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Metodologia científica: tipos de pesquisa | Colunistas

Metodologia científica: tipos de pesquisa | Colunistas

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Fique por dentro dos tipos de pesquisa que existem e saiba fazer metologia científica com qualidade e rapidez.

Diferença entre Metodologia e Método Científico

Por muitas vezes, são vistas pesquisas nas quais o termo metodologia científica vem sendo utilizado como sinônimo de método científico, porém seus conceitos são diferentes.

O método está ligado ao caminho, o que fazer para chegar a determinado objetivo. A metodologia é uma ciência que possui como objetivo estudar o método, ou seja busca os melhores métodos a fim de que se produza conhecimento da melhor forma, com maior segurança e economia de tempo.

Richardson (1985) conceitua método, em pesquisa científica, como uma “escolha de procedimentos sistemáticos para a descrição e explicação de fenômenos”. 

Barros (1986) destaca que a aplicação do termo metodologia está ligada a “estudar e avaliar os vários métodos disponíveis, identificando suas limitações ou não ao nível das implicações de suas utilizações.” 

Tipos de Pesquisa

Podem existir vários tipos de pesquisa. Cada tipo possui, além do núcleo comum de procedimentos, suas peculiaridades próprias. A primeira grande divisão das pesquisas as classifica de acordo com 4 aspectos, quanto à:

  • Natureza ou finalidade;
  • Abordagem;
  • Objetivo;
  • Ao procedimento técnico;

Tipos de Pesquisa: Do ponto de vista da sua natureza

 BÁSICA

A pesquisa científica de natureza básica, também chamada de “pura” visa criar novas questões num processo de incorporação e superação daquilo que já se encontra produzido. Ou seja, ela gera ciência, novos conhecimentos que contribuem, entendem e explicam os fenômenos. Envolve verdades e interesses universais.

Ex: criação de um novo procedimento ou equipamento, como as centrífugas;

APLICADA

Tem por finalidade gerar soluções aos problemas humanos, entender como lidar com um problema. Ela gera conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais. Geralmente utiliza conhecimentos trazidos por pesquisas puras para produzir outros conhecimentos.

Ex: a busca pela vacina da COVID-19;

Tipos de Pesquisa: Do ponto de vista da forma de abordagem do problema

QUALITATIVA:

A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Esta não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas, é descritiva, o processo e seu significado são os focos principais de abordagem.

Mostra um lado subjetivo por trás dos dados, por vezes transparecendo a opinião do pesquisador. Mostra os resultados obtidos, analisando-os.

Ex: Estudo sobre a qualidade de vida de uma população;

QUANTITATIVA:

Se caracteriza pelo emprego de instrumentos estatísticos, tanto na coleta como no tratamento dos dados, e mede relações entre as variáveis. O pesquisador parte de um plano preestabelecido com hipóteses e variáveis claramente definidas. Procura medir e quantificar os resultados da investigação, elaborando-os em dados estatísticos. É mais impessoal, mostra os resultados obtidos sem expressar análises sobre o conteúdo obtido.

Ex: Perfil dos moradores de uma região, através da sua distribuição em relação a sexo, faixa etária, nível educacional, nível socioeconômico;

PESQUISA QUANTITATIVA – QUALITATIVA:

Nesse tipo de abordagem, o recorte dos dados estatísticos impessoais é unido as interpretações e análises subjetivas, dando origem a um estudo completo sobre um objeto. Encontram-se análises quantitativas com fundamento de análises qualitativas. O raciocínio e a argumentação na análise qualitativa são baseados na variedade de técnicas usadas no modo quantativo.

Ex: Censo do IBGE;

Tipos de Pesquisa: Do ponto de vista de seus objetivos

DESCRITIVA:

O objetivo da pesquisa está no “O QUE”, o que é um fenômeno específico, como ele se caracteriza. Pretende descrever com exatidão os fatos e fenômenos de determinada realidade. 

Quando o pesquisador apenas registra e descreve os fatos observados sem interferir ou analisá-los. Visa a descrever as características de determinada população ou fenômeno. 

Fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira sobre eles, ou seja, os fenômenos do mundo físico e humano são estudados, mas não são manipulados pelo pesquisador.

Ex:  Caracterização de um procedimento de medição de temperatura.

EXPLICATIVA:

O objetivo da pesquisa está no “PORQUÊ”, a razão por trás de um fenômeno acontecer. Traz os números da descritiva aliados a análise e a interpretação desses dados.

O pesquisador procura explicar os porquês das coisas e suas causas, por meio do registro, da análise, da classificação e da interpretação dos fenômenos observados. 

Visa a identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Aprofunda o conhecimento da realidade porque explica a razão das coisas. 

Ex: As razões do sucesso das microempresas do setor calçadista.

EXPLORATÓRIA:

O objetivo da pesquisa está no “COMO”, como um fenômeno ocorre e como é possível estudá-lo. Tem a finalidade de ampliar o conhecimento a respeito de um determinado fenômeno. Esse tipo de pesquisa, aparentemente simples, explora a realidade buscando maior conhecimento, para depois planejar uma pesquisa descritiva.

Quando a pesquisa se encontra na fase preliminar, tem como finalidade proporcionar mais informações sobre o assunto que vamos investigar, possibilitando sua definição e seu delineamento, isto é, facilitar a delimitação do tema da pesquisa, o que será estudado.

Orientar a fixação dos objetivos e a formulação das hipóteses ou descobrir um novo tipo de enfoque para o assunto

Ex: alguma pesquisa trouxe um ponto fora da curva, a pesquisa exploratória vai investigar esse ponto, trazendo uma nova visão.

Tipos de Pesquisa: Do ponto de vista dos procedimentos adotados na coleta de dados

BIBLIOGRÁFICA

Quando elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de: livros, revistas, publicações em periódicos e artigos científicos, jornais, boletins, monografias, dissertações, teses, material cartográfico, internet, com o objetivo de colocar o pesquisador em contato direto com todo material já escrito sobre o assunto da pesquisa.

DOCUMENTAL

A pesquisa documental, devido a suas características, pode ser confundida com a pesquisa bibliográfica. Principal diferença: a natureza das fontes de ambas as pesquisas. 

Enquanto a pesquisa bibliográfica se utiliza fundamentalmente das contribuições de vários autores sobre determinado assunto, a pesquisa documental baseia-se em materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, não são científicos ainda.  

OPERACIONAL

A pesquisa operacional é um método analítico avançado que permite a solução de problemas e a tomada de decisões nas organizações. Os métodos mais utilizados incluem lógica matemática, simulação, análise de redes, teoria de filas e teoria dos jogos. Aplicação de modelos matemáticos.

EXPERIMENTAL

Controla as variáveis e realiza experimentos. Pré-reqeusito: ter variáveis, as quais serão associadas entre si, comparadas. 

É a pesquisa que envolve algum tipo de experimento, onde o pesquisador trabalha com variáveis que são manipuladas pelo pesquisador [variável independente], e variáveis dependentes [que sofrem a influência da manipulação do pesquisador]. 

É o delineamento mais prestigiado nos meios científicos, principalmente nas ciências exatas e naturais, no qual o pesquisador interfere diretamente no fenômeno que está sendo estudado por meio da manipulação e do controle das variáveis.

  • De campo: o pesquisador vai até o campo de encontro das pessoas que vai estudar. Pode interagir com elas ou somente observar.
  • Laboratorial: uma testagem e/ou experimento com variáveis controladas em ambiente de laboratório.

LEVANTAMENTO

É um método de levantamento e análise de dados sociais, econômicos e demográficos e se caracteriza pelo contato direto com as pessoas. Pela dificuldade em conhecer a realidade de todas as pessoas que fazem parte do universo pesquisado é recomendado utilizar os levantamentos por amostragem. É sempre quantitativo. Colhe dados de um grupo restrito e gera conclusões sobre o todo.

ESTUDO DE CASO

Estudo exaustivo de um ou poucos objetos de pesquisa, de maneira a permitir o aprofundamento do seu conhecimento. Os estudos de caso têm grande profundidade e pequena amplitude, pois procuram conhecer a realidade de um indivíduo, de um grupo de pessoas, de uma ou mais organizações em profundidade.

AÇÃO

Quando concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Ela é entendida como um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo.

PARTICIPANTE

Quando se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas. Essa pesquisa, assim como a pesquisa-ação, caracteriza-se pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas. A descoberta do universo vivido pela população implica compreender, numa perspectiva interna, o ponto de vista dos indivíduos e dos grupos acerca das situações que vivem.

EX-POST-FACTO

A tradução literal da expressão ex-post-facto é “a partir do fato passado”. Isso significa que neste tipo de pesquisa o estudo foi realizado após a ocorrência de variações na variável dependente no curso natural dos acontecimentos, o evento já aconteceu, não tem como o controlar, somente o analisar. Geralmente buscam-se as causas e os efeitos. 

Como uma investigação sistemática e empírica na qual o pesquisador não tem controle direto sobre as variáveis independentes, porque já ocorreram suas manifestações ou porque são intrinsecamente não manipuláveis.

Autor(a): Sofia Cisneiros Alves de Oliveira – @sofiacisneiros

Leituras Relacionadas

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Referências:

  1. BARROS, A. J. P.; LEHFELD N. A. S. Fundamentos de metodologia: um guia para iniciação científica. São Paulo: McGraw-Hill, 1986.
  2. PRODANOV, C.C.; FREITAS, E.C. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2a ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013. 
  3. RICHARDSON, R. J. Pesquisa social; métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1985. 287p.
  4. ZANELLA, L. Metodologia de pesquisa . 2. ed.  Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/ UFSC, 2013. 134 p