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Ortopedia e Traumatologia: residência, atuação, mercado de trabalho e mais

Ortopedia e Traumatologia: residência, atuação, mercado de trabalho e mais

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Você provavelmente já se consultou com um ortopedista ou traumatologista ao longo da vida ou, pelo menos, conhece alguém que o fez. 

Geralmente procuramos esses tipos de especialistas médicos quando sentimos dores nos ossos, músculos ou articulações, mas você sabe dizer qual a diferença entre eles? Confira agora!

Introdução

No Brasil, esses dois profissionais estão incluídos em uma única especialidade já que ambos lidam com lesões em áreas ósseas e musculares. Porém, a Ortopedia e a Traumatologia têm atribuições distintas.

A primeira é voltada para problemas crônicos e congênitos, como corrigir deformidades, postura e pisadas, restabelecer funções e aliviar dores. Dor nas costas? Ortopedista. 

Já a segunda tem caráter mais emergencial e lida com traumas causados por quedas, acidentes automobilísticos, prática de esporte incorreta e acidentes de trabalho. Fratura em um acidente ou lesão por queda no banheiro? Encaminhe para um traumatologista. 

Em resumo, a traumatologia lida com o trauma e a ortopedia com a preservação e o restabelecimento funcional de ossos, músculos, ligamentos e articulações e ambas tem como objetivo conferir qualidade de vida aos pacientes. 

O ortopedista e traumatologista e sua rotina

A pessoa interessada em seguir a carreira de Ortopedista e Traumatologista deve ter em mente a dedicação necessária para ganhar o título de especialista. Contando com graduação e especialização, são pelo menos 9 anos de estudos.

Pensou que acabou? Não! A rotina de aprendizado continua mesmo depois do título, já que é preciso acompanhar os intensos avanços da especialidade. 

Esta especialidade é considerada clínica-cirúrgica, então, normalmente o especialista pode dividir seus horários entre pronto-socorros, ambulatórios, consultórios e centros-cirúrgicos. 

Por também ser um especialista cirúrgico, o médico que atuar dessa forma deve estar disponível, inclusive, durante as noites, finais de semana e feriados.

Veja algumas atividades que fazem parte do cotidiano deste profissional:

  • Solicitar exames
  • Realizar cirurgias
  • Realizar consultas
  • Elaborar tratamentos
  • Realizar diagnósticos
  • Prescrever medicamentos
  • Indicar equipe de fisioterapia
  • Acompanhar a recuperação do paciente

Áreas de atuação do Ortopedista e Traumatologista

De maneira geral esse especialista poderá atuar em em clínicas, consultórios, hospitais e unidades de saúde públicas e privadas, atendendo pessoas de todas as idades e de ambos os sexos.  

Após receber o título de especialista, ele ainda poderá escolher uma subespecialidade como joelho, coluna, mão, pé e por aí em diante.

O Ortopedista e Traumatologista também é responsável por avaliar a condição do paciente e indicar algumas ações que auxiliarão na recuperação da lesão. Por isso é muito comum que pacientes atendidos por ele recebam indicação para:

  • Fisioterapia;
  • Exercícios físicos;
  • Atividades físicas direcionadas e específicas.

Alguns ortopedistas e traumatologistas se dedicam também à Medicina Esportiva. No entanto, esses especialistas não desempenham exatamente a mesma função que o médico do esporte, que tem uma visão mais ampla da fisiologia do exercício. 

Mercado de trabalho e remuneração

O mercado de trabalho para o especialista em Ortopedia e Traumatologia pode ser considerado amplo e está em crescimento, principalmente por conta do envelhecimento da população. 

Além disso, o grande número de acidentes urbanos também torna o Médico Traumatologista essencial nas emergências e prontos-socorros.  

Outro ponto importante é a subespecialização. É possível dizer que, assim como aconteceu com a especialidade Cirurgia Geral há cerca de 60 anos, a Ortopedia e Traumatologia passa por um processo de crescente subdivisão.

Cada vez mais as pessoas estão procurando um médico especialista para ter uma orientação melhor e uma recuperação mais rápida.

Nesse sentido, quanto mais se avança na especialização, também menor é a concorrência. Por exemplo: ortopedista → especializado em coluna → especializado em deformidades.

Com relação ao salário, atualmente um Médico Ortopedista e Traumatologista ganha em média R$ 5.613,16 para uma jornada de trabalho de 19 horas semanais, de acordo com pesquisa do Salario.com.br. Uma pesquisa do site Salário BR, indica ainda que em uma empresa pequena um profissional de nível “master” ganha cerca de R$10.000 mensais.

Números de especialistas no Brasil 

Hoje existem no Brasil 14.129 médicos atuando como especialistas em Ortopedia e Traumatologia, de acordo com o estudo Demografia Médica no Brasil 2018. Desses, 916 (6,5%) são mulheres, o que coloca a especialidade em segundo lugar na lista de especialidades com maior disparidade entre gêneros, apenas atrás da Urologia. 

Reflexo disso é que, embora a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) tenha mais de 80 anos, apenas em 2017, teve a primeira mulher como Presidente. 

Porém, esse cenário não é exclusivamente brasileiro. Depoimentos como o da norte-americana Emily Miller e o de Ruiba Jamallail, da Arábia Saudita,  demonstram a dificuldade das mulheres se imporem em uma carreira majoritariamente masculina. No caso de Ruiba, o preconceito veio diretamente de um paciente que exigia um ortopedista homem já que “uma mulher seria incapaz de resolver seu problema”. 

Já Emily afirma que, embora 30% dos médicos dos Estados Unidos sejam mulheres, as cirurgiãs ortopedistas representam apenas 5% da especialidade, “o maior desequilíbrio homem/mulher no campo da medicina”. 

A Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia

A Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia é de acesso direto, ou seja, não há a necessidade de ter concluído nenhuma outra residência antes.

Com duração de três anos, ela deve ser realizada em instituição credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM/MEC). Os programas variam de acordo com a instituição, mas geralmente seguem a Resolução CNRM Nº 02/06.

Para obter o certificado de especialidade perante o Conselho Federal de Medicina (CFM) são necessários:

• Três anos de residência médica; 
• Título de especialista, emitido pela SBOT;

Diferente de algumas outras especialidades, o título é emitido somente após o residente ser aprovado no exame de suficiência no qual são testados conhecimentos teóricos e práticos.

Elaborado pela SBOT, o exame tem duração de dois dias e é realizado anualmente em Campinas, São Paulo. 

Histórico da especialidade

Existem registros de que procedimentos ligados à Ortopedia e Traumatologia existiam desde a antiguidade, como quando talas em múmias feitas de bambu, madeira ou acolchoadas com linho foram encontradas por arqueólogos. 

Como especialidade, o começo da Ortopedia e Traumatologia está intimamente ligado ao início da Medicina, sendo que no princípio a especialidade era bastante voltada ao cuidado de crianças com deformidades na coluna vertebral e/ou em membros. O termo, por exemplo, foi criado por Nicholas Andry em uma publicação de 1741 chamada “Ortopedia, ou a Arte de Corrigir e Prevenir Deformidades em Crianças”. 

A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) foi fundada em 19 de setembro 1935 e atualmente, com mais de 80 anos, é a maior instituição de Ortopedia e Traumatologia da América Latina e uma das maiores do mundo.

A SBOT foi uma das primeiras sociedades médicas brasileiras a elaborar e aplicar um exame de titulação, que é realizado até hoje.

Embora antiga, continuamente a especialidade passa por atualizações. Em julho de 2019, por meio da Resolução nº 22 de 8 de abril, foi aprovada a matriz de competências dos Programas de Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia, por exemplo. A resolução valerá para os programas que se iniciarem a partir de 1º de março de 2020.

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