. No entanto, em alguns casos, o HPV pode persistir e levar ao desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas e câncer.

Questões sobre HPV na prova de ginecologia

Chegou a hora de testar o seu conhecimento!

Questão 1

PSU – MG – PROCESSO SELETIVO UNIFICADO – MG, 2023. Paciente de 35 anos, vai à consulta ginecológica queixando-se de lesões elevadas, pruriginosas em região vulvar. Reclama ainda de constrangimento na relação sexual devido a essas lesões. Última citologia oncótica há três anos: Negativa para displasias. Ao exame: Apresenta quatro lesões, elevadas, serrilhadas, discretamente endurecidas, medindo cerca de 0,5cm cada, em introito vaginal, períneo, próximo ao clitóris e vulva. No exame especular apresenta duas dessas lesões, com 0,6cm cada, na parede vaginal lateral. Colo normal, sem áreas acetobrancas e teste de Schiller negativo. Assinale a alternativa que possui a MELHOR CONDUTA sobre o caso:

A) Colher citologia oncótica do colo e pedir teste molecular para detecção do HPV no colo e nas lesões descritas

B) Colher citologia oncótica do colo e realizar cauterização química das lesões internas e externas com ácido tricloroacético

C) Colher citologia oncótica e prescrever imunomodulador para a própria paciente aplicar nas lesões

D) Pedir teste molecular para detecção do HPV no colo e nas lesões descritas e aguardar o resultado para decidir o tratamento.

Comentário da questão

Pelas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento Do Câncer Do Colo Do Útero do Ministério da Saúde/ INCA devem realizar o rastreamento:

  • Mulheres que já tiveram relação sexual
  • Idade: 25 a 64 anos
  • Após dois exames anuais consecutivos normais → Trienal (É isso mesmo! 3 ANOS!!!)
  • Após os 64 anos, não deve ser mais realizado (mulheres sem história prévia de doença neoplásica pré-invasiva e com dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos).

Então, a paciente precisa da coleta de citologia oncótica agora. Sobre as lesões verrucosas: elas são características do condiloma acuminado. Deve ser tratado.

Câncer de colo uterino

O câncer de colo uterino, também conhecido como câncer cervical, é uma neoplasia que se desenvolve nas células do colo do útero, a parte inferior do útero que se conecta à vagina.

É um tipo de câncer que afeta principalmente mulheres, e a infecção persistente por certos tipos de papilomavírus humano (HPV) é considerada a principal causa dessa doença.

Os sintomas do câncer de colo uterino podem incluir sangramento vaginal anormal, dor durante as relações sexuais e corrimento vaginal com odor desagradável. No entanto, nas fases iniciais, o câncer cervical pode ser assintomático, daí a importância dos exames preventivos regulares.

Questões de CA de colo uterino no módulo de ginecologia da prova de residência médica

Responda as questões abaixo:

Questão 1

HIAE – HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN, 2023. Após 6 meses de um resultado de citologia oncótica de colo uterino com resultado de atipia de células escamosas, provavelmente não neoplásicas (ASC-US), uma paciente de 34 anos repete o exame e apresenta o resultado: lesão intraepitelial de baixo grau (LIEBG). De acordo com as Diretrizes para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, o próximo passo para o tratamento adequado é:

a) Nova coleta de citologia oncótica em 12 meses

b) Realizar teste de DNA-HPV.

c) Nova coleta de citologia oncótica em 6 meses.

d) Encaminhar paciente à colposcopia.

Comentário da questão

Como ela tinha 34 anos, repetiu a colpocitologia em 6 meses e o novo achado foi LIEBG. As lesões intraepiteliais de baixo grau (LSIL ou LIEBG) são a 2ª atipia citológica mais comum no CCO. LSIL/ LIEBG representa a manifestação citológica da infecção causada pelo HPV e tem um alto potencial de regressão frequente.

Recomendações:

  • ≥ 25 anos → repetir em 6 meses.
  • < 25 anos → repetir em 3 anos (ou quando completar 25 anos).

Fisiologia menstrual

A fisiologia menstrual refere-se aos eventos fisiológicos que ocorrem no corpo de uma mulher durante o ciclo menstrual. O ciclo menstrual é um processo que envolve a preparação do corpo feminino para uma possível gravidez. Dessa forma, ocorre de forma regular em mulheres em idade fértil.

O ciclo menstrual é regulado por complexas interações hormonais entre o:

  • Sistema reprodutivo
  • Hipotálamo (uma área do cérebro)
  • Glândula pituitária (localizada na base do cérebro).

O ciclo menstrual típico tem uma duração média de 28 dias, mas varia de mulher para mulher, podendo ser mais curto ou mais longo.

Subdivisão do ciclo menstrual

O ciclo menstrual é dividido em quatro fases principais:

  1. Fase menstrual: também conhecida como menstruação ou período menstrual, é o momento em que ocorre a descamação do revestimento interno do útero (endométrio), que é eliminado através da vagina. Geralmente dura de 3 a 7 dias. Durante essa fase, os níveis hormonais estão baixos.
  2. Fase folicular: após a menstruação, começa a fase folicular. Durante essa fase, o hormônio folículo estimulante (FSH) é secretado pela glândula pituitária, estimulando o crescimento e o desenvolvimento dos folículos ovarianos. Cada folículo contém um óvulo imaturo. Ao mesmo tempo, o hormônio estrogênio é secretado pelos folículos em desenvolvimento, preparando o endométrio para uma possível gravidez.
  3. Ovulação: ocorre aproximadamente no meio do ciclo menstrual, geralmente cerca de 14 dias antes do início do próximo período menstrual. Durante a ovulação, o folículo maduro libera o óvulo no ovário. O óvulo é então capturado pelas trompas de Falópio e está disponível para a fertilização por um período de 24 horas.
  4. Fase lútea: após a ovulação, inicia-se a fase lútea. Durante essa fase, o folículo que liberou o óvulo se transforma em uma estrutura chamada corpo lúteo, que secreta progesterona. A progesterona prepara o endométrio para a implantação de um possível embrião fertilizado. Se a gravidez ocorrer, o corpo lúteo continua a secretar progesterona. Caso contrário, se não houver fertilização, o corpo lúteo regride e os níveis hormonais diminuem, levando ao início da próxima menstruação.

Questão sobre fisiologia menstrual

Aproveite para treinar o seu conhecimento:

Questão 1

PSU – MG – PROCESSO SELETIVO UNIFICADO – MG, 2023. O ciclo menstrual é um conjunto de eventos endócrinos interdependentes do sistema hipotálamo-hipófise-ovariano que levam a modificações fisiológicas no organismo da mulher visando à ovulação. Ao final da fase folicular, as células da granulosa passam a expressar também receptores na superfície das células da granulosa, associado à redução dos receptores de hormônio folículo estimulante (FSH) pelo mecanismo de autorregulação, leva à mudança no padrão de dependência do folículo do FSH para uma fase LH-dependente. Esta modificação do padrão de resposta do folículo ao LH é responsável:

A) Pela produção de prostaglandinas que aumentam a contração das células da musculatura lisa que envolvem o folículo, ajudando na extrusão do óvulo

B) Pela produção de substâncias proteolíticas que promovem a digestão da parede celular folicular, facilitando a extrusão do oócito secundário

C) Pela reativação da meiose do óvulo que havia sido interrompida no período diplóteno da primeira meiose na vida intrauterina

D) Pelo estímulo à neovascularização local, reduzindo a produção folicular de estradiol pelas células da teca luteinizadas.

Comentário da questão

O marcador fisiológico mais importante da aproximação da ovulação é o pico do LH no meio do ciclo, o qual é precedido por aumento acelerado do nível de estrogênio. O FSH e o LH estimulam também a produção e o depósito de ácido hialurônico em volta do oócito e, dentro da coroa radiada, dispersam e separam o complexo cúmulo-oóforo da membrana da granulosa. Sob ação sinérgica das prostaglandinas E e F e do LH, acontece a contração das células musculares da parede folicular, já enfraquecida, com extrusão do oócito, ocorrendo, dessa forma, a ovulação.

Questão 2

USP – SP – UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP, 2023. Paciente, 20 anos, refere aumento de pelos faciais e acne. Nuligesta, uso de preservativo, ciclos menstruais com intervalos de 40 dias, por 6 dias e pouca quantidade. O exame clínico geral é normal, com achado de pilificação aumentada em face. Exame ginecológico: genitais externos, clitóris, pilificação, grandes e pequenos lábios normais; toque vaginal com útero de volume habitual e regiões anexiais normais. Qual é o achado laboratorial associado à condição clínica?

A) FSH baixo em relação ao LH.

B) LH elevado em relação ao FSH.

C) Antimulleriano baixo para a faixa etária.

D) Cortisol elevado para a faixa etária.

Comentário da questão

Para o diagnóstico, o principal critério utilizado é o de Rotterdam (ter dois de três, excluindo outras causas):

  • Ciclos anovulatórios: oligomenorreia ou disfunção menstrual (ex.: ciclo > 42 dias)
  • Hiperandrogenismo laboratorial ou clínico (acne, hirsutismo ou alopecia)
  • Ovários policísticos ao USG

Classicamente, eram considerados policísticos ao USG quando havia ≥ 12 folículos (de 2 a 9 mm) em um ovário ou volume ovariano > 10 mL). Um guideline de 2018 (em parceria com duas grandes sociedades internacionais de Reprodução Humana: ASRM e ESHRE) recomendou o valor ≥ 20 folículos em cada ovário.

Vulvovaginites e cervicites

As vulvovaginites são processos inflamatórios do trato genital inferior, ou seja, vulva, paredes da vagina e ectocérvice. As mais conhecidas são:

  • Vaginose Bacteriana
  • Candidíase
  • Tricomoníase

O ponto em comum entre elas, é a presença de corrimento vaginal como principal queixa da paciente. E é ele que nos ajuda a diferenciá-las também. Por isso, ao estudar vulvovaginites, é importante saber fazer a comparação entre quadros clínicos e características do corrimento garantindo, assim, que a terapêutica seja empregada de forma correta

Vaginose bacteriana

A vaginose bacteriana é uma condição vaginal comum caracterizada por um desequilíbrio das bactérias presentes na vagina.

Os sintomas da vaginose bacteriana podem variar de leves a moderados e incluem:

  • Corrimento vaginal acinzentado ou branco, geralmente fino e aquoso.
  • Odor vaginal desagradável, frequentemente descrito como odor de peixe, que pode se tornar mais evidente após a relação sexual ou durante a menstruação.
  • Coceira vaginal.
  • Sensação de queimação durante a micção.

Candidíase

É uma infecção fúngica causada pelo fungo Candida albicans, que normalmente habita a vagina em pequenas quantidades. Quando ocorre um desequilíbrio no ambiente vaginal, como alterações no pH ou no sistema imunológico, o fungo pode se proliferar. Ao se proliferar, ele pode causar sintomas como:

  • Coceira intensa
  • Ardor
  • Vermelhidão
  • Corrimento vaginal branco e espesso.

Tricomoníase

A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo parasita protozoário Trichomonas vaginalis. É uma das ISTs mais comuns em todo o mundo, afetando principalmente as mulheres.

A transmissão da tricomoníase ocorre por meio do contato sexual desprotegido com uma pessoa infectada. É importante destacar que a infecção pode ser transmitida mesmo na ausência de sintomas visíveis. Além disso, a tricomoníase também pode ser transmitida da mãe para o recém-nascido durante o parto.

Os principais sintomas da tricomoníase nas mulheres incluem:

  • Corrimento vaginal anormal: o corrimento vaginal costuma ser amarelado ou esverdeado, espumoso e com odor desagradável.
  • Coceira vaginal
  • Irritação e vermelhidão
  • Ardor e dor ao urinar
  • Desconforto durante as relações sexuais

Cervicites

As Cervicites acometem a mucosa endocervical, podendo ser Cervicite Mucopurulenta ou Endocervicite. Elas são causadas principalmente pela Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae e geralmente assintomáticas.

O tratamento várias com o grau de complicação e acometimento pelo patógeno variando entre ciproflixacino, azitromicina, amoxicilina, entre outros.

Exemplos de questões de vulvovagintes e cervicites nas provas de residência

Responda as seguinte questão:

Questão 1

1- DF, SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE – DISTRITO FEDERAL, 2017. Paciente de 28 anos de idade, nuligesta, casada, ciclos menstruais regulares, nega uso de métodos anticonceptivos, pois deseja gestar. Foi encaminhada ao serviço de patologia cervical; trouxe resultado de citopatológico apresentando LIEAG e colposcopia com biópsia evidenciando NIC III. A respeito desse caso clínico, julgue o item a seguir: deve-se realizar histerectomia total sem anexectomia.

(A) CERTO
(B) ERRADO

Comentário da questão

Temos uma paciente de 28 anos, nuligesta, com desejo de gestar e que apresentou no resultado do citopatológico resultado de Lesão intraepitelial de alto grau (LIEAG) e no histopatológico NIC III. Qual deve ser a conduta nesse momento? Realizar a exérese da zona de transformação! Não existe indicação de histerectomia nesse estágio de doença! Para exérese da lesão, temos como opções a Cirurgia de alta frequência (CAF) ou a Conização. Afirmação incorreta.

Resposta: B – Errado

Questão 2

2- SP, HOSPITAL MUNICIPAL DR. MÁRIO GATTI, 2013. Sobre a candidíase vulvovaginal, assinale a alternativa incorreta.

(A) O pH vaginal é tipicamente alcalino
(B) Os sintomas se intensificam na fase pré-menstrual.
(C) Gravidez é um fator predisponente.
(D) Pode se acompanhar de disúria, dispareunia e colpite difusa.

Comentário da questão

Os critérios diagnósticos para candidíase são: presença de prurido vaginal, corrimento branco aderido, em nata, pH vaginal < 4,5, microscopia direta: pseudo-hifas e esporos. Vamos analisar as alternativas: ALTERNATIVA A: INCORRETA. O pH na candidíase é tipicamente mais ácido para a proliferação do fungo, sendo geralmente < 4,5. ALTERNATIVA B: CORRETA. É muito comum em mulheres a candidíase antes do ciclo menstrual. ALTERNATIVA C: CORRETA. A gravidez é um fator predisponente assim como: uso de contraceptivos orais com altas doses de estrogênio, terapia de reposição hormonal somente com estrogênio, diabetes mellitus, uso de DIU, tireoidopatias, obesidade, uso de antibióticos, corticóides, imunossupressores, hábitos de vida e vestuário inadequados, contato com substâncias alérgenas ou irritantes, alterações na resposta imunológica. ALTERNATIVA D: CORRETA. A candidíase é uma vulvovaginite, podendo causar sintomas ocasionados pela inflamação da uretra, vagina e colo pelo fungo.

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