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Para além dos plantões médicos: como entrar no mercado de trabalho?

Para além dos plantões médicos: como entrar no mercado de trabalho?

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Concluir a faculdade e entrar no mercado de trabalho é o sonho de qualquer profissional, e na área médica não poderia ser diferente. Antes de sair caçando vagas, é importante saber qual é o cenário da profissão e conhecer todas as possibilidades de carreira médica.

Vale também ter claro quais são seus objetivos (nessas horas, por favor, evite focar apenas em “eu só quero dinheiro”).

Cenário do mercado de trabalho médico

De acordo com a última Demografia Médica no Brasil, divulgada em 2020, o número de médicos formados no país só cresce. São mais de 500 mil médicos.

O estudo também apontou que a adesão profissional é altíssima. 93% dos participantes do levantamento exercem exclusivamente a medicina. Eles atuam em vários campos de atuação, meios e funções. Assistência, gestão, docência, pesquisa, entre
outros.

Especialista x generalista

Em janeiro de 2020, do total de 478.010 médicos em atividade no Brasil, 61,3% deles possuíam um ou mais títulos de especialista, enquanto 38,7% não tinham título em nenhuma especialidade.

Em números absolutos, o Brasil conta com 293.064 médicos especialistas e 184.946 generalistas.

Do total dos médicos especialistas, há um número considerável de profissionais com título em dois ou mais especialidades.

Outros dados importantes sobre carreira

Segundo a Demografia Médica, a maioria dos médicos trabalha para mais de um empregador e exerce, ao longo de sua jornada de trabalho, mais de uma atividade profissional. Em 2019, 44% dos médicos afirmaram ter quatro ou mais trabalhos.

Ainda conforme o estudo, do total de participantes, 45,9% ganham mais de R$ 16 mil mensais. E menos de um quinto dos médicos (18,5%) recebe menos de R$ 11 mil por mês. Com rendimento acima de R$ 27 mil reais estão 17,6% dos médicos.

É importante salientar que quem exclusivamente no setor público ganha menos.

Local de trabalho versus remuneração

Menor faixa salarial (até R$ 11 mil mensais)

  • 42,2% dos que trabalham apenas no SUS
  • 21,2% dos que trabalham exclusivamente no setor
    privado
  • 36,6% dos que têm dupla prática pública e privada.

Faixa de R$ 21 mil a R$ 27 mil

  • 58% dos que têm dupla prática
  • 28,1% dos que trabalham só no setor privado
  • 13,9% dos que atuam exclusivamente no SUS

Caminhos possíveis para um profissional de medicina

O médico pode atuar no setor público, no setor privado ou em ambos.

Com base na Demografia Médica, pública é toda prática médica realizada em instituição pública ou que resulta no atendimento de pacientes e usuários do SUS. Privada é toda prática médica realizada em instituição privada ou que resulta no atendimento de pacientes particulares ou conveniados a planos e seguros de saúde privados.

Locais de prática médica pública:

  • Atenção primária (Unidade Básica de Saúde, posto de saúde ou Estratégia Saúde da Família)
  • Atenção ambulatorial especializada (serviços ambulatoriais, ambulatórios de especialidades, Assistência Médica Ambulatorial – AMA, Centros de Atenção Psicossocial – CAPs, hemocentros, serviços de HIV-Aids, reabilitação, saúde do trabalhador);
  • Rede de urgência e emergência (pronto socorro, Unidades de Pronto-atendimento – UPA, atendimento pré-hospitalar, resgate, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – Samu);
  • Atenção hospitalar (hospital público da administração direta de municípios, estado e União, hospital universitário, filantrópico, Santa Casa e outros);
  • Universidade e instituições de pesquisa públicas;
  • Serviços e atividades relacionadas a gestão, administração, vigilância, entre outros.

Locais de prática médica privada:

  • Consultório particular (próprio ou dividido com colegas)
  • Clínica ou ambulatório privado
  • Clínicas populares de consultas
  • Hospital privado (que não atende pacientes do SUS)
  • Laboratório de diagnose privado
  • Indústria farmacêutica
  • Setor médico de empresa e universidade privada.

Atuação no mercado de trabalho

Médico Generalista

As tarefas rotineiras desse profissional envolvem a realização de diagnósticos, o pedido e interpretação de exames e prescrição de tratamentos.

Normalmente, o generalista exerce sua profissão em atendimentos de pronto-socorro. Além dos hospitais, pronto-socorros e unidades básicas de saúde o médico generalista também pode trabalhar por meio de concursos públicos.

Residência Médica

Se tornar especialista na área favorita é a chance de se desenvolver (em conhecimento técnico e comportamental) e ter mais autonomia de trabalho. A autonomia fica diretamente ligada a poder trabalhar com o que gosta, ter uma remuneração maior sem precisar ter uma alta carga de trabalho.

Atualmente, o Brasil tem 55 especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Deste total, quatro dominam o interesse dos médicos brasileiros. Clínica médica, pediatria, cirurgia geral e ginecologia e obstetrícia. São quase 40% dos médicos especialistas.

Pós-graduação

É uma alternativa para a especialização médica para além da residência médica. A pos-graduação pode ser um caminho para profissionais de diversos perfis e uma estratégia para não enfrentar a alta concorrência das vagas de programas de residência.

Concurso

Ter um emprego no serviço público também é uma opção atraente. Afinal, oferece estabilidade, segurança e até salários superiores aos oferecidos no mercado. Vale ficar de olho nos editais da Rede Sarah, da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Programa Mais Médicos

O Programa Mais Médicos (PMM), do Governo Federal, oferece oportunidades temporárias de até três anos nas regiões onde existe carência destes profissionais. O foco desse programa é em melhorar o atendimento em UBSs de todo o Brasil.

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