Carreira em Medicina

Mutismo seletivo: definição, diagnóstico e principais sintomas

Mutismo seletivo: definição, diagnóstico e principais sintomas

Compartilhar
Imagem de perfil de Prática Médica

Mutismo seletivo é o fracasso em falar em situações socais específicas (como na escola), mesmo que não tenha problemas para falar em outras situações, como falar com os pais. Consiste em uma desordem psicológica rara que normalmente afeta crianças entre os 2 e 5 anos. Essa doença é mais comum nas meninas.

Apesar de parecer com um comportamento de timidez, tal transtorno envolve muito mais do que apenas não se sentir à vontade em falar com pessoas. Além disso, não representa uma recusa intencional de articular palavras. Não está relacionado com desconforto com o idioma.

Epidemiologia

Até recentemente, acreditava-se que a prevalência do mutismo seletivo era de 0,3 a 0,8 em 1.000 indivíduos.

No entanto, um estudo conduzido pela American Academy of Child and Adolescent Psychiatry fez uma descoberta significativa, elevando essa proporção para 7 em 1.000. Com isso, a doença torna-se duas vezes mais comum do que o autismo. Essa condição pode ser identificada em menos de 1% da população psiquiátrica, embora possa ocorrer subnotificação de casos.

Quais os sintomas do mutismo seletivo?

A criança com essa desordem consegue comunicar-se bem em ambiente familiar. No entanto, apresenta dificuldades em um ambiente com pessoas desconhecidas, em que sente que o seu comportamento está sendo observado.

Assim, algumas características que ajudam a identificar o mutismo seletivo são:

  • Dificuldade para interagir com outras crianças;
  • Falta de comunicação com professores;
  • Dificuldade para se expressar, mesmo que através de gestos;
  • Timidez excessiva;
  • Isolamento social;
  • Dificuldade em ir ao banheiro em ambiente não familiar, fazendo xixi nas calças, ou de comer na escola.

Apesar de ser mais frequente em crianças, também pode também ser identificado em adultos. Nesses casos, recebe o nome de fobia social, em que a pessoa sente-se bastante ansiosa em situações normais do dia a dia, como:

  • Comer em público
  • Pensar em estabelecer algum tipo de comunicação.

Como fazer o diagnóstico mutismo seletivo?

O diagnóstico é normalmente realizado após os 3 anos. Isso ocorre porque é a partir dessa idade a criança já apresenta a capacidade de fala desenvolvida e começa a demonstrar dificuldade para realizar algumas atividades sociais.

De acordo com o mais recente manual publicado sobre essa desordem (Johnson & Wintgens, 2017), a característica essencial para um diagnóstico do transtorno está na variação do comportamento do indivíduo, tendo que em certas situações, a comunicação verbal é rara ou escassa e, em outras, a fala é desinibida e espontânea. Essa oscilação está fortemente vinculada à percepção da presença de determinadas pessoas.

Além disso, nenhum caso de mutismo seletivo se expressa da mesma maneira que outro.

Causas do mutismo seletivo

Algumas pesquisas sugerem que indivíduos com mutismo seletivo podem ter familiares que também sofrem desse transtorno. Embora haja poucos estudos sistemáticos disponíveis para análise, foi observada uma incidência de mutismo seletivo entre irmãos, o que indica a possibilidade de influência genética.

No entanto, no contexto familiar, muitos traços de personalidade são transmitidos de pais para filhos, mas isso não necessariamente se refere a uma carga hereditária específica. Alguns estudiosos argumentam que o mutismo seletivo pode ser resultado da aprendizagem comportamental, dependendo da influência do ambiente, incluindo pais, amigos e outras variáveis.

Diagnósticos diferenciais

O diagnóstico diferencial do mutismo seletivo envolve a distinção dessa condição de outras que podem apresentar sintomas semelhantes.

Alguns dos diagnósticos diferenciais a considerar incluem:

  • Transtorno do espectro autista
  • Ansiedade social
  • Transtorno de comunicação social (pragmática)
  • Transtorno de Desregulação Disruptiva do Humor (TDDH)

Espectro autista (TEA)

O autismo pode ser confundido com essa desordem devido a dificuldades na comunicação social e na interação.

No entanto, no mutismo seletivo, a criança é capaz de se comunicar em outros contextos, enquanto no TEA, a comunicação afetada é mais generalizada.

Fobia social

A fobia social pode compartilhar semelhanças com o mutismo seletivo, pois ambos envolvem ansiedade em situações sociais.

No entanto, no mutismo seletivo, a incapacidade de falar está restrita a situações específicas. Na fobia social, a ansiedade social pode ocorrer em várias situações sociais.

Transtorno de comunicação social (Pragmática)

Esse transtorno pode ser confundido com o mutismo seletivo, pois ambos envolvem dificuldades de comunicação.

No entanto, no mutismo seletivo, a criança é capaz de compreender e usar a linguagem de forma apropriada quando não está em situações sociais específicas.

Transtorno de desregulação disruptiva do humor (TDDH)

Este transtorno pode apresentar comportamentos explosivos e irritabilidade, que podem ser confundidos com sintomas do mutismo seletivo.

No entanto, o TDDH é caracterizado principalmente por desregulação emocional e explosões de raiva.

Atraso global do desenvolvimento

Em casos raros, o atraso global do desenvolvimento pode ser confundido com o mutismo seletivo, especialmente em crianças mais jovens.

No entanto, a avaliação cuidadosa revelará diferenças na linguagem e no comportamento.

Conheça nossa pós em psiquiatria!

Você já se deparou com crianças que, inexplicavelmente, não conseguem falar em certas situações sociais? O mutismo seletivo é um desafio intrigante e complexo que afeta muitos pacientes e suas famílias.

Se você é um médico que busca aprofundar seus conhecimentos em psiquiatria e ajudar a fazer a diferença na vida de crianças e adolescentes, a especialização em psiquiatria com foco no mutismo seletivo pode ser a resposta que você procura.

Perguntas frequentes

1 – Como diagnosticar mutismo seletivo?

De acordo com o mais recente manual publicado (Johnson & Wintgens, 2017), a característica essencial para um diagnóstico do transtorno está na variação do comportamento do indivíduo, tendo que em certas situações, a comunicação verbal é rara ou escassa e, em outras, a fala é desinibida e espontânea.

2 – A criança com mutismo seletivo fala em casa?

A criança consegue comunicar-se bem em ambiente familiar, no entanto apresenta dificuldades em um ambiente com pessoas desconhecidas, em que sente que o seu comportamento está sendo observado.

3 – Existem adultos com mutismo seletivo?

Apesar de ser mais frequente em crianças, essa desordem também ser identificado em adultos e, nesses casos, recebe o nome de fobia social, em que a pessoa sente-se bastante ansiosa em situações normais do dia a dia, como comer em público, por exemplo, ou ao pensar em estabelecer algum tipo de comunicação.

Referência bibliográfica

  • ALVES, I. Mutismo selectivo: Um silêncio perturbante. In: Jornal Profissão – Médico de família, nº 86, pp. 50-51, 2005.
  • GOUVEIA, J. Ansiedade Social: Da Timidez à Fobia Social. Coimbra: Quarteto Editora, 2000.
  • MYERS, D. G. Psicologia, Linguagem e pensamento, 9ed – LTC, Rio de Janeiro, 2013.

Sugestão de leitura complementar

Você também pode se interessar por esses artigos: