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Ortopedia: Os Principais Testes Especiais Realizados | Colunistas

Ortopedia: Os Principais Testes Especiais Realizados | Colunistas

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Imagem de perfil de Claudio Afonso Peixoto

Introdução

Hodiernamente, sabe-se que a ortopedia é uma especialidade ímpar quando falamos em proporcionar saúde e qualidade de vida a população. Do grego Orthos significa reto e Paidion significa pai, relembrando as origens da especialidade como cuidadora das deformidades ósseas infantis. Hoje se ampliou e atende todas as idades seguindo primeiro com uma escuta qualificada e a produção de uma anamnese com história detalhada seguida por inspeção, palpação, movimentação e os testes especiais dos quais trataremos nesse artigo. Boa leitura!

Testes Especiais no Ombro 

O ombro tem importância inquestionável em nossas atividades diárias e para a evolução do homem, sendo a articulação com maior amplitude de movimento do corpo humano. Sua estrutura anatômica é composta por 14 ligamentos e 19 músculos, sendo três diartroses (glenoumeral, acromioclavicular e esternoclavicular) e três sistemas osteotenomioligamentares (subacromial, umerobicipital e escapulotorácico). As principais doenças que acometem essa complexa estrutura anatômica são a síndrome do impacto do manguito rotador e a capsulite adesiva. E por isso são importantes os sinais a seguir: 

Teste de Neer

Elevação passiva do membro superior, no plano da escápula e com o ombro em rotação neutra. Por meio dessa manobra avaliamos a presença de dor que indica teste positivo pois houve impacto do tubérculo maior contra o acrômio afetando o supraespinhal (e assim o manguito rotador). 

Imagem 1 – Teste de Neer
Fonte: FILHO & CAMARGO & CAMANHO (2012, p. 731)

Teste do Impacto de Yocum

O paciente coloca sua mão no ombro oposto e eleva o cotovelo de forma ativa. Positivo se há dor (o mecanismo é semelhante ao teste de Neer). Avaliamos o impacto sobre o supraespinhal (e assim o manguito rotador).

Teste do Impacto de Hawkins-Kennedy 

O paciente coloca o membro superior em elevação com o cotovelo fletido e o avaliador roda internamente o membro superior (o mecanismo é semelhante ao teste de Neer). Avaliamos o impacto sobre o supraespinhal (e assim o manguito rotador).

Teste de Jobe

Elevação ativa do ombro contra resistência, com o membro superior no plano da escápula e em rotação medial. Por meio deste teste avaliamos o tendão supraespinhal e posso ter resultados desde dor com diminuição de força até mesmo incapacidade de elevar o membro indicando ruptura completa. 

Imagem 2 – Teste de Jobe
Fonte:  FILHO & CAMARGO & CAMANHO (2012, p. 731)

Teste de Patte

Elevação passiva do membro superior, no plano da escápula e com o ombro em rotação neutra. Por meio deste teste avaliamos o tendão infraespinhal. A incapacidade em realizar a rotação externa indica uma ruptura completa do tendão. 

Imagem 3 – Teste de Patte
Fonte:  FILHO & CAMARGO & CAMANHO (2012, p. 731)

Teste de Gerber

Após o paciente colocar a mão no dorso no nível da coluna lombar baixa, solicitamos que a afaste das costas. Por meio deste teste avalio o tendão subescapular e tenho positividade quando incapacidade de afastar ou manter o afastamento do membro em relação ao corpo.

Imagem 4 – Teste de Gerber
Fonte:  FILHO & CAMARGO & CAMANHO (2012, p. 731)

Testes Especiais nas Mãos e Punhos

Tendo por mais comuns doenças a Tenossinovite de DeQuervain, a qual está inclusa nas Lesões por Esforços Repetitivos (LER), a Doença de Dupuytren e as síndromes compressivas dos nervos mediano, radial e ulnar. As mãos e os punhos são partes do corpo humano necessárias à nossa sobrevivência e têm papel importante na ascensão dos seres humanos na Terra.   

Teste de Finkelstein

Paciente com polegar flexionado na palma o examinador promove desvio ulnar do punho. Esse sinal é patognomônico da tenossinovite de DeQuervain, e positivo quando dor.  

Teste de Tinel

Realizamos a percussão sobre o nervo mediano, rumo ao túnel do carpo. Positivo se sensação de choque por parte do paciente. 

Teste de Phalen

Realizamos flexão ativa máxima do punho por um minuto. Positivo se a parestesia e o formigamento aparecem como sintomas. 

Imagem 5 – Teste de Phalen
Fonte:  FILHO & CAMARGO & CAMANHO (2012, p. 884)

Teste de Benediction

Solicitamos que o paciente encoste a ponta do dedo indicador e do dedo médio e avaliamos: a perda de flexão ativa da falange distal do polegar, do segundo e do terceiro quirodáctilos indicam positividade do teste.

Imagem 6 – Teste de Benediction (positivo a esquerda e negativo a direita)
Fonte:  FILHO & CAMARGO & CAMANHO (2012, p. 883)

Testes Especiais nos Joelhos

O joelho é uma das articulações mais utilizadas do corpo humano e diariamente faz parte da atividade básica de locomoção. Trata-se de uma articulação em dobradiça que possui estabilização por meio de inúmeros ligamentos e músculos que garantem a congruência desses dois ossos com pouco encaixe. Assim, lesões ligamentares são muito prevalentes. 

Teste de Lanchman

Paciente deitado(a) com joelho fletido, o examinador faz um movimento antagônico com uma mão para frente e a outra para trás ocasionando o deslizamento de uma superfície articular sobre a outra. O sinal é positivo quando há o deslocamento anterior da tíbia.

Teste da Gaveta Anterior

Paciente deitado(a) com joelho fletido, o examinador senta sobre seu pé para dar apoio e faz uma tração para frente com as mãos na região superior da tíbia. O teste é positivo quando o membro vem para frente como uma gaveta.

Jerk-Test e Pivot Shift

Paciente deitado(a) com o membro a ser examinado fletido e quadril também fletido, o examinador com uma das mãos segura o pé em rotação interna e com a outra pressiona o terço superior externo da perna fazendo ao mesmo tempo a extensão e forçando um valgo. Se houver um ressalto e subluxação ântero lateral da tíbia, o teste é positivo. Seguimos com o joelho estendido em posição de rotação interna e fazendo lentamente uma flexão que provoca redução do desvio anterior. 

Teste de Estresse em Varo e Valgo

Com paciente deitado o examinador com uma das mãos apoiadas na face medial do joelho sobre o côndilo femoral e a outra segurando o pé ou tornozelo realiza movimentos que simulam um varo e um valgo. Avaliamos os ligamentos colaterais medial, colateral, lateral e o ligamento cruzado anterior.

Teste de Apley

Paciente em decúbito ventral realizamos flexão do joelho e rotação interna e externa segurando pelo pé. A dor medial ou lateral na articulação do joelho indica lesão do lado oposto.

Imagem 7 – Teste de Apley
Fonte:  FILHO & CAMARGO & CAMANHO (2012, p. 1084)

Teste de McMurray

Paciente em posição supina com quadril e os joelhos fletidos. Palpamos com uma das mãos a interlinha articular e com a outra promovemos rotações internas e externas. A presença de dor em algum dos lados da articulação indica acometimento da do lado semelhante.

Testes Especiais Lombares

Sabemos que as dores lombares são muito prevalentes e decorrentes mesmo de idade. Até 80% da população tem queixa de  lombalgia em alguma fase da vida. Temos diversas causas, desde musculares, discais, neurogênicas, dentre outras.

Teste de Lasègue

Elevamos o membro inferior a fim de pressionar o nervo ciático, o aparecimento de sintomas durante a elevação indica positividade do teste e irritação da raiz nervosa ciática.

Imagem 8 – Teste de Lasègue
Fonte: FILHO & CAMARGO & CAMANHO (2012, p. 1336)

Teste de Patrick-Fabere

Paciente em posição supina deverá flexionar o joelho posicionando o pé no membro oposto que não será examinado. Ou seja, o quadril está fletido, abduzido e em rotação externa (FABERE). Promovemos força sobre o joelho para verificar se desencadeia dor (positivo). 

Conclusão

Concluindo, com esse artigo espero ter conseguido demonstrar a importância da realização dos testes especiais a fim de não só ter certeza do sítio problemático, mas também entender qual o problema em questão e visualizar caminhos para sua solução e consequente proporção de qualidade de vida e mais vida ao nosso paciente. Vale ressaltar, que como parte integrante do exame físico, os testes especiais devem sempre estar na mente do ortopedista e dos residentes e mesmo dos médicos gerais ou internos que rodam pela especialidade. Espero que eu tenha contribuído para melhorar seu atendimento clínico e sua prática médica diária! Bons estudos, querido(a) leitor(a)! 

Autor: Claudio Afonso Caetano Pereira Peixoto

Instagram: @claudioafon

Referências

HEBERT, Sizínio K. et al. Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática. Artmed Editora, 2016.

PORTO, Celmo Celeno. Semiologia médica / Celmo Celeno Porto ; coeditor Arnaldo Lemos Porto. – 8. ed. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2019.

FILHO, Tarcisio Eloy Pessoa de B.; CAMARGO, Olavo Pires D.; CAMANHO, Gilberto L. Clínica Ortopédica. [Digite o Local da Editora]: Editora Manole, 2012. 9788520444047.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.