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Infecções bacterianas da pele | Colunistas

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Bruna Fernandes

8 min há 7 dias

Infecções bacterianas da pele: aprenda a diferenciar lesões elementares e conheça sobre diagnóstico e tratamento das principais infecções bacterianas da pele.

Introdução

A pele é o maior órgão do corpo humano, é um complexo dividido em três camadas: a epiderme, derme e subcutâneo. Suas principais funções são proteção, como barreira, termorregulação, excreção, bem como evitar a perda de água.

Dessa forma, as infecções de pele possuem uma grande variabilidade de apresentações clínicas, etiologias e extensão. Por ser uma queixa muito comum na prática clínica é primordial saber diferenciar e diagnosticá-las. Os seus principais agentes são bactérias, vírus ou fungos.

As infecções bacterianas na pele podem ser primárias ou secundária a uma infecção inicial de outro órgão, e ainda podem ser supurativas ou não supurativas. Ou seja, quando a penetração ocorre diretamente na pele, o resultado é supuração e inflamação, é uma infecção primaria. Se chega à pele através da via sanguínea pode ocorrer comprometimento da parede dos vasos cutâneos, possível necrose da região, é uma infecção cutânea secundária. E pode ainda ocorrer uma reação de hipersensibilidade a bactéria, é uma infecção não supurativa.

A evolução clínica das infecções bacterianas depende do rompimento da barreira protetora, pele, da patogenicidade da bactéria e da capacidade do organismo de responder a infecção.

 Os patógenos mais comuns são Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes. E podem se apresentar desde a camada mais superficial da pele, casos mais brandos, ou estender-se para tecidos moles, músculos, até a corrente sanguínea, com risco de sepse e morte. Um mesmo agente pode causar mais de uma infecção, nesses casos o que vai diferenciar é a descrição, distribuição e duração da lesão, bem como quadro clínico do paciente. Mas as características da lesão são as mais importantes para diagnostico diferencial.

Lesões elementares:

– Lesões com modificação de cor: podem ser pigmentares e vasculosanguíneas.

  • Macula: lesão menor que um centímetro.
  • Mancha: maior que um centímetro.

– Lesões com elevação edematosa:

  • Angioedema é uma reação alérgica, um edema no subcutâneo.
  • Urtica é uma lesão pruriginosa que forma uma placa eritematosa na derme.

– Lesões solidas:

  • Pápula lesão menor que um centímetro;
  • Placa lesão maior que um centímetro;
  • Nódulo e tumor são lesões que atingem derme e subcutâneo, sendo que o tumor é maior que um centímetro.

– Lesões liquidas:

  • Vesícula lesão menor que um centímetro;
  • Bolha lesão maior que um centímetro;
  • Pústula lesão com conteúdo purulento;
  • Hematoma lesão com acúmulo de sangue.

Principais infecções:

Impetigo: é a infecção cutânea mais comum na infância, causada principalmente pelo Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes, isolados ou uma associação dos dois. Sua transmissão é pelo contato direto com as lesões. As lesões são pápulas e pústulas purulentas, que acabam formando crostas melicéricas, com aspecto acastanhado. É mais comum no rosto, ao redor do nariz e boca, mas pode se apresentar por todo corpo. Existem 03 classificações para o impetigo, contudo o tratamento é o mesmo:

– Impetigo não bolhoso, ou crostoso, é uma infecção superficial da epiderme. O tratamento inicial envolve cuidados com o local como limpeza e remoção de crostas, além da aplicação de antibióticos tópicos como Mupirocina 2%, ou antibiótico oral que cubra os dois agentes principais, o mais indicado é a Cefalexina.

– Impetigo bolhoso, mais comum no tronco e causado por cepas de Staphylococcus aureus que produzem uma toxina epidermolítica. O tratamento recomendado é o mesmo indicado no impetigo crostoso, antibiótico oral que cubra Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes.

– Ectima, quando infecção atinge a derme e deixa uma ulceração superficial, com posterior formação de crosta dura, seca e aderente. A localização mais comum é nas pernas. O tratamento é o mesmo do impetigo.

*Síndrome da pele escaldada é uma infecção causada por toxinas estafilocócicas que inclui o impetigo bolhoso e a síndrome do choque tóxico. É uma doença mais comum em crianças na qual a toxina provoca descamação. A evolução é autolimitada, com melhora entre 04 e 07 dias. O uso de um antimicrobiano oral de escolha é com cobertura antiestafilocócica.

Foliculite, Furúnculo e Carbúnculo: são infecções cutâneas com origem no folículo piloso e com agente principal Staphylococcus aureus.

– Foliculite é a forma mais superficial, apresenta-se como pústula localizada na saída do pelo que, ao romper, evolui com formação de crosta. É uma doença com evolução benigna, na qual o tratamento consiste em limpeza e suspensão da depilação no local.

– Furúnculo é a infecção de um folículo piloso através da derme, para o subcutâneo e forma um nódulo purulento, eritematoso com aumento da temperatura local e dor. O tratamento é baseado na complicação, tamanho e recorrência das lesões, administração oral é indicado em casos recorrentes, contudo no geral é adequado o emprego de compressas mornas e suspensão da depilação do local, assim como limpeza com sabonetes que contenha antimicrobiano.

– Carbúnculo ou Antraz é a coalescência de vários furúnculos em uma única massa, infecção de vários folículos, com drenagem purulenta. No quadro clínico pode estar presente febre e sintomas sistêmicos. O tratamento nesse caso é recomendado a drenagem como principal abordagem e associado um antibiótico oral com cobertura para Staphylococcus aureus.

*Abcesso: é supuração da derme e do subcutâneo que não tem relação com folículo piloso, o tratamento nesse caso é a drenagem, a antibioticoterapia somente nos casos complicados.

Erisipela e celulite: infecção de pele a qual o principal agente é Streptococcus pyogenes.

– Erisipela: é uma infecção mais superficial da derme caracterizado por edema, calor, eritema vermelho com margens bem definidas. O tratamento mais conhecido é com Penicilina G cristalina intramuscular ou ceftriaxona.

-Celulite: é uma infecção mais profunda, acomete a derme profunda e o subcutâneo, assim como no primeiro pode apresentar eritema, mas de uma tonalidade mais clara, rosáceo, e não é bem delimitado.  Pode apresentar febre, calafrio e mal-estar. O tratamento aconselhado é oxacilina ou cefazolina em casos graves, em casos leves/moderados é com Cefalexina ou clindamicina.

Fasciíte necrosante: é uma infecção que se inicia na camada mais profunda do subcutâneo, mas que rapidamente se estende para epiderme e musculo. Evolui agudamente com edema, calor, eritema e dor, normalmente localizado em membro inferior, pode estar associada com febre, prostração e sintomas sistêmicos. Possui vários agentes causadores associados.

– Associação de bactérias anaeróbias e aeróbias (Fasciíte necrosante tipo I): possui a evolução mais lenta e que não atinge as fáscias mais profundas e musculo. Geralmente ocorre após uma cirurgia ou trauma. E nesses casos pode encontrar presença de gás no tecido subcutâneo.

– Streptococcus pyogenes (Fasciíte necrosante: tipo II): é mais comum em idosos e atinge as fáscias mais profundas rapidamente. A toxicidade e a disfunção renal podem estar presentes. Não é encontrado gás no tecido subcutâneo, mas na presença de miosite associada, os níveis de CK ficam elevados.

A fasciíte necrotizante consiste em uma emergência e o tratamento é a exploração cirúrgica imediata e desbridamento de tecidos necróticos. A terapia antibioticoterapia inicial deve ter amplo espectro de cobertura para bacilos Gram-negativos, estafilococos, estreptococos e anaeróbios.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

RIVITTI,E. Manual de Dermatologia Clínica de Sampaio e Rivitti. Porto Alegre: Artes Médicas, 2014.

BRAUNWALD, E.; FAUCI, A.; KASPER, D.L. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 19th ed. Estados Unidos: Mc Graw-Hill Publishing CO, 2015.

DERMATOLOGIA, Sociedade Brasileira de. Pele – Doenças. Disponível em: https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/. Acesso em: 10 set. 2021.

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