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Piodermites: entenda as principais infecções bacterianas da pele | Colunistas

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Imagem de perfil de Allison Diego Bezerra

Introdução

As piodermites constituem um conjunto de patologias dermatológicas causadas por infecções bacterianas, possuindo como principais agentes etiológicos o Staphylococcus Aureus e Streptococcus pyogenes. Além da classificação etiológica, essas afecções também podem ser separadas por meio da profundidade das camadas da pele e estruturas acometidas. A saber: impetigo, quando a infecção ocorre na camada superficial; ectima, quando a infecção acontece na epiderme e na derme; erisipela e celulite, que atinge a derme profunda; ostiofoliculite, no comprometimento do folículo pilossebáceo; foliculite, na infecção do folículo piloso; furúnculo, na infecção do folículo piloso concomitante a sua glândula sebácea e paroníquea, quando a infecção ocorre nas unhas. 

Principais piodermites

Impetigos

Os impetigos são infecções primárias da pele, contagiosas, de localização superficial, podendo ser causadas por estafilococos e estreptococos. Acomete principalmente a faixa etária pediátrica e clinicamente, divide-se em dois grupos principais, o impetigo bolhoso e o impetigo não bolhoso.

O impetigo não bolhoso é o mais frequente, sendo causando principalmente por infecção pelo Streptococcus pyogenes. Ocorre majoritariamente em torno do nariz e da boca e nas extremidades. Clinicamente, apresenta-se como uma mácula eritematosa que evolui para bolha e/ou vesícula de paredes finas, resultando em uma crosta espessada com coloração amarelada, conhecida como crosta melicérica. 

O impetigo bolhoso é causado exclusivamente pelo Staphylococcus Aureus. Acontece principalmente em neonatos e crianças. Possui como características clínicas o surgimento de vesículas que rapidamente se transformam em bolhas grandes que sofrem processo de pustulização.

Basicamente, o tratamento dos impetigos é realizado com a administração de antibióticos e limpeza local das lesões.

Ectima

A ectima pode ser resultado tanto de infecção estreptocócica quanto estafilocócica. Geralmente, sua apresentação clínica inicia-se por pústula, que posteriormente origina uma lesão ulcerada recoberta por crosta espessa.  A localização é preferencialmente nos membros inferiores. Pode ser única, mas, em geral, há várias lesões. Além dos cuidados de higiene local, em muitos casos pode ser necessário antibiótico sistêmico contra estreptococo. 

Erisipela

A erisipela é uma infecção aguda da derme, com importante comprometimento linfático. Em aproximadamente 75% dos casos, é causada por infecção pelo estreptococo beta hemolítico do grupo A. Clinicamente, é caracterizada por eritema intenso e edema doloroso com bordas bem delimitadas, podendo evoluir para surgimento de bolhas e até mesmo necrose ulcerativa, ocorrendo na maioria dos casos nas extremidades dos membros inferiores. O tratamento é realizado com antibiótico sistêmico e realização de higiene no local da lesão.

Celulite

Constitui uma infecção aguda da hipoderme associada a comprometimento linfático, ou seja, é o mesmo processo da erisipela acometendo uma camada mais profunda da pele, nesse caso, a hipoderme. Em sua grande maioria, possui como principal   agente etiológico o estreptococo, embora possa ter outras etiologias. O quadro clínico é relativamente semelhante à erisipela, apresentando eritema e edema difuso com bordas mal delimitadas. O tratamento consiste em repouso, elevação do membro, analgesia e antibioticoterapia sistêmica.

Foliculites

As foliculites são um grupo de piodermites que abrangem todas as infecções estafilocócicas que atingem o folículo pilossebáceo. 

A foliculite ostial, também conhecida como impetigo de Bockhart, é a formação de uma lesão infectada caracterizada por pequena pústula centrada por um pelo, capaz de atingir qualquer região do corpo. Apresenta número variável de lesões e podem ser bastante pruriginosas. Uma das principais causas é a depilação com lâminas, pois favorece a instalação do processo infeccioso, uma vez que causa micro lesões na pele, favorecendo a infecção bacteriana. Esse tipo de foliculite é tratada com o uso de antibiótico tópico. 

Dentro do grupo das foliculites profundas, as principais são o hordéolo, foliculite decalvante, sicose da barba e foliculite queloidiana.

Hordéolo, conhecido popularmente como terçol, é a infecção profunda dos folículos ciliares e glândulas de Meibomius. A lesão característica do hordéolo é a presença de placa papulopustulosa de base eritematosa centrada por pelo na região dos cílios.

A foliculite decalvante é profunda, caracterizada por pústulas superficiais que provocam depilação completa e definitiva dos pelos acometidos. A doença tem curso crônico, e, devido a fibrose formada, os fios restantes podem emergir da mesma abertura folicular, dando aspecto de “cabelo de boneca”, condição chamada de politríquia. É mais prevalente nos adultos do sexo masculino. 

A sicose ou foliculite da barba, é caracterizada clinicamente por pústulas foliculares de elevada cronicidade que tendem a confluência. Pode possuir etiologia bacteriana, fúngica ou viral, entretanto, a principal etiologia é bacteriana, por infecção do S.Aureus. É mais comum em pacientes que também possuem dermatite seborreica.

A foliculite queloidiana, constituem pústulas que confluem e levam a formação de fistulas e fibrose de aspecto queloidiano. É especialmente comum em região da nuca.

Furúnculo

O furúnculo é uma infecção estafilocócica aguda e necrosante do aparelho pilossebáceo. Sua apresentação clínica é uma lesão eritematoinflamatória bastante dolorosa, centrada por pelo, com evolução para necrose central (carnegão). Acontece principalmente em regiões pilificadas e sujeitas a fricção, e é mais comum em homens jovens. Quando ocorre confluência de vários furúnculos a lesão é chamada de carbúnculo, snedo mais comum em imunodeprimidos e diabéticos. 

Paroníquea

A paroníque é a infecção bacteriana da região periungueal, que pode surgir nos dedos dos pés ou das mãos. É decorrente de infecção oportunista após trauma prévio da região. Lesão na cutícula é um dos principais fatores, portanto, é comum em pessoas que costumam removê-las, principalmente durante procedimentos estéticos. Clinicamente pode ser observada área eritematosa com presença de coleção purulenta na região periungueal. O tratamento é feito com antibiótico sistêmico (cefalosporina 1° geração) e drenagem para alívio da dor. 

Autor: Allison Diego

Instagram: @allison_diego

Referências

AZULAY, R. D. Dermatologia, 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto