Carreira em Medicina

Há risco na troca de antidepressivo? Aprenda sobre síndrome serotoninérgica

Há risco na troca de antidepressivo? Aprenda sobre síndrome serotoninérgica

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Imagem de perfil de Saulo Ciasca

Aprenda mais sobre a síndrome serotoninérgica com o Dr. Saulo. O médico reuniu informações relevantes de dúvidas sobre psicofármacos.

Algumas dúvidas frequentes de médicos que escuto quando estou dando aulas sobre psicofármacos são: “Como faço para trocar um antidepressivo por outro?”, “Devo fazer washout ou não precisa?”, “Há algum risco nessa troca?” ou até “Posso associar estes dois antidepressivos?”. 

A questão em jogo é o risco de desenvolvimento de uma  síndrome, denominada Síndrome Serotoninérgica. Ela acontece devido a um agonismo excessivo no Sistema Nervoso Central causado pelo excesso de estímulo de serotonina, que em geral é decorrente do uso de antidepressivos.

O que é a síndrome serotoninérgica? 

A síndrome serotoninérgica não é o resultado de uma reação idiossincrática (como ocorre por exemplo na Síndrome Neuroléptica Maligna). Na primeira se dá um bloqueio da recaptação de catecolaminas e serotonina com uma hiperestimulação de receptores 5-HT. Ela se caracteriza por uma tríade:

  1. alterações cognitivo-comportamentais (confusão ou agitação psicomotora), 
  2. alterações autonômicas (taquicardia, febre, midríase, hipo ou hipertensão) e 
  3. neuromusculares (clônus, hiperreflexia, tremor), 

Outros sintomas comuns são diarréia, dor abdominal, vômitos e até delirium.

Quais cuidados tomar durante a troca de antidepressivos?

Respondendo às perguntas de colegas, devemos tomar alguns cuidados nas trocas de antidepressivos para prevenir a síndrome serotoninérgica, com tempos adequados que respeitem a meia-vida de cada uma. 

Por exemplo, uma pessoa que está fazendo uso de 80mg diários de fluoxetina (cuja meia-vida é longa) precisará ter a mesma reduzida ou suspensa semanas antes de iniciar uma venlafaxina. Essa prevenção se dá em especial se for utilizado algum IMAO irreversível em conjunto com ISRS.

 Associar medicamentos que têm efeito serotoninérgico aumenta o risco, em especial em pacientes idosos, hepatopatas ou polimedicados devido às interações medicamentosas em nível hepático.

Orientação de conduta diante da síndrome serotoninérgica

Na vigência de uma síndrome serotoninérgica, preconiza-se as seguintes condutas:

  • 1 – Retirada imediata da medicação
  • 2 – Manutenção dos sinais vitais, controle da temperatura e das alterações autonômicas, sendo que nos casos mais graves, pode ser necessário acompanhamento em UTI (por exemplo, temperatura > 41oC
  • 3 – Correção hidroeletrolítica (com hidratação endovenosa).
  • 4 – Contenção da agitação com benzodiazepínicos (lorazepam, diazepam, midazolam). 
  • 5 – Antagonistas 5HT2 (ciproheptadina)
  • 6 – Antipsicóticos sedativos (clorpromazina)

Diferentemente da síndrome neuroléptica maligna, cuja medicação causadora é um antipsicótico/antagonista dopaminérgico, na síndrome neuroléptica maligna não há um aumento marcante de CPK.

Além de cursar com maior hiperreatividade muscular (hiperreflexia), enquanto na neuroléptica há maior bradiflexia e rigidez, com uma resposta muscular inibida.

Riscos

É importante atentar para a síndrome serotoninérgica a fim de evitar desfechos negativos no acompanhamento das pessoas.

Também fica o alerta para aquelas que usam fórmulas com inúmeras medicações em conjunto, dentre elas às vezes vários antidepressivos, cujas interações podem ser complexas e prejudiciais se não prevenidas. 

Referências

Volpi-Abadie, J., Kaye, A. M., & Kaye, A. D. (2013). Serotonin syndrome. Ochsner Journal13(4), 533-540.

Ables, A. Z., & Nagubilli, R. (2010). Prevention, recognition, and management of serotonin syndrome. American family physician81(9), 1139-1142.

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